Exercício Salitre 2014 promove a cooperação entre cinco forças aéreas no Chile

Aeronaves de forças rivais voaram em missões de combate nos céus do deserto de Atacama, norte do país, durante 11 dias deste mês – mas nenhum tiro foi disparado. Apesar de parecerem dramáticas, as batalhas não eram reais.
Carolina Contreras Ramirez | 24 outubro 2014

Exercícios de treinamento: As forças aéreas de Argentina, Brasil, Chile, Estados Unidos e Uruguai participaram do Exercício Salitre 2014. Os pilotos realizaram missões de combate simuladas sobrevoando o deserto e o mar do Chile. O programa promoveu a camaradagem entre os oficiais participantes. [Foto: Força Aérea Chilena]

Aeronaves de forças rivais voaram em missões de combate nos céus do deserto de Atacama, no norte do Chile, durante 11 dias deste mês – mas nenhum tiro foi disparado.

Cooperação internacional: Autoridades militares que participaram do programa Salitre 2014 receberam o mais alto nível de treinamento e promoveram a cooperação internacional, de acordo com o general chileno Maximiliano Larraechea Loeser, diretor do exercício. [Foto: Força Aérea Chilena]

As batalhas pareciam dramáticas, mas não eram reais. Fizeram parte do Exercício Salitre 2014, um programa de treinamento organizado entre 6 e 17 de outubro pela Força Aérea Chilena (FACH) na Base Aérea de Cerro Moreno em Antofagasta, a cerca de 1.400 quilômetros de Santiago. Em torno de 800 militares, incluindo tripulantes e técnicos das forças aéreas de Chile, Argentina (FAA), Uruguai (FAU), Brasil (FAB) e Estados Unidos (USAF), participaram do programa. O objetivo: promover a cooperação e a interoperabilidade entre países parceiros.

“(Procuramos) treinar da melhor maneira possível, em um ambiente de coalizão sob os parâmetros internacionais exigidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), para responder de forma eficiente se isso for solicitado”, diz o general da Força Aérea Chilena Maximiliano Larraechea, diretor do Salitre 2014.

Uma variedade de caças

O exercício mobilizou uma grande variedade de aviões de combate – 35 no total. A Argentina, por exemplo, utilizou os MDD A-4 AR Fighting Hawks, enquanto o Brasil treinou com caças F-5EM e um Hércules KC 130. Já as forças chilenas usaram os bombardeiros F-16AM/BM, F-16/CD e F-5E, entre outros. A USAF voou com caças F-16C e com a aeronave de abastecimento KC-135 Stratotanker.

Vinte e nove aviadores uruguaios também participaram do treinamento, com três aviões A-37B Dragonfly. “A troca de conhecimentos é essencial nas situações em que a finalidade é participar e aprender”, diz o major Julio Bardesio, integrante da equipe uruguaia que participou dos exercícios.

As forças aéreas realizaram suas missões de forma coordenada, como membros de uma coalizão. Sobrevoaram uma paisagem desértica, em uma região onde as temperaturas oscilam entre zero e 40 graus centígrados, além de cumprir missões como o reabastecimento durante um voo sobre as montanhas e acima do mar.

Poder aéreo: A Força Aérea Uruguaia participou do Salitre 2014 com três aeronaves A-37B Dragonfly. [Foto: Força Aérea Chilena]

“Nesse tipo de exercício, temos de atender aos procedimentos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que são bastante restritos em termos de execução, conduta, formato e comunicação. Além disso, todos os exercícios foram realizados em inglês”, diz Larraechea.

Seguindo as operações da força aérea em tempo real

Os participantes do treinamento puderam acompanhar os resultados das missões diariamente e em tempo real, graças ao Shot Validation Cell, um programa de gerenciamento de informações que reúne dados sobre missões e voos. Os comandantes das forças aéreas usaram os dados do programa para ajudar a avaliar as missões, e os resultados também foram monitorados por membros das forças aéreas de Colômbia, México, Canadá, Alemanha e Austrália, que participaram do Salitre 2014 como observadores.

“Na Europa, formamos uma organização comum que realiza exercícios aéreos com certa frequência, e nossos pilotos participam ativamente”, diz o coronel Wolfgang Schad, da Força Aérea Alemã.

Com o treinamento feito no Salitre 2014, as forças aéreas participantes tiveram a oportunidade de testar suas capacidades e promover um senso de camaradagem e cooperação entre os aviadores.

“A parte mais importante desse exercício é o grau de amizade entre as forças aéreas participantes, particularmente com a Força Aérea Chilena, devido à similaridade de nossas maneiras de operar”, diz o tenente-general Joseph L. Lengyel, vice-comandante do Gabinete da Guarda Nacional dos EUA.

A América do Sul também sedia outros dois exercícios similares: o CRUZEX, realizado no Brasil, e o CEIBO, na Argentina.

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