Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Fuerzas Comando - Paraguai 2017, uma ferramenta de cooperação regional

O Tenente-Brigadeiro-do-Ar Braulio Piris Rojas, comandante das Forças Militares do Paraguai, falou com a Diálogo sobre o desenvolvimento da competição militar Fuerzas Comando 2017, desenvolvida no Paraguai em sua 13ª edição.
Claudia Sánchez-Bustamante/Diálogo | 31 julho 2017

O Tenente-Brigadeiro-do-Ar Braulio Piris Rojas, comandante das Forças Militares do Paraguai, no desenvolvimento da competição militar Fuerzas Comando 2017, realizada no Paraguai em sua 13ª edição. (Foto: Claudia Sánchez-Bustamante, Diálogo)

Todos os anos, o Comando de Operações Especiais Sul, componente do Comando Sul dos EUA, desenvolve uma competição de destrezas militares na qual equipes de comandos especiais dos exércitos das Américas disputam a cobiçada Copa Fuerzas Comando. Paralelamente, acadêmicos, líderes militares, de segurança e de defesa dos países na competição assistem a um seminário para analisar temas regionais de forma conjunta.

Em sua 13ª edição, o exercício Fuerzas Comando 2017 foi realizado no Paraguai. Enquanto a competição de destrezas militares era disputada em Vista Alegre, no centro do pais, o seminário “Iluminando e combatendo as redes do crime organizado transnacional e transregional” aconteceu em Assunção. Diálogo aproveitou a oportunidade para conversar com o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Braulio Piris Rojas, comandante das Forças Militares do Paraguai.

Diálogo: Qual é a importância de a competição Fuerzas Comando ser realizada no Paraguai nesta edição de 2017?

Tenente-Brigadeiro-do-Ar Braulio Piris Rojas, comandante das Forças Militares do Paraguai: Tradicionalmente, as missões das forças militares de um país se baseavam na clássica visão da destruição das forças militares oponentes e na ocupação do território inimigo; no entanto, nos novos tempos em que vivemos, surgiram as chamadas novas ameaças que representam um desafio para o componente militar, como o terrorismo, a produção e o tráfico de drogas e armas, a lavagem de dinheiro e o crime organizado, que são, sem dúvida, uma ameaça à segurança hemisférica, e o Paraguai não está alheio a esse problema. Nesse contexto, esta edição do exercício Fuerzas Comando busca melhorar as táticas e técnicas utilizadas no ambiente operacional, melhorando a preparação e a capacidade dos componentes das Forças de Operações Especiais. Além disso, é importante por ser realizada pela segunda vez em meu país, pois isso demonstra a confiança que o Paraguai reflete como país, com base no progresso socioeconômico, na estabilidade democrática e na consideração que o conjunto das nações tem pelo Paraguai.

Diálogo: O que significa isso com respeito aos laços de amizade e confraternização entre as equipes das Forças Especiais das nações parceiras participantes e particularmente com os Estados Unidos?

Ten Brig Piris Rojas: Fuerzas Comando é uma oportunidade importante para demonstrar a todos as capacidades que cada um dos participantes possui. Este exercício, em sua edição 2017, foi criado como um instrumento para melhorar a cooperação regional e multinacional, apoiado na confiança mútua, baseado em um sentimento de amizade fraterno, para enfrentar as ameaças comuns de nossa região. Essas competições ajudam em relação à integração e ao intercâmbio profissional de experiências entre os participantes, melhoram a cooperação multinacional e regional, além de fortalecer a confiança mútua. O fato de contar com a participação dos EUA, além do patrocínio do Comando Sul para este evento, reforça muito mais os laços de amizade fortes e históricos que unem nossos povos, honrando nosso lema: “Mbarete Ñane Moiruva” (A força que nos une).

Diálogo: Oito meses após assumir o cargo, qual é seu principal objetivo e maior desafio como comandante das Forças Militares?

