Engenheiros militares equatorianos ajudam a reconstruir regiões do Haiti devastadas por terremoto

Ação recente foi a quarta missão concluída pelos profissionais do Equador desde a ocorrência do desastre.
Holger Alava | 27 janeiro 2014

Capacitação e Desenvolvimento

Cooperação internacional: cidadão haitiano agradece a engenheiro militar equatoriano. Os militares equatorianos concluíram sua quarta e última missão de reconstrução no Haiti em dezembro de 2013. Autoridades do Equador e do Haiti reconheceram o trabalho dos militares durante uma cerimônia nas instalações reconstruídas da Escola Ségure National [Foto: Forças Armadas do Equador]

Noventa engenheiros militares das Forças Armadas do Equador concluíram recentemente uma série de projetos de reconstrução no Haiti, parte da contínua ação de reerguer o país após o grande terremoto que devastou a ilha caribenha em 12 de janeiro de 2010.

O terremoto, que registrou a marca de 7,3 graus na escala Richter, matou em torno de 316.000 pessoas e destruiu ou danificou severamente 250.000 residências e 300.000 prédios comerciais, de acordo com as autoridades haitianas.

A recente ação foi a quarta missão de reconstrução realizada pelos engenheiros do Equador desde a ocorrência do terremoto.

Em 21 de maio de 2010, o governo equatoriano declarou que estava mobilizando suas Forças Armadas para fornecer ajuda humanitária ao Haiti. As três forças militares – Exército, Marinha e Aeronáutica – foram acionadas. O Equador também doou equipamento pesado no valor de US$ 10,4 milhões. Entre materiais de construção e o trabalho dos soldados e voluntários, o Equador contribuiu com cerca de US$ 30 milhões para o esforço de reconstrução.

O trabalho de reconstrução foi realizado sob a estrutura da Cooperação Sul-Sul, uma iniciativa de compartilhamento permanente de tecnologia, equipamentos e recursos militares entre os países do Sul Global. O Corpo de Engenheiros do Exército liderou a iniciativa, na qual membros dos três braços das Forças Armadas consertaram ou reconstruíram dezenas de escolas, pontes e redes de esgotos, beneficiando 150.000 haitianos.

O major Marco Navas, do Equador, comandou a missão humanitária. Voluntários civis do Equador, incluindo funcionários públicos, também foram para o Haiti para ajudar nos reparos e obras.

A primeira missão militar do Equador para reconstrução no Haiti, conhecida como Marhec 1, foi iniciada no verão de 2010. Os militares e voluntários equatorianos terminaram a última missão, Marhec 4, em dezembro de 2013.

Segundo o governo, o Equador enviou ao Haiti 330 engenheiros militares para participarem das quatro missões.

Trabalho árduo é reconhecido

A ministra da Defesa Militar do Equador, Maria Fernanda Espinosa, expressou gratidão pelo trabalho dos engenheiros militares e dos soldados e voluntários por eles orientados.

“Nós os reconhecemos profundamente, pois sabemos da intensidade de trabalho realizado em condições adversas, muito difíceis, longe de suas famílias”, disse a ministra quando os engenheiros militares, soldados e voluntários retornaram de sua missão no Haiti.

O contingente equatoriano realizou sua última missão na província de L’Artibonite, localizada na parte central da ilha caribenha.

Os militares equatorianos realizaram vários projetos de construção e reforma:

• Reparos em duas pontes e a construção de 80 km de estradas.

• Construção de um prédio para alunos de jardim de infância e a reconstrução de duas outras escolas seriamente danificadas pelo terremoto.

• Construção de três novos postos de saúde.

• Reparos em 48 km de canais de irrigação para uso na agricultura.

• Construção de ruas de acesso a mais de 300 escolas e residências.

