Guardiães da Pátria

O programa das Forças Armadas de Honduras promove valores na juventude.
Iris Amador/Diálogo | 10 abril 2017

Capacitação e Desenvolvimento

As crianças e os jovens se reúnem nas instalações de escolas para receber palestras e reforço acadêmico. (Foto: Guardiães da Pátria)

As Forças Armadas de Honduras inauguraram seu programa anual “Guardiães da Pátria” em 18 de fevereiro. Ele procura passar valores e princípios à população juvenil e evitar que ela se envolva com organizações criminosas, através de atividades extracurriculares. “Ensinamos o amor à pátria”, disse à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra Mauricio Alemán, diretor de Políticas, Planos e Programas Civis das Forças Armadas. “Nossa projeção para as crianças é bem ampla. Não ensinamos algo militar. Esse não é o objetivo.”

O programa está orientado a reforçar virtudes e infundir valores morais e princípios de liderança nas crianças das 18 regiões do país. Os participantes, que têm entre sete e 16 anos, são expostos a atividades educacionais, esportivas e culturais, além de receberem orientação ética e espiritual. Cerca de 136.000 crianças e jovens participaram do programa nos últimos cinco anos.

Atividades do programa

As crianças vão às escolas todos os sábados. Além de conversas e seminários, elas recebem atendimento médico e psicológico durante três meses. Membros das Forças Armadas buscam as crianças e seus acompanhantes em suas casas para levá-los às escolas. Ao terminar a jornada, eles são levados de volta aos seus lares. “Somos responsáveis pelo transporte, pelo lanche e pelo almoço de todos”, explicou o CMG Alemán. “Organizamos grupos médicos para atendê-los; tratamos seus dentes; eles recebem atendimento médico gratuito e, se for necessário, são hospitalizados quando ficam doentes”, acrescentou.

As crianças têm a oportunidade de brincar, de participar em campeonatos de futebol e de realizar passeios a museus, parques e zoológicos, para ajudar no desenvolvimento físico, mental e emocional. Nessas jornadas, as crianças também recebem apoio para melhorar seu rendimento escolar. “Queremos apresentá-los a espaços e experiências saudáveis, reforçar sua autoestima e sua capacidade de analisar e de tomar boas decisões no futuro, para que não sejam alvos de pessoas que queiram levá-los para a violência”, afirmou o CMG Alemán.

Filhos de criminosos

As crianças do programa recebem atendimento médico e serviços complementares, como corte de cabelo. (Foto: Guardiães da Pátria)

O programa tem o apoio de instituições governamentais como o Instituto Nacional de Formação Profissional, onde os jovens recebem formação técnica nas áreas de construção, eletricidade, carpintaria, computação, turismo, mecânica, manipulação de alimentos e confeitaria. Setores da sociedade civil também são envolvidos no programa. As universidades oferecem psicólogos e sociólogos, enquanto as associações de médicos enviam representantes para oferecer cuidados com a saúde.

“Já temos cerca de 200 crianças participando”, disse o CMG Alemán ao mencionar que eles têm a colaboração de empresas privadas que oferecem bolsas às crianças mais velhas. “Elas nos apoiam porque veem o programa de forma positiva, já que trabalhamos com crianças sob risco social”, detalhou.

“Recebemos uma carta de um criminoso. Nela, ele expressava seu agradecimento às Forças Armadas, porque estamos preparando seu filho de outra forma. Ele menciona que não quer que seu filho seja como ele, que não seja um sicário, que seja uma criança de bem”, relatou o CMG Alemán.

Transformando vidas

As Forças Armadas de Honduras trabalham com instituições do Estado criadas especificamente para cuidar do bem-estar da população menor de idade do país. “Também somos supervisionados pela DINAF [Direção da Infância, Adolescência e Família], para que a população civil tenha a certeza de que o programa busca apenas o bem-estar das crianças e dos jovens bem como a ajuda às famílias”, expressou o CMG Alemán. Anualmente, o programa atende e orienta aproximadamente 28.000 jovens.

Paola Ortíz, com 17 anos, é uma das adolescentes beneficiadas pelo programa. “Nessa oportunidade, eu não estava estudando; minha mãe não podia me matricular na escola”, disse à Diálogo. Ela viu no programa uma oportunidade de aprendizagem interessante. “Eu estava com o moral muito baixo, na verdade, mas as conversas que eles tinham conosco me motivaram bastante. Me disseram que, se eu caísse, eu deveria voltar a me levantar. Pois aqui estou, dando graças a Deus sempre”, acrescentou Ortíz, que sonha em ser jornalista.

Seu sonho poderá virar realidade. Ortíz recebeu uma bolsa dos Guardiães da Pátria e hoje cursa o primeiro ano de bacharelado em ciências e humanidades no Instituto Intur de Tegucigalpa. “Participar do programa me ajudou muito na vida”, concluiu.

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