Resposta dos militares guatemaltecos ao desastre do vulcão

Unidades das Forças Armadas da Guatemala destacaram tropas para oferecer assistência durante a emergência no país.
Jennyfer Hernández/Diálogo | 7 junho 2018

Resposta Rápida

Membros do Exército da Guatemala realizam operações de busca e resgate na comunidade de San Miguel Los Lotes, Escuintla, afetada pela erupção do vulcão de Fogo. (Foto: Johan Ordonez, AFP)

Centenas de militares guatemaltecos se somaram aos esforços de resposta aos danos causados pela erupção do vulcão de Fogo, no dia 3 de junho, nos estados de Sacatepéquez, Chimaltenango e Escuintla. Localizado a cerca de 50 quilômetros a sudeste da Cidade da Guatemala, o vulcão cobrou a vida de 75 pessoas, segundo os últimos dados publicados em 6 de junho. Os números podem aumentar à medida que as tarefas de busca e resgate avancem, advertiram as autoridades guatemaltecas.

Operações de busca e resgate continuam nas zonas afetadas pela erupção do vulcão de Fogo, no dia 3 de junho de 2018. (Foto: Johan Ordonez, AFP)

Mais de 600 membros das Forças Armadas da Guatemala se uniram às equipes de socorro para atender a emergência nos três estados onde foi emitido o alerta vermelho. Membros da ativa e da reserva foram mobilizados desde o início da erupção para concentrar seus esforços em dois pontos principais, detalhou o Coronel do Exército da Guatemala Juan Carlos de Paz Arredondo, porta-voz do Ministério da Defesa.

“A primeira ação foi realizada com a Unidade Humanitária de Resgate (UHR) que se encontra na zona do desastre, ajudando a resgatar sobreviventes e vítimas”, disse à Diálogo o Cel de Paz. “Isso é feito na comunidade San Miguel Los Lotes, no estado de Escuintla. Foram destacados também membros para o município de Alotenango, Sacatepéquez, para salvar mais pessoas.”

Além disso, a coleta e distribuição de mantimentos e bens de primeira necessidade fazem parte das tarefas principais dos militares destacados. Segundo um informe da Coordenadoria Nacional para a Redução de Desastres (CONRED) da Guatemala, foram evacuadas cerca de 12.000 pessoas das comunidades localizadas nas encostas do vulcão. Estima-se que quase 2 milhões de pessoas tenham sido afetadas.

“O outro ponto é apoiar com a distribuição da ajuda humanitária, como mantimentos”, explicou o Cel de Paz. “Também temos que controlar os albergues que foram instalados na zona afetada.”

Erupção violenta

A comunidade San Miguel Los Lotes e a aldeia vizinha El Rodeo, localizadas sobre as encostas do vulcão, sofreram os maiores danos. Foram arrasadas pela força da erupção e pelas avalanches de rochas e pelos gases ardentes que correm nas encostas do vulcão – os fluxos piroclásticos. As ondas de destruição deixaram uma paisagem que parece parada no tempo e coberta por um denso manto de cinzas.

A erupção do vulcão de Fogo, a maior desde 1979, começou na manhã de 3 de junho e continuou com uma segunda explosão à tarde, expelindo colunas de cinzas dispersadas por vários quilômetros ao redor, bem como jatos de lava e fluxos piroclásticos. O vulcão de Fogo teve sua última erupção em janeiro de 2018.

A comunidade de San Miguel Los Lotes, em Escuintla, na Guatemala, foi arrasada pela erupção do vulcão de Fogo. (Johan Ordonez, AFP)

Mais de 40 feridos foram removidos para os hospitais Roosevelt e San Juan de Dios, na capital, bem como para o Hospital Escuintla. Ainda se desconhece o número de desaparecidos.

Além dos esforços nos dois pontos de enfoque principal, os militares apoiam os socorristas em tarefas de busca e resgate nas comunidades de Los Tablones, Las Lajas e La Reina, assentadas na encosta sul do vulcão. Pelo lado norte, há comunidades sem comunicação devido à destruição das estradas pelos fluxos piroclásticos, declarou a CONRED. O Cel de Paz informou que tropas se dirigiram à aldeia Yepocapa, em Escuintla, para estabelecer contato.

“O trabalho é incansável por parte de todas as instituições”, disse Sergio Cabañas, secretário executivo da CONRED. “Estamos fazendo tudo o que for humanamente necessário para resgatar mais pessoas e, principalmente, fornecer ajuda aos que ficaram desalojados e sem família. O Exército desempenhou um papel-chave no resgate e na distribuição de alimentos. Cada uma das instituições deu sua pequena contribuição nesta tragédia nacional.”

Apoio militar fundamental

Unidades do Corpo de Engenheiros do Exército se uniram às tarefas de emergência, dedicando-se, entre outras tarefas, a limpar as pistas do Aeroporto Internacional La Aurora, na Cidade da Guatemala, que foram cobertas pelas cinzas. O aeroporto retomou as operações na manhã de 4 de junho, depois de 15 horas de trabalho de limpeza, que exigiu 10 máquinas varredoras.

As operações pelo ar se uniram às tarefas em terra, com o apoio da Força Aérea da Guatemala. “Sobrevoamos também a área para observar a magnitude do problema”, disse o Cel de Paz. “Na manhã da segunda-feira [4 de junho] foram resgatadas seis pessoas que estavam presas em um engenho. Elas foram levadas pelo nosso pessoal a um lugar seguro.”

Além dos militares, equipes de socorro e bombeiros, foram mobilizados a Polícia Nacional Civil, a Polícia de Trânsito e membros das várias organizações que compõem o sistema CONRED. Em meados de abril, a CONRED e o Exército da Guatemala simularam a erupção do vulcão de Fogo com o exercício Forças Aliadas Humanitárias (FAHUM) 2018, patrocinado pelo Comando Sul dos EUA.

“Estamos pondo em prática todos os protocolos de emergência que justamente há menos de um mês treinamos com o Exército Sul dos Estados Unidos, que nos deram apoio para melhorar nossa capacidade de resposta frente às emergências”, disse o Cel de Paz. “Nós, da CONRED e outras instituições, estivemos presentes para conseguir melhorar nossos protocolos. Creio que estamos fazendo isso bem graças a esses treinamentos prévios.”

A comunidade centro-americana e internacional expressou suas condolências e solidariedade ao povo guatemalteco. Além disso, os governos do México, de Honduras, da Costa Rica, de El Salvador, de Israel e dos EUA, entre outros, ofereceram ajuda humanitária e colocaram à disposição unidades de busca e resgate. “Não foi dito não a ninguém”, disse o presidente da Guatemala Jimmy Morales em uma conferência de imprensa.

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