Exército Equatoriano em campanha permanente contra a mineração ilegal

As Forças Militares do Equador trabalham em conjunto com a Polícia Nacional e instituições civis em operações contra a mineração ilegal.
Alex Ormaza/Diálogo | 8 junho 2018

Ameaças Transnacionais

Membros do Batalhão de Selva Nº 62 Zamora protegem uma autoridade da Agência de Regulamentação e Controle de Mineração, enquanto colocam um lacre de fechamento em uma máquina utilizada em mineração ilegal na zona de Chapintza, na província de Zamora Chinchipe, no dia 11 de abril de 2018. (Foto: Batalhão de Selva Nº 62 Zamora, Exército Equatoriano)

O Exército Equatoriano realiza uma campanha permanente e frontal contra a mineração ilegal, principalmente nas províncias do sul do país andino. No dia 4 de maio de 2018, o Batalhão de Selva Nº 62 Zamora, o Destacamento de Inteligência Militar Loja e a Agência de Regulamentação e Controle de Mineração (ARCOM) apreenderam maquinário e material utilizados em trabalhos ilegais de extração de sílica e contaminação direta no rio Nangaritza, na província de Zamora Chinchipe. Não houve detidos, mas as autoridades do ARCOM neutralizaram as dragas e os veículos empregados para escavar o rio.

“Tudo isso é feito com o propósito de evitar as atividades de mineração à margem da lei”, assinalou o Tenente-Coronel do Exército do Equador Carlos Jácome, comandante do Grupo de Cavalaria Mecanizada Nº 18 Caçadores de Los Ríos. “Com as operações, buscamos preservar os recursos naturais do país.”

No dia 11 de abril, na mesma província, membros do Batalhão de Selva Nº 62 Zamora, do Destacamento de Inteligência Militar Zamora, da Polícia Nacional do Equador e funcionários do ARCOM realizaram outra operação na qual encontraram um maquinário pesado utilizado em mineração ilegal a céu aberto. O ARCOM procedeu à desativação e colocação de lacres em uma retroescavadeira, duas hidrobombas e uma classificadora de material.

“As ameaças na área não estão limitadas à mineração ilegal; elas incluem também atividades como tráfico de hidrocarbonetos, substâncias psicotrópicas, armas, munições e explosivos”, disse à Diálogo o Tenente-Coronel do Exército do Equador Freddy Cabascango Ponce, comandante do Batalhão de Selva Nº 62 Zamora. “A mineração ilegal é, particularmente, uma atividade de alto risco, por isso a combatemos.”

A mineração ilegal resulta na contratação de menores de idade e é uma ameaça à ecologia do lugar, pela contaminação de rios e aquíferos, segundo o Ten Cel Cabascango. Além disso, as organizações delinquentes trabalham de maneira informal, sem autorização do governo para funcionar, operando sem as devidas inspeções e sem conformidade com as normas de segurança.

Terreno desafiador

O terreno de selva e montanhoso da província de Zamora Chinchipe é uma zona de grande riqueza mineral, atraente para as quadrilhas criminosas que operam na zona. A região, localizada ao sudeste do Equador, conta com cerca de 10.500 quilômetros quadrados em uma parte da bacia amazônica do país.

O Tenente-Coronel do Exército do Equador Freddy Cabascango Ponce (à dir.), comandante do Batalhão de Selva Nº 62 Zamora, está à frente de uma operação conjunta e interagências contra a mineração ilegal. (Foto: Batalhão de Selva Nº 62 Zamora, Exército Equatoriano)

Na mesma província, porém a uma altitude de 2.600 metros acima do nível do mar, localiza-se a zona de mineração de Nambija. A região possui uma concentração de mais de 10.000 pessoas por quilômetro quadrado, que, na maioria dos casos, trabalham de forma irregular.

Para chegar no local, é necessário percorrer trilhas de terra que margeiam precipícios, onde grupos de mineiros ilegais exploram o solo sem protocolos de segurança. Eles detonam dinamite sem fazer estudos prévios de solo nem de impacto ambiental. Além disso, a zona tem alto risco de desmoronamentos.

“Temos um destacamento designado para essa área, que realiza patrulhamento de forma permanente e que opera junto com as autoridades civis e a polícia”, assegurou o Ten Cel Cabascango. As forças da ordem devem combater também a comercialização ilegal de madeira e de espécies animais protegidas.

Campanhas em 2018

Até meados de maio de 2018, o Batalhão de Selva Nº 62 Zamora registrou 10 operações na província de Zamora Chinchipe, nas quais interrompeu trabalhos ilegais e desativou um maquinário que entregou às autoridades civis. Na área de Chinapintza, realizou apreensões de dinamite e de rolos de pavios para detonações. Nas zonas de Nangaritza, Shincata, Naguipa Bajo, Nuevo Quito e Zumbi, o batalhão confiscou máquinas retroescavadeiras, bombas hidráulicas, equipamentos de dragagem, combustível e madeiras de lei, entre outros.

“Coloquei em prática ao máximo os conhecimentos de minha formação militar [para detectar] os que estão dedicados à mineração ilegal e os que infringem a lei de alguma forma, ao longo da Amazônia equatoriana”, disse à Diálogo o 2º Tenente do Exército do Equador Andrés Alfaro, que está há três anos no Batalhão Nº 62. “Realizamos nossas operações com sucesso, apesar das adversidades, graças ao treinamento contínuo de nossos soldados.”

Entre abril e maio, o ARCOM realizou 15 operações interagências contra a mineração ilegal na zona da província Zamora Chinchipe, em coordenação com o Exército, a polícia e outras instituições civis. Dezesseis pessoas vinculadas aos ilícitos foram detidas. O Batalhão de Selva Nº 62 Zamora participou de dez dessas operações.

No resto do país, durante o mesmo período, unidades do Exército deram apoio ao ARCOM para realizar 349 inspeções de verificação e identificação de atividades de mineração ilegal. Como resultado, desativaram, destruíram ou suspenderam mais de 100 máquinas e equipamentos. Os números são alentadores, pois de janeiro a junho de 2015 o ARCOM registrou apenas 55 operações de controle.

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