El Salvador e Guatemala reforçam vigilância na fronteira comum

A informação de inteligência compartilhada aumenta a efetividade da vigilância e reduz a criminalidade.
Lorena Baires/Diálogo | 11 fevereiro 2019

Ameaças Transnacionais

Guatemala e El Salvador compartilham 200 quilômetros de montanhas e florestas que facilitam as atividades criminosas das redes transnacionais. (Foto: Gloria Cañas, Diálogo)

As forças armadas de El Salvador e de Honduras se sintonizaram e reforçaram sua estratégia de vigilância nos 200 quilômetros de fronteira comum, para evitar que as redes de tráfico de pessoas, armas, drogas e outros ilícitos passem pelos pontos cegos de que a criminalidade se aproveita. Ambos os exércitos destacaram mais batalhões de infantaria e incrementaram o número de operações binacionais desde novembro de 2018.

Policiais e militares vistoriam registros de veículos em espaços abertos, para facilitar a detecção de pequenos carregamentos de drogas ou mercadorias roubadas. (Foto: Gloria Cañas, Diálogo)

“Todos os meses, nós destacamos unidades que se posicionam ao longo da fronteira, especialmente nas zonas onde já identificamos grupos que transportam armas ou praticam o narcotráfico de varejo de forma organizada”, disse à Diálogo o General de Brigada da Força Armada de El Salvador Juan Guzmán, comandante da II Brigada de Infantaria General Tomás Regalado. “As vistorias e os patrulhamentos que realizamos ajudam a frear as atividades criminosas desses grupos.”

Os patrulhamentos são coordenados nas reuniões binacionais ou trinacionais de presidentes e comandantes das unidades de fronteira do Triângulo Norte. “Nós trabalhamos em um ambiente operacional que facilita as ações interinstitucionais e reduz os eventos que afetam o desenvolvimento das atividades dos nossos cidadãos”, acrescentou o Coronel de Infantaria DEM da Força Armada da Guatemala Mario Hernández, comandante da III Brigada de Infantaria Maximiliano Aguilar Santamaría.

A XII Reunião Trinacional de Comandantes de Unidades Militares Fronteiriças do Triângulo Norte, realizada no estado de Santa Ana, El Salvador, em novembro de 2018, serviu para avaliar os resultados e trocar informações de inteligência sobre as operações realizadas. “Agora, graças a essa avaliação, os patrulhamentos nos permitiram identificar que o narcotráfico de varejo não apenas abastece nossos países no âmbito local, mas também ajuda a levar as drogas até o México”, explicou o Gen Bda Guzmán. “Só uma pequena quantidade fica em nossos países; o restante avança na rota rumo ao norte.”

El Salvador e Guatemala implementaram 23 patrulhamentos em 2018. Em 2019, unidades coordenadas de ambos os países serão responsáveis por mais de 30 operações para proteger a população.

Informação em tempo real

Militares salvadorenhos e guatemaltecos patrulham a fronteira, onde redes de narcotráfico de varejo tentam transportar drogas, armas e outros ilícitos através dos lugarejos. (Foto: Gloria Cañas, Diálogo)

A migração sem a documentação adequada para os Estados Unidos é uma realidade que os militares guatemaltecos e salvadorenhos enfrentam diariamente; eles impedem a passagem dos traficantes de pessoas nas rotas que cortam ambos os países. Desde que surgiram as caravanas de migrantes, em outubro de 2018, os militares representam um apoio estratégico para as autoridades de segurança pública e de migração.

“Trabalhamos de forma coordenada junto à Polícia Nacional Civil (PNC) e a Direção Geral de Migração e Estrangeiros (DGME). Nossa presença nos pontos cegos facilitou a coleta e o intercâmbio de informações sobre como operam as redes de tráfico de pessoas”, acrescentou o Gen Bda Guzmán.

O objetivo comum da PNC, da DGME e das forças armadas de ambos os países é conseguir o intercâmbio de informações em tempo real. Isso foi o que se planejou na III Reunião de Ministros de Segurança do Triângulo Norte da América Central, da qual participaram El Salvador, Honduras e Guatemala em janeiro de 2018, em El Salvador.

“Nós expusemos uma postura e uma posição definidas frente ao nosso parceiro, os Estados Unidos, pois como região precisamos reconhecer essa correlação de responsabilidades”, garantiu à Diálogo Enrique Degenhart, ministro de Governo da Guatemala. “A segurança regional é uma responsabilidade integrada, porque o que ocorre em um país afeta imediatamente a segurança do outro.”

O Gen Bda Guzmán e o Cel Hernández reconheceram o respaldo que o Comando Sul dos EUA lhes oferece com o constante treinamento, a doação de equipamentos e os programas de saúde. “Fomos treinados em combate urbano e recebemos instruções para o uso de equipamentos especiais de comunicação, manutenção de armamento a nível individual e coletivo e manutenção de veículos blindados. Além disso, oficiais guatemaltecos e salvadorenhos tiveram a oportunidade de instruir-se sobre temas específicos nos EUA”, ambos concordaram.

“Estamos comprometidos com a luta contra as estruturas criminosas, sejam elas quais forem, porque aqui o que é importante é que ambos os países tenham as mesmas linhas estratégicas. A coordenação interagências que construímos nos permite ter uma resposta muito mais rápida”, disse à Diálogo Mauricio Ramirez Landaverde, ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador. “As forças armadas de El Salvador e da Guatemala estão comprometidas em elevar o nível de coordenação e aumentar pouco a pouco o número de patrulhamentos binacionais. Para ambos os países, é crucial deter o tráfico de pessoas, ilícitos e drogas”, concluiu.

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 135
Carregando conversa