Exércitos de Honduras e Nicarágua unem esforços na Operação Morazán-Sandino

A missão fortalece as medidas de confiança entre os dois países, no marco da Conferência das Forças Armadas Centro-Americanas.
Iris Amador/Diálogo | 23 agosto 2017

Relações Internacionais

O General-de-Brigada Francisco Isaías Álvarez, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas de Honduras, e o General-de-Exército Julio César Avilés, comandante-em-chefe do Exército da Nicarágua, firmaram um protocolo de trabalho para assegurar a colaboração militar na proteção da fronteira entre ambos os países. (Foto: Secretaria de Defesa Nacional de Honduras)

As Forças Armadas de Honduras e o Exército da Nicarágua reiteraram seu compromisso de trabalhar de maneira conjunta para resguardar a fronteira que os une. Reunidos em Manágua, no final de julho, o General-de-Brigada Francisco Isaías Álvarez, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas de Honduras, e o General-de-Exército Julio César Avilés, comandante-em-chefe do Exército da Nicarágua, firmaram um Protocolo de Trabalho para aprovar o desenvolvimento de uma nova fase da Operação Coordenada Morazán-Sandino, que ambos os organismos castrenses executam há três anos.

A Operação Morazán-Sandino iniciou em 2014, com a finalidade de criar um ambiente de segurança nas regiões fronteiriças entre Honduras e Nicarágua. As nações centro-americanas compartilham uma fronteira de 966 quilômetros, desde o Oceano Pacífico até a foz do rio Coco ou Segovia, no Oceano Atlântico.

“Para realizar essas operações, são estabelecidas forças-tarefa conjuntas, porém de caráter temporal”, explicou à Diálogo o Coronel de Infantaria Jorge Cerrato, porta-voz das Forças Armadas de Honduras. “A operação é ativada periodicamente, por períodos em geral não superiores a 15 dias, quando se deseja fazer algo de maior impacto na área.”

A sexta fase

Depois da execução da primeira fase em 2014, realizaram-se duas operações em 2015 e mais duas –as fases quatro e cinco– em 2016. A sexta e mais recente fase da operação foi realizada em 2017, do final de junho ao início de julho.

“Na fronteira com a Nicarágua ocorrem menos problemas que nas outras fronteiras, porém nossa obrigação é estarmos atentos para salvaguardar a estabilidade da área”, disse o Cel Cerrato. Como resultado da última operação, as autoridades prenderam uma dezena de pessoas por vários delitos e detiveram um pequeno número de migrantes irregulares. Apreenderam dinheiro em espécie, armas, munições e plantas de maconha, além de maconha processada. As autoridades de ambos os países relataram também a apreensão de madeira e mais de 80 cabeças de gado. Além disso, foram desativadas três passagens ilegais e foi destruída uma pista de pouso clandestina.

Fronteira agreste

Cada vez que é ativada, a Operação Morazán-Sandino inclui patrulhamentos terrestres, aéreos e marítimos. (Foto: Secretaria de Defesa Nacional de Honduras)

Ambas as nações se propuseram a realizar pelo menos uma operação desse tipo por ano; contudo, está previsto que será realizada mais uma operação antes do fim de 2017, o que não implica que a fronteira fique desprotegida até a missão seguinte. “Há patrulhamento permanente para combater a delinquência comum e organizada nesses setores”, disse à Diálogo o Tenente-Coronel da Justiça Militar de Honduras Santos Nolasco, porta-voz da Força de Segurança Interinstitucional Nacional (FUSINA, por sua sigla em espanhol).“A FUSINA tem dispositivos de segurança em toda a fronteira. Nos últimos anos, o país tomou medidas para assegurar seus escudos terrestres, aéreos e marítimos, e a vigilância é constante.”

De acordo com o Ten Cel Nolasco, na fronteira com a Nicarágua a maior ameaça não é o narcotráfico, uma vez que os traficantes buscam movimentar a droga, em sua maioria, pelo mar. “Em nossa fronteira com a Nicarágua, o que mais nos ocupa é o contrabando de recursos naturais e a movimentação de migrantes irregulares, que, é preciso destacar, diminuiu em mais de 50 por cento em relação ao ano anterior.”

A fronteira que Honduras e Nicarágua compartilham é, em sua maior parte, agreste, rica em diversidade de fauna e flora, motivo pelo qual ocorre muito contrabando de aves e espécies ameaçadas de extinção. “Com frequência, apreendemos aves exóticas, como guarás e papagaios”, disse o Ten Cel Nolasco. “Entregamos os animais ao Instituto Hondurenho de Conservação Florestal, cujo pessoal se encarrega de cuidar dos espécimes e lhes proporcionar cuidados veterinários antes de libertá-los novamente em seu habitat natural.”

Cooperação constante

De acordo com as Forças Armadas hondurenhas, há operações permanentes para combater delinquência comum e organizada nesses setores e afirmam que as vias de comunicação com os militares nicaraguenses permanecem abertas. “Sempre há intercâmbio de informações e experiências para sermos mais eficazes”, assinalou o Ten Cel Nolasco. “Os esforços reunidos vêm dando bons resultados para controlar quadrilhas criminosas que buscam operar nesse setor e para controlar tentativas de contrabando e fraudes fiscais. O sucesso nessa região se deve ao alto nível de cooperação e coordenação entre as nações”, acrescentou.

Honduras mantém forças-tarefa conjuntas em suas fronteiras com El Salvador e Guatemala. O Cel Cerrato não descartou que no futuro se possa estabelecer com a Nicarágua uma força semelhante às já existentes Lenca-Sumpul ou Maya-Chorti.

“É possível que nos consolidemos; tudo vai depender da necessidade”, disse o Cel Cerrato. “A ativação da Operação Morazán-Sandino serviu para fortalecer as medidas de confiança entre os dois países e os cenários estão sempre sendo avaliados.” Em seus respectivos comunicados, as instituições armadas dos dois países concordaram no fato de que “as operações coordenadas continuarão sendo planejadas e realizadas para proporcionar maiores níveis de segurança em setores fronteiriços, em benefício da população de ambas as nações.”

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