Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Forças Armadas da Guatemala envolvem-se em segurança nacional

O chefe do Estado-Maior da Defesa Nacional da Guatemala afirma que a polícia adquiriu capacidade de inteligência e de investigação nunca vista anteriormente.
Marcos Ommati/Diálogo | 30 maio 2017

O General-de-Brigada Juan Manuel Pérez Ramírez, chefe do Estado-Maior da Defesa Nacional da Guatemala, participou da Conferência Centro-Americana de Segurança 2017, realizada em abril, em Cozumel, no México. (Foto: Marcos Ommati/Diálogo)

O General-de-Brigada Juan Manuel Pérez Ramírez, chefe do Estado-Maior da Defesa Nacional da Guatemala, impressionou os participantes da Conferência Centro-Americana de Segurança 2017 (CENTSEC, por sua sigla em inglês), realizada em abril, em Cozumel, no México. Ele afirmou que as Forças Armadas do país estarão totalmente transformadas em 20 anos. Para tratar sobre esse e outros temas, a Diálogo conversou com o Gen Brig Pérez Ramírez ao final da conferência.

Diálogo: Qual é o seu principal desafio como chefe do Estado-Maior da Defesa Nacional da Guatemala?

General-de-Brigada Juan Manuel Pérez Ramírez: Impulsionar a visão do Exército da Guatemala por meio do Sistema Integrado e Gestão de Planejamento da Defesa (SIPLAGDE). Estou muito feliz porque esta é a visão do Exército, como eu disse, e há uma nova estratégia a ser desenvolvida, por meio da qual vamos alinhar realmente os objetivos, os recursos e as estratégias para poder alcançá-los. Por fim, preciso dizer com muita alegria que os Estados Unidos nos apoiaram nisso por meio da DIRI [Defense Institutional Reform Initiative – Iniciativa de Reforma Institucional de Defesa]. Esta é a instituição encarregada de reforçar e apoiar os processos de fortalecimento das instituições de defesa. Isso já está em andamento há cinco anos. Estamos projetando para 20 anos e agora mesmo estamos terminando a fase de adaptação. Vamos para a fase seguinte, que é a da modernização e, posteriormente, para a da transformação, ou seja, dentro de 20 anos vamos transformar e modernizar nossas Forças Armadas. Este é meu principal desafio, o de impulsionar essa visão do SIPLAGDE e que a gestão atual o impulsione com minha equipe de assessores, com toda a energia, a vontade e o conhecimento.

Diálogo: O senhor pode dar um exemplo de mudança?

Gen Brig Pérez Ramírez: Vamos descentralizar o orçamento de defesa e, por meio do planejamento de capacidades e da programação do orçamento por resultados, vamos conseguir realizar estas três fases, como disse antes: a adaptação, a modernização e a transformação das Forças Armadas para outro nível.

Diálogo: O senhor concorda com o que disse o General Salvador Cienfuegos, do México, que os desafios, os problemas e as ameaças são comuns em toda a região?

Gen Brig Pérez Ramírez: Definitivamente, há esforços individuais de cada país, mas a integração dos esforços é fundamental. Por isso, hoje em dia temos, por meio do Triângulo Norte com Honduras e com El Salvador, a Força-Tarefa Trinacional. Neste momento, a Força-Tarefa Fortaleza está em andamento, posicionada na fronteira. Há algo histórico que conseguimos, por meio de conceitos como interoperabilidade e interagencialidade: unir e trabalhar juntos com migração, com a Direção de Inteligência Civil, com a Polícia Nacional Civil, com unidades antidrogas e com o próprio Exército. Em outras palavras, estamos posicionados, nos aproximamos, e isso é histórico para estar em forma permanentemente, durante as 24 horas do dia. Então, com isso vamos negar o espaço de ação às máfias, ao crime organizado. Compartilhamos isso com nossos irmãos de Honduras e de El Salvador, pois eles estão fazendo o mesmo. Então, dessa forma, sabemos que a lógica criminosa ou o fenômeno criminoso muda ou se comporta de forma diferente nesses três países que mencionei. Por isso mesmo, esse tipo de reunião é muito valiosa; ela nos ajuda a coordenar o que nosso vizinho está fazendo para poder gerar sinergia e combater a liberdade de ação das máfias.

