Forças aéreas do hemisfério fortalecem alianças contra desastres e emergências

Lorena Baires/Diálogo | 16 julho 2019

Relações Internacionais

A Força Aérea Salvadorenha pratica os procedimentos para levar ajuda humanitária durante emergências e auxiliar seus cidadãos e as nações parceiras que solicitarem ajuda. (Foto: Gloria Cañas, Diálogo)

Os comandantes das forças aéreas de 21 países realizaram a LIX Conferência dos Chefes das Forças Aéreas Americanas (CONJEFAMER), entre os dias 17 e 21 de junho de 2019, em São Salvador, El Salvador. O encontro anual fortalece e integra as capacidades do Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas (SICOFAA), para responder a emergências e desastres locais ou regionais. Além disso, estabelece canais de coordenação e cooperação para o intercâmbio de experiências, conhecimentos e treinamento.

“Somos mais fortes juntos e uma de nossas maiores vantagens assimétricas é a capacidade de identificar os interesses comuns que se unem, não apenas no âmbito militar, mas também no econômico e social”, disse na inauguração o Tenente Brigadeiro do Ar David L. Goldfein, chefe do Estado-Maior da Força Aérea dos Estados Unidos. “O ponto principal são as alianças nesse hemisfério. Da perspectiva do desenvolvimento de capacidades e da cooperação entre os parceiros, o nosso compromisso é extenso e demonstra nossa promessa duradoura de amizade, aliança e solidariedade na América.”

El Salvador organizou essa conferência pela primeira vez, onde são projetadas e coordenadas simulações de catástrofes e grandes emergências. “Esses exercícios são feitos com aeronaves de combate ou de transporte. Realizamos treinamentos educacionais, militares e intercâmbios”, disse à Diálogo o Brigadeiro Andrew Croft, comandante da 12ª Força Aérea das Forças Aéreas Sul, componente do Comando Sul dos EUA. “Os colegas da América Central e da América do Sul virão aos Estados Unidos e vice-versa. Esses intercâmbios são de longo prazo e talvez sejam um dos nossos pontos fortes ao longo dos anos.”

Durante as conferências são definidos um exercício virtual e outro real. O SICOFAA utiliza ferramentas virtuais para organizar toda a informação durante os exercícios e padronizar os procedimentos e protocolos para cada situação.

A Argentina organizou em abril de 2019 o treinamento virtual denominado Cooperação VI. “O adestramento simulou um terremoto e um tsunami em duas regiões da Colômbia. Foi uma preparação para o exercício real”, explicou o Brigadeiro Enrique Amrein, chefe do Estado-Maior Geral da Força Aérea Argentina. “Utilizamos programas de informática para planejar missões de voos, designar carga e transporte dos elementos necessários em operações aéreas combinadas, durante devastações provocadas por eventos naturais ou causados pelo homem.”

Oficiais militares dos 21 países do continente participaram da LIX CONJEFAMER, entre os dias 17 e 21 de junho de 2019, em São Salvador, El Salvador. (Foto: Gloria Cañas, Diálogo)

Alguns dias depois de encerrarmos esse treinamento virtual, no final de abril, ocorreram inundações e deslizamentos de terra no Equador. “Ali pusemos em prática o que havíamos feito virtualmente”, acrescentou o Brig Amrein. “Toda a coordenação de esforços e a padronização de nossos procedimentos foi posta em prática com eventos reais. Essa é a grande vantagem desses exercícios, tanto reais como virtuais.”

“Todos os anos nós tentamos inovar para agilizar os traslados das vítimas e as permissões para evitar a burocracia”, acrescentou o Coronel Manuel Calderón, chefe do Estado-Maior Geral da Força Aérea Salvadorenha. “Sempre aperfeiçoamos nosso sistema de informação, porque é importante que tenhamos um fluxo de dados eficiente.”

Os países membros também oferecem e recebem treinamentos em áreas específicas, produto dos laços de amizade e cooperação desenvolvidos durante as conferências. Por exemplo, El Salvador ofereceu capacitação sobre a manutenção de helicópteros ao Panamá e sobre ajuda humanitária durante emergências ao México e ao Haiti.

O próximo exercício como parte da CONJEFAMER será o Cooperação VII, também conhecido como Anjo dos Andes, que será realizado na Colômbia em abril de 2020. “Faremos a parte prática do treinamento realizado na Argentina e convidaremos outros países como a Espanha, a França e a Holanda”, disse à Diálogo o Tenente Brigadeiro do Ar Ramsés Rueda, comandante da Força Aérea Colombiana. “Dessa forma conseguiremos padronizar, estabelecer canais de coordenação e cooperação, fazer sinergia com todas as nossas capacidades, para sermos mais fortes e eficientes na resposta a uma situação especial hipotética de desastre, em qualquer lugar do continente.”

Para os participantes, o mais importante é criar alternativas de solução para os desafios que representam os desastres, baseados nas expectativas, recursos e necessidades de seus países. “É importante o fortalecimento das capacidades das forças aéreas para levar apoio para obter resultados nas tarefas de auxílio à população civil, diante de qualquer circunstância”, garantiu o Capitão de Mar e Guerra René Merino, ministro da Defesa de El Salvador. “Os melhores resultados são frutos do nosso trabalho conjunto; promovemos o intercâmbio de conhecimentos e experiências, além dos treinamentos.”

A próxima edição da CONJEFAMER será em junho de 2020 em Honduras. “Nossos exercícios buscam garantir que não apenas tenhamos objetivos comuns e recíprocos, mas que também sejamos bem-sucedidos na região”, finalizou o Ten Brig Ar Goldfein. “Sabemos que existem outras narrativas e outra competência, procedentes sobretudo da China e da Rússia, e queremos nos certificar de que teremos uma narrativa sólida.”

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