Exército da Guatemala se concentra na proteção de fronteiras

Mais de 2.000 soldados foram mobilizados para garantir a segurança em territórios vulneráveis do país.
Antonio Ordoñez/Diálogo | 16 maio 2018

Ameaças Transnacionais

O destacamento do Exército guatemalteco para as fronteiras representa uma guinada estratégica para a instituição e a retirada das tarefas de patrulhamento das ruas, executada no início de abril. (Foto: Antonio Ordoñez, Diálogo)

Em fins de março de 2018, o Exército da Guatemala deu uma guinada estratégica e destacou unidades de reserva para as fronteiras. O objetivo é o de reforçar as tarefas de segurança nas áreas limítrofes do país e contribuir para a salvaguarda da infraestrutura crucial.

“Este governo assume os compromissos políticos e enfrenta os novos planos que existem em nível regional e internacional”, disse à Diálogo o Coronel do Exército Óscar Pérez Figueroa, diretor de imprensa do Ministério da Defesa da Guatemala. “O efetivo destacado tem uma função constitucional, responsável por proteger instalações essenciais que representam um valor estratégico para a nação, como, por exemplo, a hidrelétrica de Chixoy [a maior represa do país], as pontes que dão passagem internacional, os portos e os aeroportos.”

Nove batalhões de reserva do Exército foram mobilizados no dia 31 de março para as fronteiras guatemaltecas. Segundo indicou o Cel Pérez, 2.400 soldados foram destacados para diferentes brigadas em uma etapa inicial, para proteger os 1.667 quilômetros de fronteira com México, El Salvador, Honduras e Belize.

Ameaças variadas

A posição geográfica da Guatemala faz com que o país sirva para o trânsito ilegal de migrantes com destino ao norte. O centro de investigações Pew Research calcula que, em 2015, um de cada quatro imigrantes ilegais que entraram nos EUA passou pela América Central.

“Ocorre um fenômeno que é o agravamento da imigração de menores não acompanhados para os Estados Unidos”, detalhou o Cel Pérez. “Todas as pessoas que vêm do sul deslocando-se em busca do sonho americano passam pela Guatemala; é um funil que, por sua posição geográfica, afeta o país e a região.”

Além disso, a Guatemala sofre as ameaças do crime organizado internacional e serve de escala para o tráfico de drogas com destino aos EUA. Segundo seu Informe Internacional de Controle de Narcóticos 2018, o Departamento de Estado dos EUA estima que em 2017 mais de 1.400 toneladas de cocaína foram contrabandeadas por via marítima através da Guatemala.

De acordo com o Ministério da Defesa, até agora, em 2018, as forças navais do Exército da Guatemala e as operações conjuntas com nações parceiras conseguiram interceptar mais de 5.700 quilos de cocaína em território guatemalteco, avaliada em cerca de US$ 78 milhões no mercado internacional.

Nove batalhões de reserva do Exército da Guatemala foram mobilizados no dia 31 de março para reforçar as tarefas de segurança nas fronteiras. (Foto: Ministério da Defesa da Guatemala)

“O Ministério do Interior [da Guatemala] tem um excelente relacionamento com o Ministério da Defesa, com o qual estamos cooperando em ações e processos de interceptação de ilícitos em nível terrestre, naval e, nos últimos tempos, também aéreo”, disse Enrique Degenhart, ministro do Interior da Guatemala. “Temos o apoio da comunidade internacional que potencializa as capacidades da nossa instituição para poder realizar um melhor trabalho nesse sentido.”

Novo enfoque do Exército

Os soldados que participam da missão estratégica faziam parte dos batalhões de reserva dedicados a tarefas de patrulhamento junto à Polícia Nacional Civil (PNC) da Guatemala. Contudo, uma redução marcante na taxa nacional de homicídios – a Polícia registrou 26,1 mortes violentas por 100.000 habitantes em 2017, em comparação a 47 em 2006 – permitiu a mudança de enfoque das tropas.

“O Exército sempre esteve à disposição para ajudar nas tarefas de segurança que lhe foram solicitadas”, declarou o presidente da Guatemala Jimmy Morales em uma cerimônia que anunciou a mudança no início de abril. “Cabe a nós destacar os batalhões de reserva, já que enfrentamos grandes ameaças”, acrescentou o presidente.

Apoio contínuo

No total, quatro brigadas guatemaltecas receberam unidades, entre elas a Segunda Brigada de Infantaria, a cargo dos estados fronteiriços com Honduras e Belize, e a Terceira Brigada de Infantaria, responsável pelos estados que circundam El Salvador. Foram também destacados soldados para a Brigada Especial de Operações de Selva no estado de Petén, ao norte, limítrofe com México e Belize, e a Brigada de Operações para Montanha, com sede no estado de San Marcos, ao sul, próximo do México.

As tropas guatemaltecas de fronteira contam com forças-tarefas interinstitucionais formadas por membros militares e policiais da Guatemala e dos países vizinhos. Entre elas incluem-se a Força-Tarefa Maya Chortí, com El Salvador; a Força-Tarefa Xinca, com Honduras; e a Força-Tarefa Tecún Umán, com o México.

“Outro participante que está sendo reforçado é o Comando de Força Especial Naval [do Exército] devido à atividade representada pelo crime organizado”, concluiu o Cel Pérez. “Vai ser reforçada a segurança nos portos, aeroportos, nas áreas protegidas, na infraestrutura... [e] em breve abriremos uma nova força-tarefa no norte do país.”

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