Diálogo: Falando de vizinhos, o que o senhor acha de o México ser coanfitrião do CENTSEC pela primeira vez e, de certa forma, quebrar as barreiras entre o norte e o sul?

Gen Brig Pérez Ramírez: Sim, exatamente. Os projetos de força-tarefa são algo muito importante porque unem duas forças ao Exército: a polícia e o componente de inteligência, que também é muito importante. Isso foi fortalecido com os acordos feitos com o México. Então temos os meios, a inteligência e o pessoal para poder combater o crime organizado, cooperar, revisar e melhorar as estratégias, nesse caso com o México. Esse tipo de reunião é algo realmente muito importante porque, no meu caso, voltarei ao meu país e me encontrarei com pessoas de outros ministérios que não têm a oportunidade de vir aqui para gerar essa interoperabilidade e interagencialidade. Definitivamente, esse tipo de encontro é muito eficaz, além de ser histórico. Com nossos irmãos do México, temos estratégias na fronteira que compartilhamos no Rio Usumacinta. Ele é imenso e as patrulhas de contato, as táticas, as estratégias, as operações que realizamos, inclusive as aéreas, são muito eficazes.

Diálogo: O senhor mencionou Honduras, El Salvador e México, que são três países onde as forças armadas estão muito envolvidas no apoio à polícia. Como isso ocorre na Guatemala?

Gen Brig Pérez Ramírez: No caso da Guatemala, no ano passado trabalhamos com várias instituições do Estado: Relações Exteriores, Polícia Nacional Civil, Ministério do Interior e de Governo, para tratar precisamente sobre essa retirada, uma retirada progressiva do apoio do Exército às forças policiais. Por quê? Porque a polícia, como disse seu comando, está em outro nível. Eles conseguiram capacidade de inteligência e de investigação nunca vistas anteriormente e, para demonstrar isso, há operações em que eles capturaram e desarticularam quadrilhas e redes de extorsionários. Então, para nós, isso é realmente um grande incentivo, porque nos permite, afinal, ter gente disponível, tropas disponíveis, para poder funcionar realmente nas fronteiras e proteger realmente o campo, neste caso, com respeito à segurança nacional. Apesar de ser certo que existem linhas difusas ou cinzentas entre a segurança, no que diz respeito à segurança nacional, a segurança pública e a segurança cidadã, a Constituição nos permite trabalhar de forma conjunta hoje em dia. Há um mandato em nossa Constituição que diz que estamos envolvidos com a segurança interna, mas estamos dando outra leitura a isso para apoiar a Polícia Nacional Civil quando ela tiver sua capacidade modificada. Sobre a fronteira, com essa interoperabilidade e interagencialidade, podemos nos posicionar e realmente controlar a porosidade e, obviamente, a segurança nacional.

Diálogo: Quando as Forças Armadas deixarão de apoiar a Polícia Nacional Civil?

Gen Brig Pérez Ramírez: Já para esse ano, porque o ministro de governo já nos disse que, com esse Plano de Fortaleza que está funcionando agora, eles estão interessados em que o apoio à Polícia Nacional Civil termine antes do final do ano. Então ficamos com gente disponível para utilizá-las em cinco áreas de missão. As cinco áreas de missão que o Exército tem são: a primeira é a proteção de fronteiras; a segunda é o apoio à infraestrutura rodoviária com engenheiros; a terceira é o apoio à segurança interna por meio desse apoio à Polícia Nacional Civil em cuja fase estamos agora; a quarta é o apoio em caso de desastres e fenômenos antropogênicos; e a quinta é o apoio à política exterior. Então, é realmente algo único na Guatemala, porque essa lógica, essa dinâmica, não é semelhante à de El Salvador ou à de Honduras.

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