Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Força Aérea Hondurenha contribui para segurança regional

A Força Aérea Hondurenha destaca o trabalho conjunto e combinado e a cooperação internacional para deter o narcotráfico.
Geraldine Cook/Diálogo | 23 setembro 2018

Para o Brigadeiro José Luis Sauceda Sierra, comandante geral da Força Aérea Hondurenha, os laços de amizade, cooperação e confiança entre os chefes das forças homólogas permitem a integração entre as forças. (Foto: Geraldine Cook, Diálogo)

O Brigadeiro José Luis Sauceda Sierra, comandante geral da Força Aérea Hondurenha (FAH), é fiel à sua missão de salvaguardar o espaço aéreo hondurenho. O controle do espaço aéreo, as tarefas de ajuda humanitária e o trabalho conjunto e combinado com as forças militares do seu país são algumas das estratégias aplicadas para proteger os céus hondurenhos e eliminar as ações das organizações criminosas transnacionais.

O Brig Sauceda participou da LVIII Conferência de Chefes das Forças Aéreas Americanas (CONJEFAMER, em espanhol), realizada na Cidade do Panamá, Panamá, entre 19 e 21 de junho de 2018. O alto comando militar conversou com Diálogo sobre a importância da integração regional e os avanços na luta contra o narcotráfico, entre outros temas.

Diálogo: Qual é a importância da participação da FAH na CONJEFAMER?

Brigadeiro José Luis Sauceda Sierra, comandante geral da Força Aérea Hondurenha: Essa conferência do Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas (SICOFAA) facilita nossa comunicação e nossa união no caso de qualquer eventualidade que um dos países membros possa sofrer. É importante porque consolidamos os laços de amizade, de cooperação e de confiança entre os chefes das forças aéreas, facilitando o trabalho entre cada uma de nossas forças. Esse trabalho pode ser com relação ao treinamento tático em nossas unidades, ao transporte de pessoas, e até mesmo à preparação em si dos diferentes âmbitos que possam ser necessários para os diversos cenários, tanto reais como virtuais, em casos de desastres naturais. 

Diálogo: Por que é importante que seu país faça parte do SICOFAA? Quais são os benefícios dessa participação?

Brig Sauceda: Os benefícios do SICOFAA são claros. Desde 1961 até esta data esse benefício vem se refletindo em toda a região, não apenas devido à própria participação, mas porque o treinamento que fazemos é fundamental. Há países que podem se capacitar tanto em nível de pessoal de tropa, de auxiliar, de oficiais e de suboficiais – e isso é feito gratuitamente –, como também podemos servir como fonte de apoio no caso de outro país precisar trasladar-se ou passar por nosso território, na eventualidade de que uma base logística seja necessária. Podemos atuar em toda a região com o treinamento, com nossas unidades de resgate, com nosso pessoal capacitado em operações aéreas, em busca e salvamento e em procedimentos de voo por instrumentos. Estivemos em diferentes países da América como instrutores e como convidados para exercícios e cursos. Somam-se a tudo isso a integração, os laços de amizade e a confiança que temos.

O SICOFAA é um sistema de cooperação apolítico – e isso é o principal – e buscamos sempre o bem-estar de nossas nações, colocando-nos acima de quaisquer interesses pessoais ou institucionais. Como sistema de cooperação, nosso objetivo é estarmos unidos e aliados. Estivemos no Chile, em El Salvador, na Guatemala, na Nicarágua, na República Dominicana, em diferentes países e eventualidades, dando esse apoio.

Diálogo: Qual é a importância do trabalho em conjunto com as forças aéreas?

Brig Sauceda: O SICOFAA nos uniu na América Latina. A aviação é o meio mais rápido para se transportar e levar apoio aos diversos países, no caso de qualquer necessidade. Não estamos falando de conflitos, mas do que vem ocorrendo no meio-ambiente: terremotos, erupções vulcânicas, furacões, buscas e resgates ou eventualidades que possam ocorrer no futuro; e, nestas situações, os meios aéreos são aqueles que podem ser mobilizados imediatamente.​​​​​​​ 

Diálogo: Quais são as ações conjuntas e combinadas que a FAH realiza com suas forças irmãs para neutralizar o narcotráfico e reduzir as operações do crime organizado?

Brig Sauceda: Nós temos, nas Forças Armadas de Honduras, o escudo aéreo, terrestre e naval, e trabalhamos em conjunto para a proteção dos espaços aéreos, na parte marítima e na parte terrestre. Estamos fazendo um trabalho combinado e conjunto com a Força Naval e com o Exército e realizamos interceptações marítimas com as plataformas do sistema de comunicação de resposta de voz interativa IVR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento).

Nós sobrevoamos e interceptamos as embarcações e apoiamos a força do Exército com o transporte de suas forças especiais às áreas onde devem se inserir. Estamos identificando todas essas aeronaves ilegais e as rotas que querem utilizar para ingressar no território hondurenho; nós as rastreamos segundo as normas e procedimentos legalmente estabelecidos.

Diálogo: Quais os avanços já realizados nessa luta?

Brig Sauceda: Reduzimos a quantidade de aeronaves que ingressavam em nosso território com a destruição das áreas clandestinas de pouso. Trabalhamos com a consolidação de novas estratégias, porque os criminosos também buscam novas manobras para continuar praticando atos ilícitos. Damos apoio e recebemos apoio de outras unidades, e isso não ocorre apenas com a FAH, mas sim em todo o país, Honduras.

Diálogo: Como a FAH trabalha com seus pares do Triângulo Norte para combater as ameaças à segurança?

Brig Sauceda: Nós nos comunicamos através do presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, do secretário de Defesa de Honduras General-de-Exército (r) Fredy Díaz e do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas de Honduras, o General-de-Brigada Rene Orlando Ponce Fonseca e, por conseguinte, as forças aéreas se comunicam diretamente. Realizamos exercícios e, quando sabemos de uma aeronave, uma lancha ou alguma coisa ilícita ocorrendo nas fronteiras, nós nos comunicamos para que possamos atuar com as forças-tarefas e combater os atos ilegais.

Diálogo: Quais são os projetos de modernização que a FAH vem realizando?

Brig Sauceda: Temos o projeto de modernização dos helicópteros UH-1H com seus monitores (cabines de cristal) e seus GPS Garmin 650, além do novo projeto dos helicópteros Bell 412, e vamos pouco a pouco analisando a aquisição de transporte aéreo mais pesado.

Diálogo: Qual é a sua mensagem para as forças aéreas da região?

Brig Sauceda: Que continuemos fortalecendo os laços de amizade e companheirismo no SICOFAA. Gostaria de agradecer às nações parceiras, porque da mesma forma como contamos com o apoio quando necessitamos, nosso país está com as portas abertas para servir-lhes.

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