Honduras começa 2017 com destruição de três pistas clandestinas

Desde a sua criação, a FUSINA destruiu 143 áreas clandestinas de aterrissagem.
Kay Valle/Diálogo | 21 fevereiro 2017

Ameaças Transnacionais

Em 2017, autoridades da FUSINA destruíram três ACAs utilizadas para o transporte de drogas. De 2014 a 2016, mais 140 áreas foram destruídas. (Foto: FUSINA)

A luta que Honduras mantém contra o crime organizado tem o firme objetivo de reduzir o transporte de drogas. O começo de um novo ano dá continuidade a esse objetivo. Somente em janeiro, a Força de Segurança Interinstitucional (FUSINA, por sua sigla em espanhol) destruiu três pistas para aeronaves utilizadas por organizações criminosas.

As Áreas Clandestinas de Aterrissagem (ACAs) são espaços em áreas remotas e de pouca infraestrutura preparados pelo crime organizado para ingressar drogas por via aérea, informou o Tenente-Coronel Santos Nolasco, porta-voz da FUSINA. “Nos primeiros dias de operações em 2017, a Força destruiu três ACAs: uma localizada na aldeia de Tapón de Oro; outra no município de Baracoa; e a terceira no município de Brus Laguna, todas na região atlântica do país”, acrescentou.

Edgardo Mejía, analista de segurança e professor da Universidade Nacional da Polícia de Honduras, considerou que a destruição desse tipo de pistas representa a vontade da FUSINA para enfrentar os colaboradores do crime organizado.

“A destruição dessas áreas é uma clara demonstração da preparação operacional dos executores da justiça em Honduras e mostra a vontade do governo de enfrentar as ações do crime organizado e o narcotráfico internacional”, disse Mejía. “Os resultados podem ser medidos pelas apreensões de drogas, bens desapropriados, pessoas processadas por atividades ilícitas e outras ações de impacto contra essas atividades”.

Durante os três anos de funcionamento da FUSINA, as autoridades destruíram 54 ACAs em 2014, 60 em 2015, 26 em 2016 e três agora em 2017. Além disso, os militares apreenderam mais de 15.000 quilos de cocaína, quase 132.000 libras de maconha e mais de US$ 15 milhões em dinheiro.

Tecnologia e estratégias

Para a FUSINA, segundo o Ten Cel Nolasco, destruir as ACAs significa diminuir a possibilidade de entrada de drogas por via aérea no território hondurenho.

“A maior parte das pistas é construída em locais planos e isolados dos centros populacionais. As pistas variam em tamanho e têm de 15 metros de largura e 1.000 metros de comprimento, até 20 metros de largura e dois quilômetros de comprimento. Para destruir uma área de aterrissagem, realizamos até seis detonações, que produzem crateras de cerca de cinco metros de profundidade”, explicou o Ten Cel Nolasco.

Pelas características geográficas dessas ACAs, os grupos criminosos que transportam a droga utilizam de preferência aviões de um só lugar. Este tipo de avião pode ser adquirido com facilidade, é feito de materiais muito leves e econômicos e tem uma capacidade de carga de até 250 quilos.

A maioria das pistas clandestinas são detectadas na região da Mosquitia hondurenha, um lugar vulnerável por sua topografia e isolamento dos centros populacionais. (Foto: FUSINA)

O Ten Cel Nolasco esclareceu que quando os agentes destroem uma pista, suas equipes de vigilância supervisionam a área de forma permanente para que os criminosos não voltem a construí-la. “Quando são áreas afastadas, a vigilância é feita tecnologicamente”, disse.

Para o analista Mejía, o combate do governo é contra uma plataforma criminosa que conta com muitos recursos econômicos e logísticos, com um foco claro para saturar o país com drogas.

“Ao enfrentar esse problema, com essa disparidade de recursos, o Estado reflete uma grande vontade política e institucional em apresentar resultados positivos no combate ao narcotráfico.”

Ações preventivas

O Ten Cel Nolasco comentou à Diálogo que o transporte diminuiu de forma notável na Guatemala, em Honduras e em El Salvador, depois que Honduras estabeleceu escudos terrestres, aéreos e marítimos durante a Operação Morazán.

Além de localizar aviões pequenos, a Força também bloqueou outros transportes. “Encontramos drogas em minissubmarinos, ocultas em carregamentos de embarcações de grande porte, transportadas em pequenas quantidades por pessoas, bem como no interior de animais vivos, como gado bovino, em automóveis e, o mais incomum, em potes de mel que tinham um fundo falso cheio de cocaína. Este confisco aconteceu na fronteira com a Guatemala”, disse o Ten Cel Nolasco.

Na opinião de Mejía, as autoridades aplicarão medidas extraordinárias para reforçar a prevenção. “Como primeiro passo, devemos implementar uma estratégia em nível judicial que permitirá ao Estado desapropriar essas áreas utilizadas como pistas clandestinas. O segundo passo será a construção de quartéis militares e policiais nesses terrenos recuperados. Como terceiro passo, está a realização de operações permanentes para criar uma área de exclusão em Gracias a Dios, Guanaja e Trujillo”, recomendou.

A destruição das ACAs é uma missão permanente, já que a criminalidade é uma ameaça constante para Honduras, conforme declarou o Ten Cel Nolasco. “O sucesso está no trabalho conjunto entre instituições e nações parceiras”.

A política de Estado da FUSINA permite otimizar os recursos e receber o apoio das nações parceiras. “O Comando Sul dos EUA é um dos nossos principais aliados no combate ao narcotráfico”, concluiu o Ten Cel Nolasco.

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