Guatemala realiza exercício de resposta perante desastres

O exercício FAHUM 2018 simulou a erupção de um vulcão na Guatemala e desenvolveu vários cenários de assistência humanitária.
Antonio Ordoñez/Diálogo | 30 maio 2018

Resposta Rápida

O exercício Forças Aliadas Humanitárias (FAHUM) 2018, realizado entre 16 e 27 de abril na Guatemala, simulou a erupção de um vulcão e a resposta conjunta e interagências perante desastres. (Foto: Embaixada dos EUA na Guatemala)

A cerca de 50 quilômetros a sudeste da Cidade da Guatemala, na região de Escuintla, o vulcão de Fuego está em erupção. As explosões expulsam nuvens de cinzas enquanto a lava e os gases descem pelas encostas do vulcão.

Dois helicópteros UH-60 Black Hawk da Força-Tarefa Conjunta-Bravo do Comando Sul do EUA participaram do FAHUM 2018, para oferecer apoio humanitário. (Foto: Embaixada dos EUA na Guatemala)

O alerta vermelho é emitido, no nível máximo, e os Centros de Operações de Emergência (COE) locais, regionais, nacionais e militares são ativados. Assim começou o exercício das Forças Aliadas Humanitárias (FAHUM) 2018, realizado entre 16 e 27 de abril na Guatemala.

“O objetivo era o de supor que o vulcão de Fuego ia entrar em erupção e afetar várias comunidades do estado de Escuintla”, disse à Diálogo o Coronel do Exército da Guatemala Juan Carlos de Paz, porta-voz do Ministério da Defesa da Guatemala. “Foi possível medir a capacidade de resposta, os protocolos ativados e também foi possível notar que temos uma boa capacidade de resposta.”

Exercício em grande escala

O exercício patrocinado pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) consistiu em cenários simulados sob a premissa da erupção do vulcão de Fuego. Mais de 25.000 pessoas participaram do FAHUM 2018, além dos habitantes das comunidades La Trinidad e La Reina, próximas ao vulcão.

Cerca de 25 membros do Exército Sul dos EUA e da Força-Tarefa Conjunta-Bravo (FTC-Bravo) do SOUTHCOM, localizada em Honduras, foram mobilizados para apoiar seus homólogos do Exército da Guatemala e os membros de várias instituições que fazem parte do sistema da Coordenadoria Nacional para a Redução de Desastres (CONRED) da Guatemala. O FAHUM 2018 também teve a participação dos Bombeiros Voluntários da Guatemala, da Cruz Vermelha, e de observadores internacionais do Canadá, do Peru, da Colômbia e da América Central, entre outros.

“A ajuda internacional foi solicitada, pois, de acordo com o exercício, o país entrou em colapso”, explicou à Diálogo Sergio Cabañas, secretário executivo da CONRED. “Também foi ativado o Centro de Coordenação de [Ajuda e] Assistência Humanitária [sob a CONRED], onde estão as equipes humanitárias.”

O exercício anual, iniciado na década de 2000, desenvolve cenários variados com o objetivo de reforçar a capacidade de resposta perante desastres naturais por parte das instituições nacionais, civis e militares dos países da América Central e do Caribe. Além disso, o exercício permite unificar e compartilhar as técnicas de resposta humanitária das várias agências da região, que devem trabalhar juntas em caso de catástrofe.

Mais de 25.000 pessoas, entre militares dos exércitos dos EUA e da Guatemala, e membros de várias instituições nacionais, participaram do exercício. (Foto: Embaixada dos EUA na Guatemala)

“O que queríamos ver era a capacidade de resposta das comunidades”, detalhou Cabañas. “Eles evacuaram, aplicaram seus procedimentos, chegaram à área de segurança [...]. Nós fizemos toda a busca, a localização e o resgate [e] testamos o sistema de comando de incidentes, onde o exercício era controlado totalmente pelos membros militares da CONRED.”

Cenários variados

Durante 15 dias, implementaram-se nove cenários de ajuda humanitária desenvolvidos no local, na região próxima ao vulcão e na Cidade da Guatemala. Depois de ativados os COE, foram evacuadas as comunidades La Trinidad e La Reina. Enquanto os cidadãos evacuavam, a Unidade Humanitária e de Resgate do Exército da Guatemala começou as operações de busca e resgate simuladas, embora 10 casos de pessoas perdidas tenham sido reais, destacou Cabañas.

O reforço aéreo militar foi feito com helicópteros UH-60 Black Hawk da FTC-Bravo, que apoiaram com a entrega de recursos às pessoas afetadas pela erupção do vulcão. Entre os civis, um avião Boeing 757 da empresa DHL, companhia global fornecedora de serviços de correio, chegou do Peru com víveres adicionais para os afetados.

“Ajudamos com o planejamento do exercício, proporcionamos apoio com helicópteros para a entrega de ajuda humanitária às comunidades isoladas”, disse à Diálogo María Pinel Espinoza, oficial de relações públicas da FTC-Bravo. “Estabelecemos uma rede de comando e controle para proporcionar informações de desastres às equipes do país, enquanto monitorávamos as operações de ajuda humanitária.”

Outra simulação consistiu no manuseio de materiais perigosos com a remoção de um caminhão com células radioativas que, segundo o roteiro do exercício, havia sido abandonado próximo à área do vulcão. O Grupo Nacional de Resposta a Incidentes com Materiais Perigosos da CONRED mobilizou-se para recuperar os produtos e para entregá-los de forma segura ao Ministério de Energia e Minas da Guatemala.

“As células foram trazidas pelo Comando Sul e nós, com os equipamentos de detecção, as encontramos com as medidas de prevenção e os trajes adequados”, disse Cabañas. “Era a primeira vez que a equipe de materiais perigosos participava, e foi um sucesso este tipo de situação.”

O exercício, segundo destacou o Cel de Paz, foi proveitoso e permitiu que as instituições participantes realizassem uma análise de seus pontos fortes, de oportunidades, pontos fracos e ameaças (FOFA). Além disso, reforçou-se a preparação das comunidades envolvidas e seus conhecimentos sobre os procedimentos de evacuação, que é um tema de extrema importância, pois o vulcão de Fuego, um dos mais ativos da região, entrou em erupção pela última vez no final de janeiro de 2018.

“O exercício foi considerado do tipo FOFA, levando-se em conta que a Guatemala é um país vulnerável aos desastres naturais”, concluiu o Cel de Paz. “Percebemos a capacidade de nos comunicarmos [e] tudo foi positivo.” O exercício FAHUM, desenvolvido na Guatemala por dois anos seguidos, será realizado na República Dominicana em 2019.

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