Capacitando a população do Haiti

Ajudando a reconstrução: soldados equatorianos reconstruíram estradas e edificações no Haiti que foram destruídas ou danificadas pelo terremoto de janeiro de 2010. Autoridades do governo equatoriano elogiaram o trabalho dos militares. [Foto: Forças Armadas do Equador]

Além de realizar reparos e construir edificações, estradas e redes de esgoto, os engenheiros militares equatorianos ministraram cursos aos soldados haitianos sobre inspeção, solda e utilização de material pesado de construção. Esse conhecimento permite aos haitianos continuar a reconstruir e recuperar-se do terremoto, diz Daniela Bermeo Torres, socióloga e diretora comercial do TECHO na região litorânea do Equador. O TECHO é um grupo que coordena voluntários para trabalharem em projetos de melhoria de comunidades em toda a América Latina.

“É importante que o trabalho realizado no Haiti seja acompanhado por treinamento, capacitação e, no caso das instituições militares, treinamento e oficinas de trabalho para que os próprios haitianos continuem a reconstrução de seu país”, afirma Daniela. “Provavelmente, a coisa mais importante a ser conseguida pelos haitianos é garantir a relevância das ações e recursos investidos na capacitação dos haitianos para continuarem a criar seu caminho para a reconstrução.”

Daniela trabalhou como diretora financeira do TECHO para o Haiti em 2011.

Garantindo o acesso à educação

Um pouco antes de saírem do Haiti, em dezembro de 2013, representantes dos militares equatorianos realizaram uma cerimônia na Escola Ségure National, que militares e voluntários equatorianos ajudaram a reerguer.

“As crianças têm acesso a uma melhor educação em instalações reformadas”, disse Carine Luberisse, diretora da escola.

Os militares equatorianos reconstruíram salas de aula, banheiros e construíram uma quadra poliesportiva descoberta. Também instalaram uma cerca de segurança em torno da escola.

Missões de paz da ONU

As Forças Armadas do Equador também estão participando da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH).

Em 2013, o Equador também enviou 14 oficiais das Forças Armadas como observadores ou membros do quadro das missões da paz da ONU na África.

Presença da MINUSTAH será reduzida

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, deve apresentar as opções para a reconfiguração da MINUSTAH em março de 2014.

A estabilidade fornecida pela Força de Paz da MINUSTAH é crucial na medida em que o Haiti desenvolve sua própria força policial, de acordo com Carl Meacham, diretor do programa da Américas no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), um centro de pesquisas sediado em Washington.

“[A MINUSTAH] foi formada em junho de 2004 para restabelecer a ordem pública após a deposição do [ex-presidente] Jean-Bertrand Aristide e desempenhou um papel fundamental na estabilização do Haiti após o terremoto. A principal tarefa da MINUSTAH continua a ser manter a ordem e o Estado de direito”, disse Meacham.

A incidência de homicídios no Haiti é, de longe, a mais baixa do Caribe – 6,9 por 100.000 habitantes em 2012, de acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Ao mesmo tempo em que a MINUSTAH ajudou a aumentar a segurança pública no Haiti, as forças de segurança devem permanecer vigilantes, disse Schneider.

“É indubitável que a presença da MINUSTAH resultou na diminuição das atividades de gangues no Haiti. Em segundo lugar, a violência que vem junto com a atividade das gangues sofreu redução. Ao perseguir as gangues, vocês significativamente reduziram isso”, disse Schneider.

A MINUSTAH atualmente soma 6.270 tropas, incluindo 2.425 policiais, no Haiti.

Esse contingente de força de paz é proveniente de 19 países, a maior parte da América Latina, e os policiais vêm de 41 países. O maior contingente de “boinas azuis” é representado pelo Brasil, que tem 1.700 militares na força de paz no Haiti. Outras importantes contribuições para a missão da MINUSTAH são fornecidas por Equador, Uruguai, Argentina e Chile.

Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU adotou em 2013 medidas para reduzir o contingente das tropas a 1.249 até junho de 2014. O orçamento operacional da MINUSTAH terá uma redução de US$ 648,4 milhões em 2012-2013 para US$ 576,6 milhões em 2013-2014.

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