Força de elite FUSINA diminuiu homicídios em Honduras

Composta por militares, agentes da Polícia nacional e membros de órgãos da justiça, a Força de Segurança Interinstitucional Nacional (FUSINA) de Honduras é apontada como responsável pela forte redução no índice de assassinatos no país.
Iris Amador | 11 fevereiro 2016

Ameaças Transnacionais

O trabalho da Força de Segurança Interinstitucional Nacional (FUSINA) de Honduras contribuiu para uma significativa melhoria na segurança pública. [Foto: Secretaria da Defesa de Honduras]

O índice de homicídios em Honduras caiu fortemente nos últimos anos, um resultado que autoridades atribuem aos esforços da Força de Segurança Interinstitucional Nacional (FUSINA), unidade especial composta por soldados das Forças Armadas, agentes da Polícia Nacional e profissionais do Ministério Público, além de outras instituições.

O índice de homicídios em Honduras chegou ao auge em 2012, quando o país registrou 86 mortes por cada 100.000 habitantes. Desde então, a taxa de violência fatal caiu firme e significativamente para 75 homicídios por 100.000 habitantes em 2013, 66 em 2014 e 56 em 2015.

A forte redução na violência e a melhoria na segurança pública são creditadas à força de segurança de elite, lançada em janeiro de 2014. “(A FUSINA) tem capacidade para confrontar os grupos de crime organizado, assim como os crimes comuns”, explica o Tenente-Coronel de Justiça Militar Santos Nolasco, porta-voz da FUSINA, acrescentando que a organização foi bem-sucedida graças ao seu “trabalho coordenado”.

Os êxitos da FUSINA

A força de segurança está tornando o país mais seguro de várias formas, como a apreensão de grande número de armas de fogo ilegais, de drogas e de dinheiro usado pelas organizações criminosas para financiar suas atividades. Desde sua criação, a FUSINA apreendeu 5.769 armas de fogo, 612 quilos de cocaína e mais de 297 milhões de lempiras (cerca de US$ 13,15 milhões) de supostos criminosos, além de recuperar mais de 500 veículos e motos roubados. No total, a unidade interinstitucional prendeu mais de 6.000 suspeitos.

Confrontar gangues de rua violentas, como a Mara Salvatrucha (MS-13) e a Barrio 18 (M-18), é uma das missões mais importantes da FUSINA. A força de segurança mantém presença forte e constante em 115 comunidades com altos níveis de criminalidade de gangues. Os agentes fazem patrulhas motorizadas e a pé para identificar e capturar integrantes desses grupos. Para completar, a FUSINA lançou um programa educativo em escolas do país para orientar crianças e adolescentes a evitar o envolvimento com as gangues.

E, em mais um esforço para combater o narcotráfico, a FUSINA ajudou a destruir 56 pistas de pouso clandestinas usadas para o tráfico de drogas. A FUSINA também desmantelou em torno de dez “pontos cegos” — pontos de passagem ilegais usados pelos contrabandistas para movimentar animais, dinheiro, drogas e pessoas — ao longo da fronteira entre Honduras e Guatemala.

Enquanto todas as realizações da força de segurança sejam importantes, seu principal resultado foi a grande redução de homicídios, de acordo com o Ten Cel Nolasco. A FUSINA não conseguiu isso sozinha. O auxílio da população civil, que forneceu informações às forças de segurança, é fundamental para o sucesso da FUSINA, destaca o Ten Cel.

O papel da população civil

“A cooperação da população também está por trás deste resultado”, afirma o Ten Cel Nolasco. “Isso será parte do nosso foco em 2016. Queremos que a sociedade se envolva 100% nesses esforços.” A FUSINA incentiva os moradores a denunciar crimes de que tenham sido vítimas ou que tenham testemunhado. “Isso reduz a impunidade, o que é um de nossos objetivos”, diz o Ten Cel Nolasco.

Embora tenha obtido muitos avanços na melhoria da segurança pública, a FUSINA permanece vigilante. “Entendemos que ainda enfrentamos desafios. Honduras ainda está passando por uma situação difícil. A sociedade precisa entender isso. O Estado também deve continuar fazendo sua parte. E é assim que seguimos em frente, plenamente conscientes das dificuldades, mas com um compromisso renovado, principalmente depois de ver os resultados positivos.”

A liderança da FUSINA reservou tempo para revisar e avaliar as operações para o futuro. “Logicamente, continuaremos implementando as estratégias que trouxeram bons resultados. Aquelas que nos deram resultados parciais necessariamente terão de ser modificadas”, explica o Ten Cel Nolasco. “Esse combate é dinâmico, não estático. À medida que a criminalidade muda, nós também mudaremos.”

“Nosso trabalho será mais integrado, com mais recursos humanos, mais experiência e mais tecnologia”, diz o Ten Cel Nolasco. “Portanto, os resultados deste ano também terão de ser melhores. Novamente, queremos continuar realizando este trabalho com o apoio da população e ser mais fortes em 2016. E faremos isso como fizemos até agora, juntos.”

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