Fornecedor de armas do Los Urabeños é capturado por forças de segurança colombianas

PNC deteve Gustavo Velásquez Rodríguez, suspeito de ser o principal fornecedor de armamento para o grupo do crime organizado colombiano.
Julieta Pelcastre | 13 fevereiro 2014

A Polícia Nacional Colombiana (PNC) prendeu recentemente Gustavo Velásquez Rodríguez, suspeito de ser o principal fornecedor de armamento para o grupo do crime organizado Los Urabeños. Velásquez Rodríguez é conhecido como “O Senhor da Guerra” e “Mão Forte”.

Agentes da Polícia Nacional capturaram “O Senhor da Guerra” em 18 de janeiro de 2014, em Medellín. Além de posse ilegal de armas, as autoridades o acusam de assassinato e envolvimento com o crime organizado. A polícia não forneceu detalhes da prisão, pois as investigações criminais continuam em andamento.

Antes de ser capturado, “O Senhor da Guerra” era o principal fornecedor de armas de longo alcance para o Los Urabeños, um dos maiores grupos do crime organizado na Colômbia. Ele também supostamente fornecia armas a Víctor Ramón Navarro, traficante de drogas ligado ao Exército Popular de Libertação (EPL), de acordo com um comunicado da PNC. Navarro também é conhecido como “Megateo”.

Tráfico internacional de armas

Segundo as autoridades, Velásquez Rodríguez, 44 anos, tem contatos com fabricantes de material bélico em Israel e na Rússia. Ele supostamente comprava armamento pesado dos fabricantes, transportava-o para a Colômbia e o vendia para o Los Urabeños, o grupo de narcotráfico liderado por “Megateo” e outros grupos do crime organizado. “O Senhor da Guerra” teria comprado fuzis AK-47, escopetas Benelli e fuzis Barret com mira telescópica para essas organizações.

Velásquez Rodríguez teria providenciado o transporte das armas para a Colômbia através das províncias de Norte de Santander e La Guajira.

De acordo com as autoridades, ele teria fornecido armas aos Urabeños por meio de um contato conhecido como “Albeiro” ou “Lobo”. As autoridades acreditam que Albeiro tenha assumido um papel mais importante nas operações do grupo do crime organizado desde a captura, em Madri, de Carlos Andrés Palencia González, um líder do alto escalão do Los Urabeños, em novembro de 2013. A polícia colombiana trabalhou em parceria com as forças de segurança espanholas para localizar e capturar Palencia González, também conhecido como “El Visaje”.

“El Visaje” é suspeito de assassinar um policial, praticar extorsão e traficar drogas. Em 2009, cumpria pena em um presídio, mas escapou quando estava sendo transportado para uma audiência no tribunal. Permaneceu foragido até novembro utilizando uma identidade falsa, segundo as autoridades.

Conexão com ‘Megateo’

“O Senhor da Guerra” era o principal fornecedor de armas para “Megateo”, um dos principais líderes do EPL, de acordo com as autoridades. Ele agiria por meio de Fraydeman Rincón, um membro do crime organizado também conhecido como “Ricardo Boquete”.

“Megateo” é procurado por homicídio, posse ilegal de armas e atividades de crime organizado, informaram as autoridades.

As autoridades acreditam que a captura de “O Senhor da Guerra” leve a uma significativa redução da violência nas regiões de Urabá e Catatumbo.

“[Velásquez Rodríguez] não é uma pessoa qualquer. Ele é um traficante de armas, uma peça central de uma organização criminosa. Alguém assim não pode ser substituído facilmente”, diz Gustavo Duncan, analista de segurança da Universidad de los Andes. “Prendê-lo foi uma vitória para as autoridades, mas isso não acaba com o narcotráfico.”

Velásquez Rodríguez não é o primeiro traficante de armas a ficar conhecido como “O Senhor da Guerra”. Em 2008, as autoridades de Bangcoc prenderam Viktor Bout, tenente da reserva do Exército Russo considerado o maior traficante de armas do mundo. Bout era conhecido como “O Senhor da Guerra” e “Mercador da Morte”. Em 2010, o governo tailandês extraditou-o para os Estados Unidos, onde ele cumpre pena de 25 anos de prisão por fornecer armas às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Los Urabeños

A Corte Penal Internacional (CPI) processa criminosos de guerra e violadores dos direitos humanos. Em 2013, a CPI emitiu um relatório alertando sobre o “poder do Urabeños”, o maior grupo do crime organizado da Colômbia.

O Los Urabeños “é organizado o suficiente para se envolver em um conflito armado não internacional”, de acordo com o relatório. O grupo é liderado por Dayro Antonio Úsuga David, conhecido como “Otoniel”.

O Los Urabeños é um grupo de traficantes de drogas de estilo paramilitar baseado no centro-norte da Colômbia. É composto principalmente por membros das extintas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Alguns de seus integrantes eram ligados ao Cartel de Medellín.

A gangue opera em 17 departamentos. Também controla as rotas de tráfico de drogas na região de Choco-Darién, no Golfo do Morrosquillo, nas montanhas de Perijá, no Paramillo Massif e em grandes cidades como Bogotá e Medellín.

O Los Urabeños é um legado do Cartel de Medellín, que entrou em Buenaventura, território histórico do Cartel Norte del Valle, diz Duncan.

O grupo se expandiu e consolidou seu poder em diferentes regiões por meio do recrutamento de novos membros e de alianças com gangues de rua locais, afirma Duncan. As gangues de rua trabalham para o Los Urabeños como informantes e se envolvem em atos criminosos, como homicídios, extorsão, prostituição, lavagem de dinheiro e microtráfico em áreas urbanas densamente povoadas.

Operações de segurança

Em 2013, as forças de segurança apreenderam cerca de 550 armas do grupo Los Urabeños, segundo autoridades. As armas foram apreendidas em operações de segurança diferentes realizadas em várias regiões.

Entre junho de 2006 e junho de 2012, as forças de segurança detiveram mais de 12.000 membros do Los Urabeños e do Los Rastrojos, outro grande grupo do crime organizado colombiano que se dedica ao tráfico de drogas e extorsões. No período, também foram apreendidas mais de 6.000 armas de fogo e mais de 90 toneladas de drogas.

O Los Urabeños tem ligações com o Cartel de Sinaloa, organização criminosa mexicana transnacional liderada pelo chefão das drogas foragido Joaquin ‘El Chapo’ Guzmán. O grupo tem em torno de 1.200 membros e luta contra as FARC pelo controle das planícies do leste da Colômbia, segundo reportagens publicadas.

As forças de segurança colombianas devem continuar vigilantes em sua batalha contra o Los Urabeños, diz Duncan.

“O Exército tem a tecnologia, inteligência, equipamentos e controle do espaço aéreo para realizar uma intensa operação de perseguição por parte do governo quando uma organização criminosa se expande e adquire poder”, destaca o analista.

“O governo tem a obrigação de reprimir essas organizações criminosas. A resposta do estado deve ser implacável, como foi com Pablo Escobar, o Cartel de Cali e os paramilitares”, afirma Duncan.

Para o analista, as forças de segurança colombianas devem reforçar a sua presença em vilarejos que têm servido como base de recrutamento para grupos do crime organizado.

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