Missão humanitária internacional auxilia Dominica pós furacões

Países do Caribe e órgãos internacionais respondem com militares, alimentos, água, medicamentos, aviões e embarcações para socorrer a ilha atingida.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 13 outubro 2017

Resposta Rápida

A República Dominicana presta ajuda a pacientes cirúrgicos procedentes da devastada Dominica em coordenação com a Organização Panamericana de Saúde. (Foto: Ministério da Saúde da República Dominicana)

Como resultado da destruição causada pelos furacões Maria e Irma, que varreram as ilhas das Antilhas Menores no Caribe em menos de 15 dias, a comunidade internacional mobilizou rapidamente contingentes de ajuda humanitária para os países afetados. A resposta internacional foi dirigida principalmente para Dominica, onde o olho do furacão Maria, de categoria 4, afetou 80 por cento da população do país.

“Perdemos tudo”, disse o primeiro-ministro de Dominica Roosevelt Skerrit, ao solicitar ajuda humanitária internacional no dia 19 de setembro. “Necessitaremos de ajuda de todos os tipos.”

Uma semana antes, a zona caribenha foi atingida pelo furacão Irma, de categoria 5. O Maria foi o segundo grande furacão de setembro e provocou a morte de mais de 30 pessoas: 15 em Dominica, 13 em Porto Rico, três no Haiti e duas em Guadalupe.

Uma equipe de avaliação de desastres da Organização das Nações Unidas (ONU) estimou que cerca de 65.000 pessoas de Dominica foram afetadas pelo Maria. Além disso, um relatório do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários indicou que 100 por cento da agricultura foi destruída. O país necessita de água, alimentos, abrigos de emergência, estradas, pontes e nova infraestrutura, assinalou a ONU.

Ajuda rápida

Frente à devastação, nações parceiras vizinhas, bem como os Estados Unidos e órgãos internacionais, responderam rapidamente com alimentos, água, medicamentos, aviões e embarcações. A Força Aérea da República Dominicana apoiou o traslado de feridos para hospitais dominicanos. A cooperação ocorreu em coordenação com a Organização Panamericana de Saúde. A Marinha da República Dominicana (ARD, por sua sigla em espanhol) participou também da tarefa de assistência com unidades navais. “As operações de ajuda humanitária se consolidaram graças à logística disposta pelo governo para poder realizar mobilizações em todo o Caribe, neste caso, nas ilhas de Sotavento e Barlavento”, disse à Diálogo o Vice-Almirante Miguel Enrique Peña Acosta, comandante geral da ARD.

Outros países membros da Comunidade do Caribe (CARICOM) prestaram auxílio solidamente às ilhas. A vizinha Antigua e Barbuda, por seus meios de comunicação estatais e privados, proporcionou uma conexão crítica entre os residentes de Dominica e o restante do mundo, informou a CARICOM.

Barbados respondeu rapidamente com dois barcos da Guarda Costeira para transportar pessoal técnico e suprimentos. As embarcações saíram carregadas de água e ajuda humanitária de emergência, bem como com pessoal médico de apoio aos serviços de saúde.

O governo de Trinidad e Tobago auxiliou com helicópteros para transportar pessoal de emergência e equipamentos para as zonas remotas para a avaliação de danos da ilha, resgatar feridos e fornecer serviços de emergência. O Estado trinitário suspendeu os requisitos de imigração para os residentes de Dominica por um período de seis meses.

Granada, Santa Lucia, Jamaica e Trinidad e Tobago enviaram à ilha contingentes de oficiais de polícia para reforçar a segurança durante o período de recuperação de Dominica. Por sua vez, a Guiana cooperou com suprimentos médicos e sanitários enviados em um avião militar britânico C-130. Transportou também dez contêineres com material de construção para as ilhas afetadas.

