Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Cooperação internacional, essencial para enfrentar a crise humanitária na Venezuela

O General de Exército da Colômbia Luis Fernando Navarro Jiménez, comandante geral das Forças Militares,conversou com Diálogo durante sua participação na Conferência Sul-Americana de Defesa 2019 (SOUTHDEC, em inglês), realizada em Natal, Brasil, entre 20 e 22 de agosto de 2019.
Geraldine Cook / Diálogo | 16 setembro 2019

Destaque

General de Exército da Colômbia Luis Fernando Navarro Jiménez, comandante geral das Forças Militares (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

Diálogo: Qual é a contribuição da Colômbia quanto à crise da Venezuela?

General de Exército da Colômbia Luis Fernando Navarro Jiménez, comandante geral das Forças Militares: O que o povo venezuelano vem vivendo atualmente é uma tragédia. Essa crise traz problemas sérios para os países que fazem fronteira com a Venezuela, mas ela também se estende a toda a América do Sul, inclusive à América Central. Estima-se que cerca de quatro milhões de venezuelanos tiveram que emigrar de seu país; a grande maioria deles fugiu para o sul do continente e muitos passam pela Colômbia.

A Colômbia recebeu um milhão e meio de migrantes venezuelanos. Para um país como o nosso, que não tem uma situação econômica robusta, isso gera vários problemas sérios, como a prestação de serviços básicos essenciais, tanto para nossos compatriotas colombianos quanto para os venezuelanos que chegaram. O governo colombiano tem feito muito pelos venezuelanos que fogem do seu país. O Estado fez tudo aquilo que está ao seu alcance para ajudá-los: eles foram recebidos, acolhidos em abrigos e atendidos nos centros médicos e hospitalares. Da mesma forma, foi concedida a nacionalidade a 24.000 crianças venezuelanas, o que implica um reconhecimento de seus direitos, além de terem sido feitos planos para garantir que as crianças tenham acesso à educação. Aos adultos foi facilitado o acesso a empregos, ainda que isso seja difícil e complicado.

A questão da crise venezuelana também atingiu as fronteiras, já que gerou maior insegurança. Hoje em dia temos problemas de segurança associados aos migrantes venezuelanos. A esperança é de que tudo isso termine na Venezuela e a grave crise humanitária e a violação dos direitos humanos que ocorrem no país vizinho tenham fim.

Diálogo: General, o senhor mencionou problemas de segurança na fronteira, principalmente devido à migração venezuelana. A que tipos de problemas o senhor se refere?

Gen Ex Navarro: Temos dois tipos de problemas de segurança na fronteira. O primeiro é que a migração está aumentando os índices de delinquência e criminalidade nas regiões fronteiriças. O segundo se refere à presença dos grupos armados colombianos que se organizaram e se instalaram nos estados venezuelanos na fronteira com a Colômbia. Quase 50 por cento do Exército de Libertação Nacional estão instalados em território da Venezuela. Lá também estão os grupos armados organizados residuais das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que da mesma forma estão se assentando nas áreas fronteiriças. Esses dois grupos marginais utilizam o território venezuelano como sua retaguarda estratégica. Nessas regiões de fronteira fomenta-se o crime organizado transnacional, o contrabando, o narcotráfico, a exploração ilícita de jazidas minerais e o tráfico de armas, explosivos e munições. Obviamente, o regime de Nicolás Maduro não combate o crime organizado transnacional e, dessa maneira, a situação criminosa está afetando muito a segurança na zona fronteiriça, com graves prejuízos tanto para a população civil venezuelana quanto para a colombiana.

Diálogo: Qual é o tipo de cooperação internacional que se faz necessária para combater a crise humanitária pela qual passa o povo venezuelano.?

Gen Ex Navarro: É necessário que a comunidade internacional realmente entenda que existe uma crise humanitária muito grave na Venezuela. O governo colombiano foi muito firme em seu posicionamento para uma solução política para a situação na Venezuela. Para isso, como Estado, empregamos todos os mecanismos possíveis a nosso alcance, principalmente os diplomáticos. É preciso que haja uma cooperação internacional que colabore com meios econômicos para podermos manter as populações de migrantes venezuelanos que estão chegando a nossos países. Na Colômbia, por exemplo, precisamos melhorar a infraestrutura para poder dar aos venezuelanos mais assistência médica e mais educação.

Diálogo: A Colômbia e os Estados Unidos trabalham juntos para apoiar os migrantes venezuelanos. A missão humanitária Promessa Contínua 2019 do Comando Sul dos EUA realizou uma iniciativa no final de agosto com a visita do navio-hospital USNS Comfort a Santa Marta, Colômbia. Qual é a sua opinião a esse respeito?

Gen Ex Navarro: Essa foi a segunda visita do navio-hospital USNS Comfort à Colômbia para ajudar os venezuelanos, onde as equipes prestaram assistência médica, cirúrgica e com medicamentos. O apoio dos EUA à Colômbia para poder enfrentar a crise humanitária dos migrantes venezuelanos em nosso país é fundamental, tanto em recursos econômicos como na assistência humanitária. Acredito que a cooperação Colômbia-EUA seja robusta e total, porque os EUA são nosso principal aliado estratégico e compartilhamos valores democráticos e uma visão única de segurança.

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