Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Trabalho interagências é vital para derrotar esquemas ilegais

A Força Aérea da República Dominicana avança na luta contra o narcotráfico e no trabalho interagências.
Geraldine Cook, Diálogo | 27 agosto 2018

Para o Brigadeiro Piloto Luis Napoleón Díaz, comandante geral da Força Aérea da República Dominicana, o SICOFAA e a CONJEFAMER são importantes entidades para promover o intercâmbio de experiências e conhecimentos, bem como a interoperacionalidade das forças aéreas regionais. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

Proteger a soberania do espaço aéreo dominicano não é a única função da Força Aérea da República Dominicana. Para o Brigadeiro Piloto Luis Napoleón Díaz, comandante geral da Força Aérea da República Dominicana (FARD), reduzir os esquemas de drogas no corredor do Caribe e dar continuidade aos exercícios combinados e interagências é um trabalho primordial.

O Brig Díaz participou da LVIII Conferência de Chefes das Forças Aéreas Americanas (CONJEFAMER, em espanhol), realizada na Cidade do Panamá, no Panamá, entre os dias 19 e 21 de junho de 2018. O comandante conversou com Diálogo sobre os avanços da FARD na luta contra o narcotráfico, no trabalho interagências e nas missões de ajuda humanitária, entre outros assuntos.

Diálogo: Qual é a importância da participação da FARD na LVIII CONJEFAMER?

Brigadeiro Piloto Luis Napoleón Díaz, comandante geral da Força Aérea da República Dominicana: A FARD participou da CONJEFAMER pela primeira vez em 1962, ou seja, um ano depois de sua fundação. Desde essa época, nossos chefes de Estado-Maior e comandantes gerais da instituição vêm participando ininterruptamente desse evento. A CONJEFAMER é o cenário apropriado – dentro do ambiente de camaradagem, compromisso e profissionalismo que caracterizam nossas instituições aéreas – para que os comandantes do continente possam interagir e criar vínculos de cooperação entre as forças aéreas, mais além da amizade e da fraternidade existentes entre os nossos povos.

Diálogo: Por que é importante que a FARD pertença ao SICOFAA? Quais são os benefícios disso?

Brig Díaz: É importante para a FARD pertencer ao Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas (SICOFAA) porque isso permite a nossa abertura à internacionalização. O SICOFAA serve como um instrumento estratégico da nação para que possamos projetar nossas políticas exteriores, enquanto nos facilita expandir nossas capacidades operacionais.

Entre os benefícios do SICOFAA, podemos dizer que ele nos permite o intercâmbio de experiências e de conhecimentos, bem como a interoperacionalidade das forças aéreas do continente de forma combinada e padronizada, tal como a resposta em emergências de ajuda humanitária, em casos de desastres naturais. Outros benefícios do SICOFAA são os exercícios Cooperação, tanto no âmbito virtual como no real, e seus diferentes comitês.

Diálogo: Qual é a importância do SICOFAA na região?

Brig Díaz: O SICOFAA é uma poderosa ferramenta estratégica para cada um dos países membros, visto que ele permite dar uma resposta em casos de ajuda humanitária em desastres naturais. Isso nos mostra o lado diplomático das forças aéreas, além de sua essência como uma instituição militar para a defesa da nação.

Diálogo: A que se deve a diminuição dos esquemas de drogas do corredor do Caribe no espaço aéreo dominicano?

Brig Díaz: Essa diminuição se deve à aquisição do sistema de armas A29-B Super Tucano por parte do governo. Outro elemento que contribuiu para essa redução foi a assinatura em 2010 do Procedimento Operacional Vigente (POV) entre a FARD e a Força Aérea da Colômbia (FAC) que estabelece os procedimentos operacionais para o intercâmbio dos esquemas entre os espaços aéreos de ambos os países.

Diálogo: Qual é a importância do exercício combinado Caribe VII entre a FARD e a FAC?

Brig Díaz: A importância do exercício Caribe é manter o treinamento e a padronização do trabalho das tripulações binacionais (FAC-FARD) para desenvolver operações de detenção, identificação e transferência dos esquemas de tráficos irregulares. O exercício também nos permite ratificar as habilidades que já desenvolvemos em conjunto para estabilizar o controle do espaço aéreo. Esses exercícios são o cenário apropriado para continuar a padronização das doutrinas e para atualizar as táticas de interdição aérea.

Diálogo: Que tipo de trabalho interagências a FARD realiza para combater o tráfico de drogas por via marítima?

Brig Díaz: A FARD mantém uma coordenação contínua e permanente com a Direção de Inteligência da Marinha da República Dominicana e constantemente apoia a Direção Nacional de Controle de Drogas, que é o organismo do Estado destinado à luta contra o narcotráfico. O Ministério da Defesa realiza as coordenações para o apoio às operações de combate ao narcotráfico. Nessa luta para combater o tráfico de drogas por via marítima, as informações que recebemos em diversas oportunidades da Colômbia e dos Estados Unidos, entre outros países, nos ajudaram muito.

Diálogo: Uma das funções principais do Esquadrão de Busca e Apreensão (SAR, em inglês) da FARD é a ajuda humanitária e a assistência em desastres naturais. Como esse esquadrão é preparado para sua missão?

Brig Díaz: O SAR tem o compromisso institucional ligado às diretrizes do alto comando de salvaguardar a soberania nacional. Assim sendo, como um organismo de resposta a emergências – com o uso de recursos aéreos tais como seus helicópteros –, ele mantém com eficiência as operações de ajuda humanitária em desastres naturais. O SAR programa treinamentos e capacitações para manter a eficiência de seus pilotos em voos desse tipo.

Através da Embaixada dos Estados Unidos são gerenciados os treinamentos combinados, e com os demais componentes das Forças Armadas da República Dominicana se realizam exercícios que ajudam a garantir um melhor desempenho nesse tipo de missões. Além disso, através da Direção de Operações Aéreas da FARD são planejados voos de práticas e simulações entre o SAR, o Centro de Operações de Emergências, a Defesa Civil e outros organismos do Estado, para padronizar os procedimentos e unificar os critérios que contribuem para fortalecer e melhorar a execução dessas missões, o que nos permite aumentar as capacidades operacionais frente à contínua ameaça das mudanças climáticas em nosso país e na região.

Diálogo: Que tipo de cooperação em termos de segurança a FARD realiza com os Estados Unidos?

Brig Díaz: Os Estados Unidos são o principal aliado estratégico da República Dominicana em termos de segurança e [da] luta contra os crimes transnacionais. Assim sendo, há meios e recursos destinados para tais fins. Os EUA também são o principal provedor da FARD para os cursos, treinamentos e equipamentos.

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