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Invencíveis soldados do mar

O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Chile se projeta como uma unidade estratégica de combate com capacidades únicas.
Geraldine Cook/Diálogo | 18 dezembro 2017

O Contra-Almirante do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Chile David Hardy Videla, comandante da Brigada Anfíbia Expedicionária e comandante geral do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Chile manifestou a importância da interoperabilidade com outras marinhas, instituições e forças de segurança da região. (Foto: Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Chile)

O Corpo de Fuzileiros Navais é uma força de elite da Marinha do Chile composta por cerca de 3.000 homens. É uma força especializada que tem uma mobilidade estratégica única de posicionamento para realizar operações anfíbias em terrenos hostis. Seu alto grau de adestramento, capacidade e possibilidade de posicionamento rápido e discreto são algumas de suas principais qualidades.

A força comemorará o bicentenário de sua criação em junho de 2018. Diálogo conseguiu uma entrevista durante uma visita a Viña del Mar, Chile, com o Contra-Almirante do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Chile David Hardy Videla, comandante da Brigada Anfíbia Expedicionária e comandante geral do Corpo de Fuzileiros Navais, para falar sobre a missão de sua instituição, os projetos que realizam e a projeção para 2018.

Diálogo: Qual é a missão do Corpo de Fuzileiros Navais?

Contra-Almirante David Hardy Videla, comandante da Brigada Anfíbia Expedicionária e comandante geral do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Chile: A função principal dos Fuzileiros Navais no Chile é contribuir para a projeção dos interesses do Chile a partir do mar, ou seja, defender as costas do Chile, proteger seu mar e, principalmente, contribuir em tudo que estiver relacionado à proteção dos interesses comuns que temos na região, dentro da América Latina e, em particular, na América do Sul.

Diálogo: Qual é o projeto mais importante que está em andamento?

C Alte Hardy: O principal projeto está relacionado ao âmbito da interoperabilidade. É importante que possamos trabalhar com outras marinhas, instituições e forças de segurança da região. Assim, estamos trabalhando em um projeto importante relativo ao desenvolvimento de doutrina, procedimentos comuns e, principalmente, treinamento no novo tipo de ameaças que surgem em geral no ambiente de segurança latino-americano.

Diálogo: A que tipo de ameaças à segurança o senhor se refere?

C Alte Hardy: Nossa zona é uma zona de paz, tranquila, porém temos que protegê-la para garantir que continue sendo assim. Há ameaças como o narcotráfico, o tráfico ilícito e o tráfico de pessoas, porém temos ameaças não tradicionais, como as produzidas pela natureza. Temos muita experiência em tudo o que se refere ao apoio às comunidades em caso de terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas etc.

Diálogo: Como o senhor trabalha o conceito de interoperabilidade com as outras forças militares de seu país?

C Alte Hardy: Temos o Estado-Maior Conjunto (EMCO), que nos permite ter doutrina e procedimentos comuns. A interoperabilidade é uma coisa mais complexa, já que, mais do que ter uma equipe intercambiável e que possa se comunicar entre si, é ter a mesma maneira de pensar, conceber e trabalhar no que se refere à administração das instituições. Com o EMCO, estamos trabalhando para alcançar uma doutrina comum dentro da região. Trabalhamos muito e temos vínculos e amizade com as forças armadas dos Estados Unidos, da Argentina, do Brasil e da Colômbia, que são nossos principais sócios.

Diálogo: Que tipo de intercâmbios vocês realizam com outros países?

C Alte Hardy: Temos intercâmbio de oficiais e suboficiais. Oficiais do Brasil, da Argentina, da Colômbia e dos Estados Unidos vêm para o Chile para intercâmbio de experiências. Além disso, mandamos oficiais e suboficiais a esses países. Temos exercícios, alguns deles coordenados por meio do Comando Sul dos Estados Unidos.

Diálogo: Qual é o balanço da Marinha do Chile em 2017?

C Alte Hardy: O ano de 2017 vem sendo um ano bom para a Marinha do Chile porque tivemos várias mudanças institucionais, mas principalmente porque realizamos vários projetos de desenvolvimento de tecnologia, investimento de recursos e de treinamento. Começamos a celebrar nosso bicentenário. A Marinha do Chile, sob a qual se encontra o Corpo de Fuzileiros Navais, iniciou a celebração dos 200 anos de vida institucional com várias atividades que vão se prolongar até 2018.

Diálogo: Em quase 200 anos de existência, qual tem sido o aporte fundamental do Corpo de Fuzileiros Navais para o país?

C Alte Hardy: Em geral, a Marinha tem tido um trabalho muito importante tomando conta dos mares, fazendo com que eles sejam seguros e, além disso, interconectando a zona sul, desde o Estreito de Magalhães até o deserto no norte do Chile pela costa. A Marinha tem sido o transportador da cultura e da forma de ser dos chilenos.

Diálogo: Quais são os planos para 2018?

C Alte Hardy: A celebração do bicentenário. Estamos também trabalhando no desenvolvimento das capacidades humanas do pessoal. A parte mais complexa é capacitar os jovens que vão ingressando na instituição. Nesse sentido, estamos buscando novos projetos de como educar nossos membros para que se convertam em cidadãos valiosos para o mundo atual e que possam interoperar dentro e fora do país.

Diálogo: O senhor assumiu o comando do Corpo de Fuzileiros Navais no final de 2014. Qual é sua maior satisfação?

C Alte Hardy: O fato de termos uma organização muito coesa e nos conhecermos. À medida em que nos conhecemos, confiamos uns nos outros, e isso faz com que sejamos mais eficientes. Para mim, é um orgulho servir junto aos fuzileiros navais do Chile. Estou há 37 anos na instituição, e isso é toda uma vida, e também estou muito agradecido aos meus superiores, porém em especial a meus subalternos, que têm sido leais, trabalhadores e têm se esforçado para conduzir com sucesso esta instituição.

Diálogo: Como o Corpo de Fuzileiros Navais lida com o tema de gênero?

C Alte Hardy: Temos progredido muito nesse aspecto, já que temos uma política institucional e uma política nacional no âmbito de defesa que permite à mulher participar de todas as atividades profissionais que qualquer instituição tiver. Claro, ainda que pareça estranho, o único lugar onde não há mulheres é na força de submarinos e no Corpo de Fuzileiros Navais.

Diálogo: A que se deve isso?

C Alte Hardy: Por dois motivos fundamentais. Há muitos voluntários para ingressar no Corpo de Fuzileiros Navais e não tem havido um interesse maior por parte das mulheres para seu ingresso nesta instituição. É uma organização muito pequena e em geral as mulheres que se incorporam à Marinha escolhem outra área de ação, como estar no navio de superfície, em aviões navais etc. Contudo, creio que no futuro vamos ter mulheres em nosso corpo de fuzileiros.

Diálogo: Qual é sua mensagem para os corpos de fuzileiros navais da região?

C Alte Hardy: Temos ameaças, desafios e interesses comuns que não podem ser superados se não trabalharmos juntos. As marinhas e os corpos de fuzileiros navais em geral olham para fora de seus próprios países, por isso é fundamental que nos conheçamos e troquemos experiências e preocupações.

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