Comunidade internacional mostra fraternidade com México

Um total de 23 nações parceiras ajudaram em ações de resposta imediata ao México depois dos terremotos.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 18 outubro 2017

Resposta Rápida

Pessoal especializado da Equipe de Busca e Resgate Urbano do Corpo de Bombeiros do Condado de Los Angeles avalia estruturas danificadas na Cidade do México. (Foto: Secretaria de Relações Exteriores)

Em setembro de 2017, o México enfrentou dois terremotos graves em menos de quinze dias. O primeiro, de 8,3 graus na escala Richter, deixou 100 mortos no sudeste mexicano, no dia 7 de setembro. O segundo, de magnitude 7,1, provocou mais de 320 vítimas fatais e muitos danos materiais no centro do país, no dia 19 de setembro.

Os Estados Unidos entregaram pacotes com ajuda humanitária ao México para a população atingida pelo terremoto de 19 de setembro. (Foto: Secretaria da Marinha)

Frente a esse cenário, a comunidade internacional mostrou de imediato seu respaldo ao México. O governo aceitou a ajuda de diversos países e de todas as regiões do mundo para assistir à população afetada pelo segundo sismo que sacudiu os estados de Guerrero, México, Morelos, Puebla e a Cidade do México.

“Nós mexicanos nos comovemos com as inúmeras mostras imediatas de solidariedade da comunidade internacional”, disse o secretário de Relações Exteriores, Luis Videgaray. A ajuda altamente especializada e o maquinário pesado para agir com prontidão foram transportados em aviões militares e comerciais de 23 países de todo o mundo.

Desde o início das operações de busca e resgate, a nação contou com a ajuda técnica da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Coordenação de Assuntos Humanitários. As equipes fazem parte do Programa de Coordenação e Avaliação de Desastres da ONU, para identificar a ajuda específica que o México necessitava para dar suporte às tarefas de resgate.

As mostras de apoio chegaram ao México em coordenação com o Sistema Nacional de Proteção Civil e o governo da Cidade do México. A ajuda incluiu 500 pessoas e mais de 400 toneladas de ajuda humanitária composta de maquinário, equipes de trabalho, ferramentas, água, alimentos enlatados, artigos de primeira necessidade, suprimentos médicos, barracas de campanha e instalações elétricas.

Amigos presentes

“Os amigos se fazem presentes nos momentos mais difíceis e comprovamos, com emoção, que o México tem amigos sinceros em todo o mundo”, acrescentou Videgaray. “Sua ajuda oportuna pode significar a diferença entre a vida e a morte de muitas pessoas.”

El Salvador foi un dos primeiros países a chegar à nação mexicana. Uma equipe multidisciplinar altamente treinada do Grupo de Busca e Resgate Urbano, também conhecido por sua sigla em inglês USAR [Urban Search and Rescue], chegou em um avião Douglas C-47 Turbo da Força Aérea de El Salvador.

“Devido ao fato de também vivermos em uma região bastante sísmica, a Força Armada de El Salvador tem unidades terrestres, aéreas e meios navais sempre prontos para apoiar em nível nacional e internacional”, disse à Diálogo o Brigadeiro Carlos Jaime Mena Torres, vice-ministro de Defesa de El Salvador. “Com muito orgulho, fomos o primeiro país que chegou ao México em apoio a essa contingência.”

Em coordenação com as Forças Armadas do México, a delegação do Japão ajudou em ações de busca e resgate em estruturas desabadas na Cidade do México. (Foto: Secretaria da Marinha)

Somaram-se a essa causa vários países para fornecer o apoio necessário. Os Estados Unidos, com sua equipe USAR do Corpo de Bombeiros do Condado de Los Angeles, e o Japão, com uma brigada formada por diferentes corporações, apoiaram com equipes especializadas em desmoronamentos, maquinário - como serras circulares, macacos hidráulicos de alta capacidade, aparelhos infláveis para levantar escombros, e geofones para rastrear grandes zonas de terreno.

A Espanha se solidarizou enviando um contingente da Unidade Militar de Emergências. Militares da Unidade de Resgate da Frente de Defesa Civil de Israel ajudaram no processo de revisão de edifícios danificados. As manifestações de respaldo foram apoiadas com equipamentos de resgatistas da Colômbia, do Panamá, de Honduras, Equador, Chile e Costa Rica para localizar pessoas presas debaixo de escombros nos imóveis desabados.

O Canadá enviou pessoal de resgate e 1.500 barracas de campanha. Além disso, várias empresas e associações civis doaram recursos econômicos para apoiar as tarefas de ajuda aos estados mais atingidos pelo terremoto. “Em virtude desse valioso gesto de solidariedade, o México agradece a seus irmãos de todo o mundo e reafirma sua convicção de que somente de forma conjunta podemos superar desafios como o que hoje nosso país enfrenta”, informou a Secretaria de Relações Exteriores.

Reconhecimento ao México

“Este apoio internacional é um reconhecimento pela maneira pela qual o México estendeu a mão a países necessitados em caso de desastres naturais”, comentou com a Diálogo Yadira Gálvez Salvador, analista de temas de segurança e defesa da Universidade Nacional Autônoma do México. “É uma mostra de reciprocidade.”

Recentemente o México deu apoio aos Estados Unidos com um grupo de voluntários da Cruz Vermelha para trabalhar nos abrigos depois da passagem do furacão Harvey. Similarmente, enviou 130 resgatistas e mais de quatro toneladas de equipamentos e ajuda humanitária ao Equador, em abril de 2016, quando o terremoto de magnitude 7,8 açoitou a zona central do país sul-americano.

Desafios e fortalecimento

“Essa ajuda nos permite ver e medir o nível de prontidão operacional de nosso pessoal”, comentou o Brig Mena. “Também [nos permite colocar à prova] a capacidade de nossas aeronaves para detectar vulnerabilidade e ir resolvendo, seja em equipamentos ou em treinamento.”

“Esse tipo de ajuda humanitária mostra os desafios que existem para a coordenação internacional-interagencial frente a desastres naturais; os países buscam formas de gerar capacidades de coordenação de resposta mais efetiva diante de uma emergência ou desastre natural e como gerar mais eficiência”, acrescentou Gálvez. “A ajuda ao México foi tratada de uma maneira tremendamente eficiente.”

“As forças armadas devem estar mais bem preparadas, adestradas e equipadas para poder reagir de uma forma positiva e contribuir para salvar vidas”, finalizou o Brig Mena. “As forças armadas devem se fortalecer porque os desastres naturais são uma constante em toda a América e por todo o mundo.”

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