Furacão Matthew: esforços de ajuda humanitária do SOUTHCOM no Haiti

Um dia depois de a tempestade passar, o Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM, por sua sigla em inglês) e a Guarda Costeira dos Estados Unidos (USCG, por sua sigla em inglês) foram chamados para ajudar o povo do Haiti e formaram a Força-Tarefa Conjunta – Matthew (JTF-M, por sua sigla em inglês).
Capitão de Fragata Ted Kim e Capitão de Corveta Jeremy Greenwood/Marinha dos EUA | 6 janeiro 2017

Uma reunião entre o comandante da JTF-M, o Contra Almirante Pringle, e o diretor-geral da Polícia Nacional Haitiana, DG Gedeon, no Centro de Comando.

Na manhã de 4 de outubro de 2016, o furacão Matthew atingiu o extremo sul do Haiti. Foi o primeiro furacão de categoria 4 a atingir o Haiti desde 1964, com ventos máximos sustentados de 233 quilômetros por hora e gerando de 3 a 6 metros de ondas em algumas áreas. Os funcionários da embaixada e do governo dos Estados Unidos se abrigaram no edifício em que se encontravam, enquanto as bandas externas do furacão Matthew atingiam Porto Príncipe e causavam estragos com uma forte chuva e ventos fortes. Um dia depois de a tempestade passar, o Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM, por sua sigla em inglês) e a Guarda Costeira dos Estados Unidos (USCG, por sua sigla em inglês) foram chamados para ajudar o povo do Haiti e formaram a Força-Tarefa Conjunta – Matthew (JTF-M, por sua sigla em inglês).

Relatórios iniciais indicaram que o furacão havia causado danos catastróficos, incluindo perdas ocasionadas por fortes ventos e graves enchentes nas áreas ao sul do Haiti. Ventos fortes derrubaram árvores e linhas de energia elétrica, ao mesmo tempo em que destruíam grandes áreas de campos agrícolas. Relatórios indicaram que as estradas ao longo da costa sul foram destruídas e se tornaram intransitáveis. Grandes cidades como Ile-de-Vache, Les Cayes e Jeremie sofreram graves enchentes e metade de todas as casas tinha sido destruída. Com o tempo, foi determinado que o furacão matou mais de 1.000 pessoas e deixou dezenas de milhares desabrigados. O número de mortes continuou a aumentar à medida que informações chegavam de áreas remotas previamente isoladas pelo furacão. Imediatamente, Ted Kim, Capitão de Fragata da Marinha dos EUA, oficial sênior de Defesa/adido de Defesa (SDO/DATT, por sua sigla em inglês), fez um acordo com a autoridade de aviação haitiana para aproveitar o aeroporto local com o propósito de executar operações de ajuda humanitária das Forças Armadas dos EUA. Os funcionários do Escritório de Cooperação de Segurança - Haiti (SCO-HA, por sua sigla em inglês) e do Escritório de Ligação da Guarda Costeira (CGLO, por sua sigla em inglês) foram enviados para inspecionar e ocupar o terminal doméstico e a pista. Às 13:00, a primeira aeronave militar dos EUA chegou de Porto Rico — um avião de patrulha de asa fixa HC-144 da Guarda Costeira dos EUA. Esta aeronave propiciou o primeiro sobrevoo da região devastada e transportou o presidente interino do Haiti, Jocelerme Privert, o embaixador dos Estados Unidos, bem como integrantes das equipes da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, por sua sigla em inglês) e de alívio de desastres das Nações Unidas. Mais tarde naquela noite, o comandante da Força-Tarefa Conjunta (JTF, por sua sigla em inglês) e sua equipe chegaram em uma aeronave C-130. Depois de descarregarem seus materiais e equipamentos do avião, os representantes do SCO ajudaram-nos a se instalarem no terminal do aeroporto e estabelecerem um Centro de Comando da JTF.

Em 6 de outubro, dois dias após a passagem do furacão, o restante dos recursos chegou em nove helicópteros, com 250 membros da JTF. Os recursos aéreos consistiam de dois CH-47 e três CH-53 para carga pesada, dois HH60 para evacuação médica e dois UH60, equipados para transporte de pessoal e com capacidade de carga média. Ao mesmo tempo, a Força Aérea Sul dos EUA começou a entregar os equipamentos, materiais e suprimentos necessários, bem como o pessoal de apoio para reforçar a JTF-M, enquanto duas aeronaves C-17 pousavam no aeroporto. Dentro de um período de 24 horas, a JTF-M expandiu o número de militares em Porto Príncipe para 426. Os representantes do SCO e do CGLO lideraram um grupo de logística, proteção da força e pessoal contratado da JTF para encontrar alojamento e suprimentos adicionais pela cidade. Durante a missão, o SCO-HA auxiliou a JTF-M na aquisição local de suprimentos essenciais: equipamentos de limpeza, produtos de higiene pessoal, máquinas de gelo, água potável etc.

