Destaque: Uma conversa com nossos líderes

IAAFA, ponte das Américas

A Academia Interamericana das Forças Aéreas celebrou seu 75º aniversário.
Geraldine Cook/Diálogo | 9 abril 2018

O Coronel da Força Aérea dos Estados Unidos Isaac Davidson, comandante da Academia Interamericana das Forças Aéreas, está orgulhoso do exigente ambiente acadêmico que envolve sua instituição e também dos fortes laços de fraternidade que se formam entre seus alunos. (Foto: IAAFA)

A Academia Interamericana das Forças Aéreas (IAAFA, em inglês) oferece um ambiente único para seus estudantes. Seus alunos recebem um aprendizado voltado para a educação técnica, operacional e profissional, ao mesmo tempo em que criam alianças duradouras e consolidam a irmandade entre a Força Aérea dos Estados Unidos e as forças aéreas e de segurança das nações parceiras da América Latina e do Caribe.

O Coronel da Força Aérea dos Estados Unidos Isaac Davidson, comandante da IAAFA, está orgulhoso do ambiente acadêmico e de fraternidade na instituição e trabalha para continuar o seu desenvolvimento. Como diretor da escola, desde agosto de 2017, tem sob sua responsabilidade disponibilizar todos os anos uma educação técnica e militar, oferecida em sua grande maioria em espanhol, para os mais de 900 alunos de forças aéreas e agências governamentais de 21 países latinos e caribenhos. A IAAFA abriu as suas portas em 1943, na Base Aérea Albrook, no Panamá, a pedido do Tenente-Brigadeiro-do-Ar da Força Aérea do Peru Fernando Melgar, então ministro da Aeronáutica do Peru. Foi a primeira instituição acadêmica de forças aéreas regionais a oferecer a seus membros um fórum comum onde aprender, debater e planejar em conjunto. Desde então, o número de alunos continua aumentando. Para comemorar, a IAAFA se vestiu de gala na celebração de seu 75º aniversário.

O Cel Davidson conversou com a Diálogo durante as celebrações de aniversário, realizadas de 12 a 16 de março em San Antonio, Texas. Entre outros eventos, as celebrações incluíram o Terceiro Simpósio de Intercâmbio do Hemisfério Ocidental, um jantar de gala, um desfile de bandeiras e uma competição atlética entre alunos. O Cel Davidson falou sobre a importância do simpósio, dos 75 anos da instituição e dos benefícios para as forças aéreas da região.

Diálogo: O Terceiro Simpósio de Intercâmbio do Hemisfério Ocidental focou-se em quatro tópicos: ajuda humanitária e resposta frente aos desastres naturais; operações para controle do narcotráfico; comando e controle do espaço aéreo; e suporte e manutenção de aeronaves. Qual é a importância desses temas no contexto da comemoração dos 75 anos da IAAFA?

Coronel da Força Aérea dos Estados Unidos Isaac Davidson, comandante da IAAFA: Temos um desafio muito grande na região, como, por exemplo, a ajuda humanitária, a resposta frente a desastres naturais e a manutenção e suporte das aeronaves. Esses são desafios comuns nas Américas. É importante saber como responder frente a um desastre natural como país e como força aérea, mas também como cooperar, não só entre as forças militares, mas também com organizações civis e não governamentais, e como trabalhar com os países vizinhos. Este simpósio foi para conhecer as lições aprendidas dos países que sofreram desastres naturais, como, por exemplo, o terremoto no Haiti em 2010, o do Equador em 2016 e o do México em 2017.

A IAAFA, hoje, desempenha um papel importante na gestão desses temas. A escola proporciona o local físico e a estrutura para aprender. É uma academia e isso é o que fazemos; os desafios mudam e a IAAFA responde a esses desafios e mudanças. A questão não é chegar no nível do desafio, mas sim, ultrapassar o nível do desafio.

Diálogo: Qual é o valor agregado que a IAAFA oferece às forças aéreas da América Latina e do Caribe ao completar 75 anos?

