Militares do Equador e dos EUA trabalham juntos novamente

As forças aéreas de ambos os países renovam o intercâmbio de informação em operações, logística e manutenção de aeronaves Hércules C-130H e L-100-30.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 11 abril 2019

Relações Internacionais

Membros da Guarda Nacional de Kentucky e das forças aéreas do Equador e dos Estados Unidos realizam um intercâmbio de informação técnica sobre os programas de assistência em defesa. (Foto: Força Aérea Equatoriana)

A Ala de Transporte Nº 11 da Força Aérea Equatoriana (FAE) recebeu uma delegação da Força Aérea dos Estados Unidos e da Guarda Nacional de Kentucky na Base Aérea Cotopaxi, em Latacunga, entre os dias 21 e 24 de janeiro de 2019. O encontro teve como foco as operações das aeronaves Hércules tipo C-130 e L-100-30. “A reunião viabilizou a renovação das relações históricas de cooperação e amizade entre as instituições militares dos dois países”, disse à Diálogo o Coronel da FAE Mauricio Salazar, comandante da Ala de Transportes Nº 11. “O encontro se concentrou no intercâmbio de informação técnica dos programas de assistência em defesa, gerenciamento de publicações, capacitação e acesso aos sistemas de informação do grupo de coordenação técnica.” 

Um dos principais compromissos da FAE é a colaboração contra o narcotráfico transnacional. “Trabalhar novamente com a Força Aérea dos EUA fortalecerá [nosso] equipamento e as ferramentas para garantir a soberania do espaço aéreo e a integridade territorial, bem como reduzir a atuação das organizações criminosas”, acrescentou o Cel Salazar. 

Um ás na manga

Durante o encontro, os oficiais de ambos os países documentaram os serviços e os artigos de defesa nas novas cartas de oferta e aceitação (LOA, em inglês), que são atas utilizadas para consolidar acordos e contratos. O primeiro documento determinou as publicações de ordem técnica para as aeronaves Hércules C-130 e L-100-30 da FAE, fabricadas nos Estados Unidos. 

Os oficiais subscreveram mais duas cartas: uma para a aquisição de peças e reparação de sistemas táticos e outra para a manutenção técnica. “Agora temos um ás na manga, porque quando necessitarmos de reposições nos bastará apenas ativar essa LOA”, disse à Diálogo o Major da FAE Roberto Ortega, comandante do Esquadrão de Manutenção Nº 1121. 

Os militares americanos também prestaram assessoria na reparação e manutenção de motores, apesar de isso não constar do programa de trabalho. “A manutenção das aeronaves, dos motores e de outros sistemas complexos requer experiência técnica e de engenharia, habilidades que a Força Aérea dos Estados Unidos e a Guarda Nacional de Kentucky possuem”, disse o Cel Salazar. “É essencial manter atualizadas as cartas de aceitação, estreitar os laços de companheirismo e trabalhar em conjunto, para estarmos em dia tanto na questão técnica como na questão das peças de reposição para a manutenção.” 

Oficiais da Força Aérea dos EUA e da Guarda Nacional de Kentucky percorrem as instalações do hangar de manutenção da Ala de Transportes Nº 11 da Força Aérea Equatoriana (Foto: Força Aérea Equatoriana)

Ponto a favor

O Equador recebeu o primeiro C-130 em 1977. Nos últimos anos, este avião de transporte pesado foi o principal recurso de auxílio entre o Equador continental e as Ilhas Galápagos, face aos frequentes encalhamentos de navios, causados pelo leito marítimo vulcânico da região, informou a FAE em sua página na internet. As aeronaves de carga militares do Equador funcionam para transporte e apoio logístico. 

“Um tema que mereceu ser considerado foi a transferência de dois aviões C-130 que o Equador havia solicitado aos Estados Unidos em 2017”, informou o Maj Ortega. “A FAE tem interesse nestas duas aeronaves para fortalecer as capacidades de combate contra o crime organizado transnacional e de ajuda humanitária para as populações afetadas por desastres naturais. 

A Direção da Indústria Aeronáutica da Força Aérea do Equador (DIAF) demonstrou aos participantes a sua capacidade de realizar a manutenção principal das aeronaves com pessoal qualificado no país. “Esse é um ponto a nosso favor, porque no caso de adquirirmos o material de defesa, seremos capazes de executar a manutenção principal”, disse o Maj Ortega. 

Desde maio de 2018, a FAE iniciou os processos de manutenção de mais de uma dezena de aeronaves de combate e transporte. Como parte do plano para aumentar o potencial da frota aérea, a DIAF realiza os reparos em um C-130 Hércules. 

O Cel Salazar disse que a FAE, a Força Aérea dos EUA e a Guarda Nacional de Kentucky concordaram em retomar o intercâmbio de pessoal operacional e técnico para contribuir para o trabalho diário de cada força. “Definimos a área de treinamento, pois em um mundo globalizado, onde já não existem fronteiras ou barreiras, todos nós dependemos de [todos de] uma forma ou de outra. Tanto a FAE quanto a Força Aérea dos EUA sempre estamos em contínuo aprendizado.”

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