Ten Brig Piris Rojas: Assim como no primeiro dia do meu comando, pretendo que as Forças Militares do Paraguai sejam forças modernas, altamente eficientes e fortalecidas em sua capacidade operacional, para conduzir operações conjuntas e combinadas, com recursos humanos reconhecidos por seu profissionalismo, sua capacidade, honra e vocação para o serviço, com papéis adequados para enfrentar as novas ameaças contra o Estado e que garantam as ações para orientar a busca de uma gestão eficaz e transparente, cooperando com o desenvolvimento nacional, próximas do povo, assumindo uma responsabilidade social e institucional e participando ativamente dos compromissos de cooperação internacional, estando comprometidas com a defesa nacional.

Diálogo: Quais são as maiores ameaças à segurança paraguaia? O que as Forças Militares estão fazendo para combatê-las?

Ten Piris Rojas: A meu ver, as maiores ameaças à nossa segurança são os grupos criminosos organizados que realizam atividades como o terrorismo, o tráfico de drogas e de armas, sequestros e assaltos a entidades financeiras do Estado e delitos cibernéticos que ultrapassam as fronteiras. As Forças Militares, dentro do papel constitucional, cooperam com outras instituições do Estado, implementando planos para o apoio com pessoal, material e equipamentos para as instituições responsáveis pela luta contra esses problemas. Nesse sentido, o Comando das Forças Militares tem o apoio e a vontade política, firme, sincera e contundente do Poder Executivo para levar esses planos adiante.

Diálogo: Qual é a importância da cooperação regional, de forma coordenada e conjunta, entre as respectivas forças armadas, para enfrentar as ameaças transregionais e transnacionais para a segurança?

Ten Brig Piris Rojas: O novo cenário mundial da defesa afirma que ela se sustenta em dois pilares, que são as relações exteriores e as forças armadas, e que o sistema democrático é o que oferece melhores oportunidades de desenvolvimento em uma nação, partindo dos princípios de liberdade, tolerância e justiça. A cooperação regional é, sem dúvida, indispensável para combater esses delitos transnacionais e transregionais. Essas ameaças, por serem novas formas de crime, precisam de novos mecanismos e novas sociedades regionais para seu combate, já que as organizações criminosas ampliaram suas fronteiras. É por isso que a chave para derrotar essas organizações criminosas transregionais e transnacionais é a cooperação.

Diálogo: O Paraguai tem uma longa história de participação nas Operações de Manutenção de Paz das Nações Unidas; tem feito isso desde 2001, em seis missões em todo o mundo, mas particularmente como parte dos contingentes de nações parceiras como a Argentina, o Brasil e o Uruguai. Qual é a importância desta participação para o país, das relações construídas e lições aprendidas, como parte dos contingentes das nações parceiras?

Ten Piris Rojas: A participação da República do Paraguai nas Operações de Manutenção de Paz sob o Mandato das Nações Unidas foi uma conquista muito almejada por gerações de oficiais das forças armadas, desde a implementação dessas operações em 1948, quando o Conselho de Segurança aprovou a realização de Observações Militares das Nações Unidas ao Oriente Médio. Essa conquista foi conseguida pela República Argentina quando oficiais das Forças Armadas do Paraguai foram enviados como integrantes do Estado-Maior da Força Tarefa Argentina na missão das Nações Unidas no Chipre em 1998. A participação conjunta com as forças armadas da Argentina, do Brasil e, recentemente, do Uruguai, que até agora mantemos, foi altamente positiva, pois a experiência e os conhecimentos adquiridos por nosso pessoal dos planejamentos e doutrina utilizados para essas operações, nos possibilitaram formar um contingente com uma bandeira própria. Sem dúvida, isto teria sido muito mais difícil sem essa experiência anterior. Outro aspecto positivo dessa participação conjunta tem sido os laços de amizade com outras forças, que impactam positivamente nas relações bilaterais entre nossas instituições. Logo após essas participações, as operações conjuntas e os vínculos bilaterais foram fortalecidos, sendo hoje mais fluidos e positivos.

Diálogo: O senhor deseja acrescentar alguma informação aos nossos leitores?

Ten Brig Piris Rojas: Para finalizar, quero agradecer ao Comando Sul pelo convite para que o Paraguai fosse anfitrião pela segunda vez nessa competição, tão importante militarmente para o continente americano, e à Diálogo por esta entrevista.

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