Cel Davidson: A IAAFA oferece por lei a educação e o treinamento a membros militares das Américas. Contudo, oferece também educação a outros países que sejam elegíveis para receber fundos do Departamento de Estado dos Estados Unidos. O valor agregado é que a IAAFA fomenta amizades duradouras que permitem a criação de oportunidades de cooperação entre uns e outros. O impacto que a IAAFA teve nestes 75 anos foi fundamental, em especial porque seus alunos construíram amizades duradouras e, como resultado dessas amizades, foi gerada uma cooperação em segurança em benefício de todos os países envolvidos – os Estados Unidos e as Américas em geral. Por exemplo, em inúmeras ocasiões, ocorreram emergências em diferentes países e os egressos e/ou alunos constataram que essa pessoa que eles precisavam contatar no outro país era um egresso e/ou aluno de sua época. Isto muda totalmente a dinâmica da ajuda que, no fim das contas, representa um benefício para os referidos países. Isso acontece frequentemente com os membros da IAAFA. Só estou repetindo as palavras de brigadeiros e chefes das forças aéreas, muitos deles egressos da IAAFA, que dizem que a academia lhe permitiu ter esses relacionamentos de amizade, juntamente com a educação e o treinamento adquirido, que produzem benefícios para poder cooperar entre si quando se faz necessário.

Diálogo: O que significa para o senhor estar à frente da comemoração dos 75 anos da IAAFA?

Cel Davidson: É um privilégio que verdadeiramente não mereço, mas uma oportunidade que Deus me deu. Com isso em mente, sou um servidor igual ao resto dos membros da IAAFA, já que somos uma grande equipe. Sou um servidor e o faço de coração; é uma oportunidade que não perderia por nada deste mundo. Não pedi para chegar à IAAFA, mas alguém decidiu na estrutura militar e, hoje, me alegro muitíssimo por estar aqui.

Diálogo: Qual é o projeto da IAAFA a médio e longo prazo?

Cel Davidson: A médio prazo, queremos nos conectar formalmente em um esforço de programação de orçamentos que a IAAFA necessita para dar suporte aos objetivos dos comandos Norte, Sul e Central. Queremos também treinar mais nossos instrutores para que tenham a oportunidade de fortalecer suas capacidades. A longo prazo, queremos transformar radicalmente a maneira como se ensina para convertê-la num processo de aprendizagem contínuo, muito mais dinâmico, mais interativo e bem-sucedido.

Diálogo: A que tipo de mudanças educativas o senhor se refere?

Cel Davidson: Imagine-se numa sala que tenha dois painéis eletrônicos e interativos, em que os alunos tenham um tablete e todos esses mecanismos consigam projetar imagens da Internet ou de qualquer mídia, colocar um vídeo, acrescentar anotações etc. Todo esse grupo de meios de informação atua em conjunto, ao mesmo tempo. Nossa educação no futuro será muito mais virtual, terá uma combinação de aulas virtuais, presenciais, à distância e será uma educação contínua. Tradicionalmente, a educação estava sendo feita através do ensino e da aprendizagem na sala de aula e a classe começava numa hora específica e terminava depois de uma hora ou duas. Este novo modelo de aprendizado será mais contínuo; aprende-se o que se quiser aprender, quando se quiser e onde se quiser, ou seja, significa que a educação do aluno não termina quando o curso acaba e ele se forma, mas sim, ao contrário, o aluno continua tendo acesso ao material da classe e a novos materiais acadêmicos.

Diálogo: A IAAFA conta com instrutores internacionais de nações parceiras. Como é feito esse intercâmbio?

Cel Davidson: As nações parceiras têm a oportunidade de oferecer instrutores para que façam parte da IAAFA. É um processo que começa por meio da Embaixada dos Estados Unidos com o Escritório de Cooperação de Segurança. Eventualmente, essa solicitação chega à IAAFA para que seja avaliada e tomada uma decisão. Temos recebido oficiais e suboficiais instrutores de vários países, que normalmente participam da academia por um período de dois anos. É muito valioso ter instrutores internacionais porque contribuem para a missão da instituição.

Diálogo: Quais são os benefícios da interação entre estudantes da Força Aérea dos Estados Unidos e das forças aéreas das nações parceiras?

Cel Davidson: Há muitos benefícios, porque essa interação que ocorre na IAAFA permite que se adquira conhecimento uns com os outros, que nós aprendamos com as nações parceiras e elas aprendam também conosco. Baseada em amizades duradouras, a IAAFA é uma ponte das Américas e para as Américas; a IAAFA representa uma ponte para os Estados Unidos. A IAAFA tem sido uma ponte nestes 75 anos, como também tem sido para a segurança internacional da região.

Diálogo: Qual é a sua mensagem para as forças aéreas da região?

Cel Davidson: A IAAFA está aqui para elas, para as nações parceiras da região. O nome da IAAFA já indica por si só que é uma escola que pertence às Américas: é a Academia Interamericana das Forças Aéreas. Dessa maneira, nós fazemos parte da IAAFA e cada uma das nações parceiras faz parte da IAAFA. Esta academia nos pertence para educar-nos, treinar-nos e para fomentar essas relações de amizade fundamentais e de longa duração.

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