Militares da Guatemala e dos EUA unem esforços após erupção de vulcão

As Forças Armadas da Guatemala e dos Estados Unidos trabalham lado a lado na construção de casas para as vítimas do vulcão de Fogo.
Jennyfer Hérnandez/Diálogo | 14 agosto 2018

Resposta Rápida

Militares americanos destacados na SPMAGTF-SC trabalham com seus homólogos guatemaltecos para levantar casas depois da tragédia do vulcão de Fogo. (Foto: Exército da Guatemala)

Unidades das Forças Armadas dos EUA se uniram ao projeto de construção de casas liderado pelo Corpo de Engenheiros do Exército da Guatemala. As residências abrigarão centenas de pessoas atingidas pelo vulcão de Fogo.

O governo da Guatemala iniciou o projeto de construção no final de junho com o apoio da fundação TECHO, uma organização latino-americana sem fins lucrativos dedicada a construir casas de emergência. Fuzileiros Navais e membros da Marinha dos EUA destacados na Força-Tarefa Marinha Aeroterrestre para Fins Especiais, do Comando Sul dos EUA (SPMAGTF-SC, em inglês) se juntaram aos esforços no início de julho.

“Nossa missão é dupla: em primeiro lugar, damos apoio aos esforços dos guatemaltecos na construção de abrigos para as pessoas desalojadas após a erupção do vulcão de Fogo”, disse o Capitão-Tenente (FN) do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA David Andrews. “A segunda parte da missão é ajudar a reforçar a aliança com a nação anfitriã, compartilhar recursos e aprender uns com os outros.”

 Albergues de Transição Unifamiliares

Um total de 250 casas, conhecidas como Albergues de Transição Unifamiliares (ATU), foram construídos na fazenda La Industria, no estado de Escuintla, e 46 casas no município de Alotenango, estado de Sacatepéquez. Cada ATU, com 6 metros de largura e 12 m de comprimento, construído em madeira com teto de chapa plástica, tem espaço para abrigar quatro famílias. O governo da Guatemala pretende entregar os ATU às famílias atingidas tão logo estejam prontos.

“Se o fluxo do material continuar nesse ótimo ritmo como tem sido até agora e se não houver contratempos, acreditamos que as construções estejam prontas na primeira semana de agosto”, disse o Coronel Oscar Pérez Figueroa, chefe da Direção Geral de Imprensa do Ministério da Defesa da Guatemala. “Algumas áreas serão comuns, como os chuveiros, os banheiros e a cozinha.”

Esforço combinado

Centenas de componentes do Exército da Guatemala, entre eles unidades do Corpo de Engenheiros, da Segunda Brigada de Infantaria, da Brigada Militar Mariscal Zavala e da Brigada da Polícia Militar participam do processo de construção dos ATU. Com os materiais entregues pelo Ministério do Desenvolvimento Social da Guatemala e por organizações regionais de caridade, os militares se dedicaram a preparar o terreno, misturar o cimento, instalar as paredes, os encanamentos e demais elementos.

O Corpo de Engenheiros do Exército da Guatemala lidera o projeto de construção de mais de 200 albergues temporários para as pessoas atingidas pelo vulcão de Fogo. (Foto: Exército da Guatemala)

 “Nós fomos a primeira instituição a chegar, junto com as equipes de socorro, para prestar assistência aos vizinhos depois da erupção”, disse o Cel Pérez. “Depois colocamos todos os nossos componentes à disposição para realizar diversas tarefas. Em seguida começou a fase de reconstrução, onde um dos nossos principais trabalhos é a construção desses albergues.”

Membros da SPMAGTF-SC, formada majoritariamente por fuzileiros navais reservistas com uma grande variedade de especialidades, contribuem com seus conhecimentos em engenharia, carpintaria e sistemas elétricos, entre outros. O respaldo da SPMAGTF-SC, destacada em meados de junho para uma missão de seis meses nos países da América Central, continua com o apoio das Forças Armadas dos EUA a seus homólogos guatemaltecos após o desastre do vulcão.

Enquanto a construção dos albergues avançava, oficiais encarregados do projeto se concentravam nos últimos detalhes. “Faremos um projeto de iluminação pública e estamos decidindo se trabalharemos com painéis solares ou baterias”, explicou o Cel Pérez. “Como esses lares são temporários, os serviços básicos devem ser fáceis. O mesmo acontece com os esgotos, que no caso são fossas sépticas com serviço de extração.”

O trabalho tem sido árduo, interrompido de vez em quando pelas chuvas, porém satisfatório, disse Antonio de la Roca, diretor social da TECHO, que mobilizou 400 voluntários para a construção dos albergues. “Essas pessoas perderam tudo, então decidimos doar nosso grãozinho de areia para melhorar suas condições”, disse De la Roca. “Nosso compromisso é trazer uma solução de urgência. Acredito que vamos conseguir fazer isso em tempo recorde.”

Casas provisórias dignas

O vulcão de Fogo, localizado a uns 50 quilômetros a sudeste da Cidade da Guatemala, entrou em erupção no dia 3 de junho, tirando a vida de 156 pessoas e atingindo quase 2 milhões de outras. Segundo os últimos dados da Coordenadoria Nacional para a Redução de Desastres da Guatemala (CONRED), aproximadamente 12.800 pessoas das comunidades localizadas aos pés do vulcão foram evacuadas. O desastre que abalou a Guatemala foi a segunda erupção mais violenta na história do país.

“A última erupção do vulcão de Fogo ocorreu em 1974, e não havia essa quantidade de pessoas como há agora”, explicou o Cel Pérez. “Depois da explosão houve uma mudança demográfica; onde antes havia montanha agora há barrancos. Esse fato é único na história da Guatemala, portanto se decidiu construir esses albergues.”

A Unidade de Desenvolvimento de Casas Populares do Ministério de Comunicações, Infraestrutura e Casas da Guatemala está encarregada de designar as respectivas casas às famílias. No início de agosto, moradores da comunidade San Miguel Los Lotes, no estado de Escuintla, que sofreram os piores estragos, foram transladados a alguns dos ATU que serão seus lares por 12 meses, enquanto se planeja a construção das casas definitivas.

“Toda semana é realizada uma reunião com os integrantes da mesa multissetorial que acompanham a situação das famílias”, concluiu David De León, porta-voz da CONRED. “Esperamos que todos os serviços fiquem disponíveis 100 por cento, porque a ideia é que essas pessoas tenham um lugar digno para viver temporariamente.”

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