Nações parceiras treinam juntas para salvar vidas

Membros das forças aéreas de 12 países se reuniram na Colômbia para o exercício multinacional Ángel de los Andes II.
Myriam Ortega/Diálogo | 5 outubro 2018

Capacitação e Desenvolvimento

Participantes do exercício multinacional Ángel de los Andes II evacuam os feridos por helicóptero durante um terremoto em um cenário simulado, no início de setembro. (Foto: Força Aérea Colombiana)

As forças aéreas de 12 países reforçaram suas capacidades de resgate e interoperabilidade em missões simuladas de emergência e grande perigo, no âmbito do exercício multinacional Ángel de los Andes II. Liderado pela Força Aérea Colombiana (FAC) e realizado entre os dias 3 e 14 de setembro nos planaltos dos estados de Cundinamaca e Boyacá, o exercício reuniu mais de 400 participantes, 15 aeronaves de asa fixa e seis de asa rotativa.

Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Equador, Estados Unidos, França, Peru, República Dominicana e Uruguai participaram do exercício, que procurou padronizar e aperfeiçoar as destrezas das unidades nas missões de resgate após desastres naturais e de busca e resgate em combate. Os participantes – entre militares, médicos e observadores – realizaram 197 missões com um total de 187 horas de voo.

“O Ángel de los Andes é um exercício internacional liderado pela FAC”, disse à Diálogo o Tenente-Coronel da FAC John Jairo Báez Gómez, comandante do exercício. “O objetivo é treinar as capacidades dos diversos países em missões de assistência humanitária, resgate de pessoas em emergências ambientais, extinção de incêndios e também em missões de resgate de tripulações ilhadas ou que caíram em ambiente hostil.”

Cenários simulados de resgate

Entre os exercícios realizados, os participantes concluíram a simulação de um acidente aéreo. Segundo o cenário, um avião se acidentou com 45 passageiros na rota entre Barranquilla e Bogotá. A operação de resgate foi formada por integrantes de 150 unidades do Brasil, da Colômbia, dos Estados Unidos e do Peru. Foi realizada ainda a missão para a retirada dos feridos com helicópteros UH-60 Black Hawk e Bell 212 da FAC e da Força Aérea do Peru (FAP) desde o local do acidente até a pista onde eram aguardados pelas aeronaves médicas, como o C-17 dos EUA, para trasladar as vítimas para os hospitais.

“Na realidade, essa foi a primeira vez em que participo de um exercício dessa magnitude”, disse à Diálogo a 1º Tenente da FAP Romina Feijoo Ojeda, piloto de helicóptero Bell 212. “É muito reconfortante saber que muitos países participaram em conjunto com um só objetivo: salvar vidas.”

Equipes de resgate das forças aéreas da Colômbia, dos Estados Unidos, do Peru e da República Dominicana também enfrentaram um terremoto simulado de 6.9 graus na escala Richter, que deixou mais de 30 pessoas feridas que foram evacuadas. O exercício consistiu em operações de resgate para retirar as pessoas das áreas em colapso ou presas dentro de veículos, bem como no lançamento de carga humanitária a partir de aeronaves.

Outro exercício consistiu na extinção de um incêndio florestal que testou as capacidades dos sistemas de combate ao fogo Bambi Bucket instalados nos helicópteros Huey II e UH-60 Black Hawk, além do Sistema Aéreo Modular contra Incêndios instalado em um Hércules C-130. A missão contou com a participação de aeronaves não tripuladas ScanEagle, que transmitiram informações em tempo real ao centro de comando.

No centro de comando do Ángel de los Andes II, oficiais recebem informações em tempo real sobre um incêndio simulado, graças às aeronaves não tripuladas ScanEagle. (Foto: Força Aérea Colombiana)

Além das missões humanitárias, os participantes realizaram operações de busca e resgate em combate, como a simulação de um ataque a um comboio de veículos militares que deixou vários feridos em um cenário de guerra. As unidades realizaram um assalto aéreo e o desembarque da tropa por rapel a partir de helicópteros para efetuar a segurança da área antes de resgatar as pessoas afetadas.

“Para mim, o mais interessante dessa experiência foi durante a segunda semana, quando houve o resgate em combate, porque ele requer mais concentração e preparação em doutrina e desenvolvimento dos procedimentos”, explicou a 1º Ten Feijoo. “É algo que nós [no Peru] devemos aprender e continuar desenvolvendo e melhorando a cada ano, para que possamos estar preparados da melhor maneira na eventualidade de uma situação.”

Futuro promissor

“Essa foi uma excelente oportunidade para treinar com as nossas nações parceiras”, disse o Coronel da Força Aérea dos EUA Brett Howard, líder do contingente das Forças Aéreas do Sul para o Ángel de los Andes II. “Enfrentamos muitos desafios, [mas] fomos capazes de aprender como superá-los juntos para o sucesso da missão.”

Realizado pela primeira vez em 2015, o exercício, em sua segunda edição, contou com a participação inédita dos meios aéreos dos países convidados. Além disso, o número de unidades destacadas quase dobrou, pois passou de 250 para mais de 400.

“As nossas aeronaves conseguiram operar com as outras aeronaves, os nossos comandos com os demais comandos, portanto as lições aprendidas [foram] todas”, disse o Ten Cel Báez. “Há lições que foram aprendidas do ponto de vista administrativo, logístico e obviamente operacional, as quais estão sendo recopiladas para alimentar a nossa doutrina e promover mudanças nos procedimentos, se for necessário.”

Sob a liderança da FAC, o exercício Ángel de los Andes se projeta como um treinamento de grande envergadura no âmbito regional. A próxima edição será realizada em 2021.

“Tenho a certeza de que na próxima edição, que será dentro de três anos, teremos a visita de mais países ou de mais delegações que trarão suas próprias aeronaves”, concluiu o Ten Cel Báez. “O que se espera no futuro para o Ángel de los Andes, para a FAC e para a Colômbia, como ponto de referência, é muito bom.”

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