Forças Armadas se preparam para combater terrorismo nos Jogos Olímpicos Rio 2016

Cerca de 2.000 militares brasileiros têm treinado intensivamente para combater possíveis ataques terroristas durante os Jogos Olímpicos, evento que deve atrair 300.000 turistas ao Brasil.
Andrea Barretto Lemos | 29 dezembro 2015

Militares das unidades de operações especiais do Exército, Marinha e Força Aérea participaram de treinamento antiterror em novembro, na sede do Comando de Operações Especiais, na cidade de Goiânia. [Foto: Paulo Henrique Freitas/MD]

Enquanto mais de 10.500 atletas de todo o mundo se preparam para participar dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, cerca de 2.000 militares brasileiros têm treinado intensivamente para combater possíveis ataques terroristas durante o evento.

Cerca de 2.000 militares das Forças Armadas vão se dedicar exclusivamente ao enfrentamento do terrorismo durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, na cidade do Rio de Janeiro e em mais cinco capitais brasileiras, em 2016. [Foto: Paulo Henrique Freitas/MD]

As ações de combate ao terrorismo das Forças Armadas visam proteger as delegações de atletas e os cerca de 300.000 turistas que participarão da Rio 2016 estão sendo planejadas a partir de um documento chamado “Análise de Risco”, resultado do trabalho da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e outras instituições nacionais e estrangeiras, com a Interpol.

“Nosso efetivo tem um nível de adestramento altamente especializado”, diz o General Mauro Geral Sinott Lopes, chefe do Comando de Operações Especiais do Exército Brasileiro (COPESP) e do Comando Conjunto de Prevenção e Combate ao Terrorismo. “Já fizemos diversos treinamentos neste ano – não só no ambiente conjunto das Forças Armadas, mas também com as demais agências públicas, que agregam suas capacidades para fazer frente a ameaças terroristas.”

Treinamento antiterror

O último treinamento foi realizado na sede do COPESP, na cidade de Goiânia, de 8 a 14 de novembro. A atividade reuniu unidades de operações especiais da Marinha, do Exército e da Força Aérea Brasileira que utilizaram munição real na simulação de conflito em um ambiente urbano.

Durante uma das ações, 10 Soldados invadiram um cômodo com alvos de papelão em seu interior que os efetivos tinham que identificar e atacar, conforme as instruções de seus superiores. A Polícia Rodoviária Federal e a Força Nacional de Segurança do Brasil também participaram do exercício.

Autoridades de segurança definiram as regras como o Ministério da Defesa e a ABIN vão atuar contra o terrorismo. “Agora, vamos partir para o desenho das necessidades regionais”, acrescenta o Gen Sinott.

General Mauro Sinott Lopes é o chefe do Comando Conjunto de Prevenção e Combate ao Terrorismo, que reúne representantes das três Forças Armadas do Brasil e trabalha junto com outros órgãos de segurança, defesa e inteligência. [Foto: Paulo Henrique Freitas/MD]

Uma série de programas de treinamento, que terminará em março, será realizada nos locais das competições olímpicas. O objetivo é o reconhecimento do ambiente de cada local pelo pessoal de segurança. Além disso, as Forças Armadas vão realizar treinamentos específicos em março com aeronaves da Marinha e do Exército que vão prestar apoio às atividades antiterrorismo.

Estrutura em âmbito nacional

As Forças Armadas estão se preparando para garantir a segurança para as Olimpíadas de 2016 em várias regiões. No Rio de Janeiro, as instalações dos Jogos Olímpicos estão distribuídas em quatro diferentes regiões da cidade. Além do Rio, cinco outras capitais vão sediar partidas de futebol das Olimpíadas: Brasília, Belo Horizonte, Manaus, Salvador e São Paulo.

Todos os locais de competição contarão com um Centro de Controle Tático Integrado que vai trabalhar junto com profissionais de forças de segurança e de agências públicas, reunidos no Comando de Defesa de Área. As tropas serão preparadas para combater uma variedade de ataques tais como químico, biológico, radiológico ou nuclear.

“Todos os corpos das Forças Armadas do Ministério da Defesa estarão presentes em cada local de competição para atuar junto com as forças de segurança pública em ações de resposta rápida”, explica o Gen Sinott.

O Comando Conjunto de Prevenção e Combate ao Terrorismo, chefiado pelo Gen Sinott, é o centro nervoso da estrutura antiterror. Durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, o Comando Conjunto estará temporariamente instalado na sede do Comando Militar do Leste (CML), no Rio de Janeiro. Por meio de um aparato de comunicação montado no CML, o efetivo de segurança e defesa vai acompanhar o desenvolvimento dos planos de segurança previstos para o decorrer das Olimpíadas.

No total, as Forças Armadas brasileiras terão cerca de 38.000 militares a postos para realizar ações contra o terrorismo e patrulhas de segurança. Elas também vão ajudar na fiscalização de explosivos, proteção de estruturas estratégicas e proteção contra ataques cibernéticos. Esse efetivo também atuará como uma força de contingência em apoio aos órgãos de segurança e para dar proteção às autoridades.

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