Tropas anfíbias da Guatemala fortalecem suas habilidades

Fuzileiros navais guatemaltecos multiplicam suas habilidades de combate para melhorar a segurança e combater o narcotráfico.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 3 agosto 2018

Fuzileiros navais da Guatemala treinam no Curso Avançado de Fuzileiros Navais da Marinha, para realizar operações contra o narcotráfico nas regiões ribeirinhas. (Foto: Ministério da Defesa da Guatemala)

A Marinha da Defesa Nacional da Guatemala, com o apoio do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, instruiu e treinou um componente naval no Curso Avançado de Fuzileiros Navais da Marinha, em Puerto Barrios, Izabal, em maio de 2018. A missão era melhorar as capacidades de resposta dos fuzileiros navais guatemaltecos para realizar operações em qualquer cenário. “Somos gratos ao governo dos Estados Unidos por ter contribuído com a capacitação e o treinamento de nossos fuzileiros”, disse à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra Erick Roberto Orellana, segundo comandante da Brigada de Fuzileiros Navais da Marinha da Guatemala. “Isso nos ajudou a fortalecer as destrezas e as habilidades para executar as missões anfíbias e fluviais que precisamos enfrentar nas regiões ribeirinhas.” 

Soldados de aço

O treinamento compreendeu fases táticas de alto rendimento em áreas como operações urbanas, combate na água, emprego de armas de apoio, técnicas de incursões e desembarque na água a um quilômetro da costa sem ser percebidos. “Os alunos devem suportar o peso do próprio corpo, além do peso de todo o seu equipamento e do seu armamento”, explicou o CMG Orellana. “É difícil porque eles fazem o dobro do esforço para chegar em terra sem afundar ou se afogar, e sem ser notados.” 

Graças ao apoio dos militares dos EUA, os guatemaltecos aprenderam a se organizar em um navio de guerra. Eles receberam treinamento específico de combate para responder às emboscadas ou ao fogo inimigo, bem como formação através de técnicas modernas de preparação física. Os militares dos EUA também compartilharam sugestões operacionais com os oficiais navais e com os oficiais de terra da Brigada de Fuzileiros Navais da Marinha da Guatemala. 

O Curso Avançado de Fuzileiros Navais da Marinha exige força tanto física quanto mental; nem todos os alunos conseguem completar o treinamento e se formar. “De 80 alunos aceitos, apenas 25 se graduam no curso”, disse o CMG Orellana. “Não queremos ser super-homens; procuramos formar militares que contribuam para a manutenção da defesa da soberania e atinjam o resultado máximo na luta contra as organizações criminosas nacionais e internacionais.” 

Tropas anfíbias da Guatemala fortalecem suas destrezas e habilidades em operações urbanas, de combate na água, de emprego de armas de apoio e em técnicas de incursões e desembarque, graças à instrução do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA. (Foto: Ministério da Defesa da Guatemala)

Cooperação integral

A Brigada de Fuzileiros Navais da Marinha da Guatemala contribui para o desenvolvimento de intervenções militares combinadas e conjuntas contra qualquer ameaça à população. Ela procura ser a brigada estratégica mais capacitada no país para realizar operações nas regiões costeiras, ribeirinhas, anfíbias e especiais, informou o Ministério da Defesa guatemalteco em um comunicado. 

A colaboração com as forças militares do hemisfério ocidental tornou-se uma ferramenta de apoio para as Forças Militares da Guatemala, que procuram melhorar sua defesa marítima, aérea e terrestre. Em 2017, cerca de 1400 toneladas de cocaína sul-americana passaram pelo país, a maioria destinada ao mercado norte-americano, informa o Departamento de Estado dos Estados Unidos em seu relatório anual sobre a Estratégia de Controle de Narcóticos 2018. 

“A cooperação integral com os governos dos Estados Unidos, da Colômbia, do México e do Chile nos permite estar treinados e melhorar nossa própria doutrina para aplicá-la em nossas regiões, com o intuito de alcançar o melhor impacto quando realizamos uma operação e dinamizar o cumprimento das tarefas”, disse à Diálogo o 1º Tenente Eduardo Antonio Carmona, chefe do Centro de Adestramento Naval de Fuzileiros Navais da Marinha da Guatemala. “Temos um treinamento mais técnico com os militares dos EUA, enquanto nos concentramos mais na capacidade própria do militar, quando trabalhamos com as forças militares latino-americanas.” 

“Algumas vezes o equipamento ou os recursos não são os adequados, mas o fuzileiro naval é instruído na doutrina de cumprir a tarefa designada com os recursos que estejam disponíveis”, garantiu o 1º Ten Carmona. “O fuzileiro naval sabe e confia que pode cumprir a missão de forma rápida e efetiva, sem se importar se tem um bom fuzil ou boas botas.” 

A Brigada de Fuzileiros Navais da Marinha da Guatemala recebe capacitação tática e física dos Estados Unidos desde 2013. “Desde então, ao todo 540 fuzileiros navais foram treinados através do curso avançado”, informou o 1º Ten Carmona. “Graças à cooperação, confiscamos uma grande quantidade de drogas nos últimos três anos”, acrescentou o CMG Orellana. As tropas anfíbias do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA ministrarão mais dois cursos até o final de 2018.

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