Ajuda internacional

Barbados fornece ajuda humanitária à população afetada pelos furacões Irma e Maria em Dominica. (Foto: Agência de Gestão de Emergências de Desastres do Caribe)

A ajuda se fortaleceu com a assistência de órgãos internacionais como a Agência de Gestão de Emergências de Desastres do Caribe (CDEMA, por sua sigla em inglês) e a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID, por sua sigla em inglês), que adiantou a ajuda americana por meio do Escritório de Assistência a Desastres no Estrangeiro (OFDA, por sua sigla em inglês), com o apoio da Força-Tarefa Conjunta-Leeward Islands (FTC-LI). A CDEMA mobilizou mais de 360 unidades especializadas em busca e salvamento, avaliação de danos, coordenação de respostas e análise de necessidades em Dominica para fortalecer os esforços de socorro, informou a agência.

Por sua vez, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos uniu esforços para ativar a FTC-LI com aproximadamente 300 elementos das forças militares designadas ao Comando Sul dos EUA, além de oito helicópteros, quatro aeronaves C-130 Hércules e o navio USNS Spearhead, em apoio aos esforços de resposta adiantados pelo USAID/OFDA. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU transportou por barco até a ilha caribenha oriental aproximadamente 10 toneladas de comida de alto teor energético para ajudar cerca de 25.000 pessoas durante três meses. O PMA habilitou unidades de armazenamento móveis, em virtude da falta de instalações de armazenamento para a ajuda humanitária que chegava, e assiste com serviços de logística e serviços aéreos. A equipe de telecomunicações de emergência conectou cerca de 400 usuários como o Centro de Operações de Emergência de Dominica, aeroportos e hospitais.

O Serviço Aéreo Humanitário da ONU prestou apoio a trabalhadores humanitários parceiros e funcionários governamentais em Dominica e região. O Depósito de Resposta Humanitária da ONU no Panamá transportou barcos e geradores elétricos.

Nações como os Estados Unidos, o Canadá, o Reino Unido, a França e a União Europeia distribuíram ajuda aos países caribenhos afetados para apoiar as autoridades nacionais na prestação de socorro à população. Os Estados Unidos transportaram por via aérea mais de 45 toneladas de suprimentos críticos até Dominica, São Cristóvão e Neves e San Martin.

“A ajuda internacional sempre teve um papel fundamental nas crises de grande escala provocadas por desastres naturais como este. Não devemos perder de vista que Dominica enfrenta uma situação urgente”, comentou à Diálogo Daniel Pou, analista de segurança e defesa na República Dominicana. “Demorará muito tempo para que essa ilha volte a ressurgir.”

Reconstruir um país

O governo de Dominica agradeceu a ajuda internacional recebida. “Temos muitos aliados”, disse o primeiro-ministro Skerrit. “Obrigado por ajudar o meu povo; sem vocês, nações parceiras, não teria sido possível sair da primeira fase de emergência.”

Dominica exortou os países com capacidades militares para que lhes forneçam equipamentos de resgate e reconstrução. “Necessitamos reconstruir um país e não podemos fazê-lo sozinhos”, disse o primeiro-ministro Skerrit na Assembleia Geral da ONU.

Segundo Pou, as grandes nações têm um papel-chave nesse tipo de contingências. Por meio de suas forças armadas, elas têm a organização, o treinamento e os recursos logísticos para apoiar nações parceiras necessitadas.

No dia 20 de setembro, a ONU solicitou US$ 31 milhões em regime de urgência à comunidade internacional, para contribuir com as tarefas de recuperação precoce da ilha durante os próximos três meses. “A devastação é terrível. Isso implica investimentos descomunais”, acrescentou Pou.

“As forças armadas parceiras de Dominica apoiam enviando mão-de-obra qualificada, utilizando a capacidade das diferentes forças, que podem prestar ajuda humanitária e ajudar com a reconstrução e logística”, agregou o V Alte Peña. “Devemos enfocar como primeiro esforço o restabelecimento dos sistemas de comunicação terrestre, aéreo e marítimo.”

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