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Erradicar as gangues de El Salvador é uma necessidade fundamental para a segurança nacional e regional.
Geraldine Cook/Diálogo | 1 fevereiro 2017

O Coronel Piloto Aviador Salvador Ernesto Hernández Vega, chefe do Estado-Maior Geral da Força Aérea de El Salvador, busca cooperar com seus homólogos da região para eliminar as gangues. (Foto: Geraldine Cook/Diálogo)

El Salvador intensificou suas ações contra as organizações criminosas do país, principalmente as gangues. Novas leis governamentais e participação das Forças Armadas formam parte das estratégias consolidadas para eliminar a estrutura criminosa dessas organizações delinquentes.

Mara Salvatrucha e Barrio 18 são as duas principais gangues salvadorenhas que participam do tráfico de drogas, armas, tráfico de mulheres, extorsão e sequestros, entre outros atos criminosos. A violência que geram custou US$ 4 milhões à nação, segundo o relatório do Banco Central de Reserva de El Salvador, publicado em abril de 2016.

O custo financeiro, além dos problemas de segurança nacional e regional que as gangues causam, preocupam o Coronel Salvador Ernesto Hernández Vega, chefe do Estado-Maior Geral da Força Aérea de El Salvador. Por isso, desde que o Cel Hernández assumiu o cargo em dezembro de 2015, além da defesa da soberania e da integridade do espaço aéreo nacional, prestou apoio às forças militares de seu país para ajudar na manutenção da paz interna. Combater as gangues em seu país e na América Central converteu-se em uma de suas prioridades fundamentais.

O Cel Hernández conversou com a Diálogo durante a Conferência de Chefes das Forças Aéreas da América Central, que foi realizada na base aérea Davis-Monthan em Tucson, Arizona, entre os dias 12 e 13 de dezembro de 2016.

Diálogo: Qual a importância da presença de El Salvador na Conferência de Chefes das Forças Aéreas da América Central?

Coronel Salvador Ernesto Hernández Vega: Para mim, é importante essa participação porque torna-se possível conhecer e interagir com os líderes das forças aéreas da região. Creio que isso é bastante importante. Se seguimos buscando a integração da região e a colaboração entre todos nós, então o melhor que temos a fazer é conhecer-nos, poder intercambiar ideias e experiências e, por que não, necessidades e problemas. Tudo isso enriquece a região e nos dá ferramentas para podermos interagir e enfrentar problemas e encontrar soluções em conjunto.

Diálogo: Qual é o objetivo de El Salvador com a sua participação nesta conferência?

Cel Hernández: Queremos colaborar para evitar que crimes transnacionais como o contrabando e o tráfico ilícito de drogas utilizem a região da América Central. Um dos objetivos é este: que deixem de utilizar nosso território marítimo, terrestre ou aéreo para esse tipo de ilícito. Além disso, é uma boa oportunidade para conseguir intercambiar ideias, propor soluções ou ouvir soluções que possam beneficiar a região e El Salvador em si.

Diálogo: Quais são os problemas de segurança mais importantes que El Salvador enfrenta?

Cel Hernández: O principal problema que El Salvador enfrenta atualmente são as gangues. Temos um alto índice de mortes diárias como consequência desse flagelo, seguido pelo tráfico de drogas, mas não creio que o tráfico afete tanto El Salvador como o consumo. Nosso principal problema são as gangues, que também afetam a economia, a estabilidade e a segurança do país.

Diálogo: Que acordos/programas de colaboração o seu país tem com os Estados Unidos e com outros países parceiros da região para enfrentar esse tipo de problema?

Cel Hernández: O fato de vir aqui e poder interagir com vários participantes da região demonstra a colaboração que temos com os outros países. El Salvador tem programas de colaboração com as Forças Aéreas do Sul e com o Comando Sul. Também tivemos a oportunidade de intercambiar ideias, recomendações e soluções com a Guarda Nacional de New Hampshire, que é nosso estado associado [no programa de sócios estatais da mesma]. Além disso, essa reunião envolve alguns dos membros do Sistema de Cooperação das Forças Armadas Americanas (SICOFAA), um excelente programa que tem como finalidade a integração, a confiança, a cooperação e a busca de uma solução para os problemas regionais. É um programa regional muito benéfico que também nos dá a oportunidade de interagir com os líderes de forças aéreas da região centro-americana. Nós, em El Salvador e na República Dominicana, temos a Conferência de Forças Armadas da América Central (CFAC, por sua sigla em espanhol), que é outro instrumento benéfico, outro programa para enfrentar todos os desafios atuais das forças armadas e, especificamente, das forças aéreas regionais.

Como países da região centro-americana, creio que, como muitas forças aéreas, temos muitas deficiências, muita escassez de recursos e estou seguro de que somente integrados como região podemos enfrentar e dar solução para esses problemas da região.

Diálogo: Com respeito ao SICOFAA, como país-membro, qual é a importância desse tipo de sistemas integrados de cooperação, em sua opinião?

Cel Hernández: O SICOFAA é bastante importante porque permite ter um conhecimento melhor entre forças aéreas, uma confiança maior entre forças aéreas e uma coordenação maior. O SICOFAA facilita a cooperação, assessoria ou resolução de problemas, através do tipo de relações estreitas que forjamos como membros.

Diálogo: Como cabeça da Força Aérea de El Salvador, qual é seu maior desafio?

Cel Hernández: O desafio fundamental, como qualquer outra força aérea da região ou do mundo, é o dos recursos. Manter e desenvolver as forças aéreas em qualquer parte, sem se importar com os meios aéreos que tenham, custa caro. Então, um dos desafios é manter uma força aérea versátil, competente, útil à região, e um pessoal que seja idôneo e apropriadamente treinado para enfrentar os desafios que todas as forças aéreas têm.

Diálogo: Coronel Hernández, gostaria de acrescentar algum comentário para os leitores da região?

Cel Hernández: Primeiro, gostaria de agradecer às Forças Aéreas do Sul por este convite e, segundo, convidar a todos os membros das forças aéreas que participaram [da Conferência de Chefes das Forças Aéreas da América Central] a nos integrarmos, porque a integração é a única ferramenta que vai nos proporcionar a resposta para as necessidades e os problemas que temos como região centro-americana.

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