Com estradas ainda intransponíveis, 72 horas após a passagem do furacão, a JTF-M transportou 48 oficiais especializados da Polícia Nacional Haitiana (PNH) para reforçar o policiamento e evacuar oficiais feridos da PNH das áreas de desastre. A JTF-M entregou alimentos e água tão necessários aos oficiais de polícia presos atrás das estradas interditadas. Durante a entrega de mercadorias, pessoas desesperadas tendem a correr para as áreas de pouso dos helicópteros, colocando-se em grande perigo. Mediante solicitação do Comandante da JTF, oficiais da PNH foram designados para fornecer segurança para as áreas de pouso dos helicópteros, a fim de evitar ferimentos causados pela turbulência da hélice. Pelo menos um oficial da PNH voou em cada viagem de ajuda humanitária para proporcionar segurança e coordenar com oficiais da PNH no terreno, o que resultou na ausência de relatos de ferimentos ou mortes depois de mais de 90 operações de voo de ajuda humanitária.

A tripulação do CGC THETIS ajuda marinheiros holandeses na entrega de materiais de ajuda humanitária, em Les Cayes, Haiti.

Inúmeros outros recursos navais também prestaram apoio à JTF-M, tanto da Marinha dos EUA quanto da Guarda Costeira dos EUA. Em 7 de outubro, o USS Mesa Verde (LPD-19), um navio de transporte anfíbio da Marinha dos EUA, recebeu ordens do SOUTHCOM para zarpar em auxílio à catástrofe. O navio chegou ao Haiti em 9 de outubro e, imediatamente, apoiou os esforços de ajuda humanitária com três helicópteros CH-53 adicionais. Em 8 de outubro, o USS Iwo Jima (LHD-7), outro navio de assalto anfíbio da Marinha dos EUA, partiu da Estação Naval de Norfolk para auxiliar o USS Mesa Verde em apoio aos esforços de ajuda humanitária do SOUTHCOM no Haiti. O USS Iwo Jima chegou em 13 de outubro com 11 helicópteros, incluindo um V-22 Osprey, e mais de 1.100 membros da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais a bordo. As capacidades de transporte aéreo e de transporte rápido destes navios os tornou excepcionalmente adequados para apoiar a entrega de materiais de ajuda humanitária de emergência e para o transporte de pessoal encarregado do auxílio após a passagem do furacão Matthew.

O navio USCGC Hamilton (WMSL-752) desempenhou um papel fundamental ao permitir que o presidente interino do Haiti e o embaixador dos EUA chegassem à cidade de Jeremie, severamente devastada. Com suas capacidades únicas como cúter de segurança nacional, ele propiciou um transporte marítimo seguro e crucial para uma cidade que se encontrava isolada de outras instituições governamentais.

Durante a missão de duas semanas, o SCO-HA e o CGLO tornaram-se conexões cruciais entre a embaixada dos EUA, as agências da ONU, o governo do Haiti e a JTF-M. O SDO/DATT coordenou reuniões diárias com o embaixador, o comandante da JTF e o líder da equipe da USAID. O comandante da JTF e sua equipe receberam crachás de acesso da embaixada e foram autorizados a ter pleno acesso ao local para trabalharem com a equipe da USAID. O SCO-HA coordenou com a JTF-M a organização da visita ao Haiti do Almirante de Esquadra Kurt W. Tidd, comandante do SOUTHCOM, por duas vezes em uma semana, garantindo a participação do embaixador dos EUA e do diretor visitante da USAID, de Washington D.C., nas reuniões decisivas com o Alte Esq Tidd.

Em 19 de outubro, a JTF-M concluiu oficialmente sua missão de duas semanas para apoiar os estágios iniciais da missão de alívio a desastres causado pelo furacão Matthew no Haiti. A JTF-M trouxe capacidades únicas que só os militares dos EUA poderiam oferecer e prestou um apoio essencial à resposta da USAID. Durante a missão, a JFT-M completou 98 voos humanitários para áreas de difícil acesso, entregou 275 toneladas de alimentos e suprimentos de ajuda humanitária e transportou 170 integrantes de equipes de resposta a emergências. Este é um ótimo exemplo de missões de resposta rápida do SOUTHCOM, no qual se apoiam os esforços governamentais dos EUA para diminuir o sofrimento humano imediatamente após desastres naturais e estabelecer um alicerce para recuperações a longo-prazo.

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