El Salvador enfrenta narcotráfico com ajuda da JIATF Sul

A Força Naval de El Salvador apreende 4,4 toneladas de cocaína entre setembro e outubro de 2018 em águas do Pacífico.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 6 novembro 2018

Ameaças Transnacionais

A Força-Tarefa Naval Tridente de El Salvador apreendeu 4,4 toneladas de cocaína entre setembro e outubro de 2018 em águas territoriais, com a ajuda do Comando Sul dos EUA. (Foto: Força Naval de El Salvador)

A Força-Tarefa Naval Tridente (FTNT) da Força Naval de El Salvador (FNES), com o apoio da Força-Tarefa Conjunta Interagencial Sul (JIATF Sul), do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), desarticulou as estruturas do narcotráfico internacional, ao detectar e interceptar duas embarcações semissubmersíveis e duas lanchas de motor externo entre setembro e outubro de 2018. As embarcações, que seguiam para os Estados Unidos, transportavam 4.400 quilos de cocaína em águas territoriais.

“Operações como essas são golpes decisivos contra o narcotráfico internacional”, disse à Diálogo o Capitão de Corveta da FNES Francisco Mejía, coordenador de Operações de Interdição Marítima da FTNT. “O sucesso se deve ao Comando Conjunto das Forças Armadas e ao Estado-Maior Geral da FNES, que nos permitem realizar esse tipo de operações, além da confiança e do apoio que recebemos do governo dos Estados Unidos, através de diferentes organizações que colaboram conosco com informações, equipamentos e adestramento.”

El Salvador é também um país de trânsito para o tráfico de drogas provenientes da América do Sul com destino à América do Norte e à Europa. Em 2017, a FNES reforçou as operações de interdição marítima e o intercâmbio de informações com as nações parceiras, para desviar a maior parte do tráfico marítimo para além das 200 milhas náuticas [370 quilômetros] da costa salvadorenha, segundo indica o Relatório sobre a Estratégia Internacional de Controle de Narcóticos do Departamento de Estado dos EUA, publicado em março de 2018. 

Golpes duros

A FNES, com o apoio dos Estados Unidos, monitora a costa para detectar as embarcações ilegais que se dirigem ao norte. A mais recente apreensão de drogas ocorreu no dia 3 de outubro de 2018, quando a FTNT interceptou um semissubmersível que transportava 1.998 kg de cocaína avaliada em US$ 50 milhões a 450 milhas náuticas (840 km) do porto de Acajutla, no estado de Sonsonate.

“As quase duas toneladas são a maior apreensão de drogas nos últimos anos,  o que representa um duro golpe contra a estrutura do narcotráfico”, disse o CC Mejía. “A Força Naval também prendeu a tripulação da embarcação formada por três indivíduos de nacionalidade colombiana.”

“Já localizamos e capturamos três semissubmersíveis e isso nos permite ver também as capacidades que a Força Naval tem atualmente”, garantiu o CC Mejía. “Um semissubmersível já não é mais um problema para nós, evidentemente, sempre que tenhamos como parceiro estratégico os Estados Unidos através da JIATF Sul do Comando Sul, que nos empresta as suas ultra plataformas.”

Militares de elite da Força-Tarefa Naval Tridente neutralizam o narcotráfico em diversas operações marítimas em águas territoriais salvadorenhas. (Foto: Força Naval de El Salvador)

No dia 26 de setembro, a FNES localizou uma lancha sem tripulantes com 552 kg de cocaína na praia Las Hojas, no estado de La Paz. Além disso, unidades navais de elite interceptaram uma lancha com dois motores externos que levava 1.302 kg de cocaína em 44 pacotes, perto do porto Acajutla, no mesmo dia 26 de setembro, e detiveram quatro tripulantes, sendo três colombianos e um equatoriano.

No dia 14 de setembro de 2018, um total de 15 unidades navais salvadorenhas, duas plataformas aéreas (uma da JIATF Sul e uma da FNES) e militares de elite salvadorenhos localizaram e interceptaram outro semissubmersível a 88 milhas náuticas (153 km) ao sul de Acajutla, que levava 575 kg de cocaína e três tripulantes colombianos. O navio de baixo perfil foi projetado e construído para levar drogas e cargas em grande velocidade sem ser detectado.

“A embarcação de baixo perfil não tinha a possibilidade de escapar. A aliança estratégica [com os EUA] foi primordial”, garantiu o CC Mejía. “A operação durou mais de 72 horas.”​​​​​​​ 

Treinamento e desafios navais

Os membros da FTNT realizam diversos treinamentos, práticas, procedimentos e técnicas, tanto individual como coletivamente, em cenários complexos com o Comando Sul, para fortalecer os conhecimentos e as destrezas no desenvolvimento de exercícios no espaço marítimo. “O treinamento e a capacitação com o SOUTHCOM são parte do nosso sucesso”, declarou o CC Mejía.

“Um dos maiores desafios nessas intervenções é o tempo no cenário, quando buscamos um possível objetivo no mar com condições meteorológicas adversas”, disse à Diálogo o 2º Tenente Elías Serrano, operador da plataforma aérea da FTNT. “Fazer parte das operações navais é uma responsabilidade enorme; precisamos tomar decisões acertadas, liderar da melhor maneira, estar alerta e preparados para os piores cenários que possam surgir no espaço marítimo”, acrescentou o 2º Tenente da FNES Francisco Molina, oficial destacado na FTNT.

“Nós [operamos] sem descanso diante da mínima informação. A FNES está no mar salvadorenho em uma posição estratégica para responder e proteger a saúde de todos os nossos povos”, finalizou o CC Mejía. “Se as organizações criminosas se transformam, as forças militares também se transformam. Avaliamos a nossa estratégia e com base nela [planejamos] com nossos parceiros estratégicos internacionais o que devemos fazer nessa luta.”

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