Forças militares da Colômbia extinguem incêndios florestais

A Força Aérea Colombiana utilizou um sistema aéreo modular para apagar os incêndios.
Yolima Dussán/Diálogo | 15 março 2018

Resposta Rápida

As descargas do Bambi Bucket, transportado pelo helicóptero Black Hawk, foram peças-chave para controlar o incêndio na Sierra de la Macarena, que destruiu 5.000 hectares. (Foto: Comando Aéreo de Combate Nº 2, FAC)

O Comando Aéreo de Combate Nº 2 da Força Aérea Colombiana (FAC), junto com efetivos do Exército Nacional da Colômbia pertencentes ao Componente Aéreo e Fluvial da Força-Tarefa Conjunta Ômega e à Força de Mobilização Rápida, conseguiram combater os incêndios em diferentes zonas do Parque Nacional Natural (PNN) Sierra de la Macarena, no estado de Meta, Colômbia. A reserva florestal tem uma extensão de 130 quilômetros de comprimento por 30 km de largura. Em sua jurisdição fica o Caño Cristales, chamado também de Rio das cinco cores, que abriga um delicado ecossistema com fauna e flora endêmicas.

Embora ambos os incêndios tenham sido controlados em tempo recorde, a diretoria do PNN confirmou que as chamas consumiram mais de 5.000 hectares de floresta nativa. “Serão necessários 50 anos para conseguir a recuperação ambiental da zona que, entretanto, nunca voltará a ser igual”, disse à Diálogo o Coronel da FAC Juan Carlos Rueda, comandante do Componente Aéreo da Força-Tarefa Conjunta Ômega.

Mais de 200 homens participaram das operações que realizaram lançamentos de 95.000 litros de água com retardante de chamas. O primeiro incêndio permaneceu ativo de 30 de janeiro até 3 de fevereiro de 2018 na zona norte do município de La Macarena. O segundo incêndio, de maior proporção, começou em 21 de fevereiro na zona sul da área protegida pelo governo.

Sistema modular

“No controle do [segundo] incêndio a Força Aérea utilizou pela primeira vez o Sistema Aéreo Modular Contra Incêndios (MAFFS II, em inglês)”, assegurou o Cel Rueda. “Em três dias, detemos o incêndio; mais de 3.000 hectares foram consumidos pelas chamas, que avançaram com rapidez; era o momento de empregar a ferramenta adquirida em 2017 da empresa americana United Aeronautical Corporation, com a qual fizemos um programa de capacitação e treinamento há oito meses. Apagar o incêndio foi o primeiro exercício em tempo real.”

O sistema MAFFS II anti-incêndios tem uma capacidade para lançar até 13.000 litros de água com líquido retardante de chamas. O sistema foi projetado para ser instalado em aviões C-130 Hércules.

“Com o MAFFS II, conseguimos aplicar uma quantidade maior de água, com maior precisão e a uma distância menor. A aeronave foi abastecida na base de Apiay, no Comando Aéreo de Combate Nº 2, a poucos minutos da zona do desastre”, explicou à Diálogo o Tenente-Coronel da FAC John Jairo Báez, chefe do Centro Nacional de Recuperação do Pessoal. “Somos o único país da América Latina que conta com essa capacidade. A operação de nossos pilotos foi impecável, com grande conhecimento no controle de incêndios.”

Experiência, controle e decisões

A tripulação do C-130H recebeu treinamento do fabricante do sistema MAFFS II para manobrar a aeronave em condições hostis. (Foto: Comando Aéreo de Combate Nº 2, FAC)

Pilotar um avião com as características do C-130, considerado emblemático no transporte da aviação militar por seu tamanho, exige grande experiência, principalmente em manobras de extinção de incêndios. O equipamento tem um peso de 60 toneladas, quando estiver carregado com sua capacidade máxima com o líquido retardante, que deve ser aplicado a 45 metros de altura sobre as chamas, em voos a 200 km por hora. “É importante manter os parâmetros estabelecidos para entregar a água; não podemos voar nem a alturas mais baixas nem com velocidades mais altas”, explicou à Dialogo o Tenente-Coronel da FAC Rafael Alfredo Caviedes Silva, comandante do Grupo de Transporte Nº 81, piloto do C-130H na missão.

A duração da descarga leva poucos segundos. É necessária a coordenação da tripulação para decidir onde começar e onde terminar. “Coube a mim ser o primeiro a manobrar com o MAFFS II em um incêndio real, mas de todos os nove pilotos treinados, qualquer um teria feito como eu”, manifestou o Ten Cel Caviedes.

Três tripulações receberam treinamento da empresa fabricante do sistema tanto nos EUA como na Colômbia. “São as tripulações mais treinadas [da FAC] na utilização do Hércules, com mais de 2.000 horas de voo com o sistema [MAFFS II] montado”, informou o Cel Rueda. “Temos três tripulações: a de código vermelho, na primeira linha; a de código amarelo, na segunda; e uma terceira de reserva para ambas.”

Bambi Bucket e drones

O sistema Bambi Bucket, um dispositivo para carregar grandes quantidades de água em aeronaves, e peça-chave na extinção do incêndio, foi instalado em um helicóptero Black Hawk do Comando Aéreo de Combate Nº 2. Durante três dias, a FAC realizou 73 descargas com o Bambi Bucket, com a ajuda em terra de bombeiros especializados de Villavicencio, Colômbia.

A utilização de drones foi de grande ajuda para conseguir o controle total de ambos os desastres. Graças aos veículos aéreos guiados por controle remoto, as equipes em terra e no ar puderam determinar as zonas com maiores concentrações de calor, bem como a dimensão e direção das chamas.

Os militares sabem que a qualquer momento podem ocorrer mais incidentes. Durante os três primeiros meses do ano, a Colômbia vive uma temporada seca que favorece a presença de focos de calor. Além disso, às vezes, as pessoas realizam queimadas que saem do controle e terminam em grandes incêndios. As autoridades detectaram que os grupos dissidentes das guerrilhas que têm influência direta na comunidade induzem os seus habitantes ao desmatamento para promover os cultivos ilícitos e eles terminam prejudicados ao causar a devastação de seus próprios pertences.

A Promotoria Geral da Nação informou em um comunicado que está avançada no processo judicial contra cinco indivíduos acusados de provocar os incêndios na Sierra de la Macarena. Os incêndios foram extintos em sua totalidade no dia 4 de março de 2018, já que foi necessário um trabalho adicional em terra para assegurar a zona com o controle de pequenos focos de calor.

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