Países das Américas enfrentam cenários de catástrofe ambiental

Mais de 450 civis e militares de 14 países das Américas participaram de simulações de emergência ambiental em Puerta Libertad, na província de Missões, Argentina, no âmbito da Conferência de Exércitos Americanos (CEA).
Juan Delgado / Diálogo | 20 agosto 2019

Resposta Rápida

Unidades dos exércitos de 14 países das Américas realizaram uma simulação de derramamento de produtos químicos, como parte de um exercício de emergência ambiental na Argentina. (Foto: Exército Argentino)

O Exercício Intercontinental de Operações Inter Agências de Proteção do Meio-Ambiente e dos Recursos Naturais, realizado no final de junho de 2019, teve como objetivo coordenar as respostas das forças participantes.

As práticas no terreno foram realizadas no âmbito da XII Brigada de Monte do Exército Argentino e contaram com a participação de oficiais da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, Estados Unidos, Honduras, México, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai.

“Estamos ganhando experiência, ideias e contribuições não apenas das agências nacionais, mas também de todos esses exércitos, o que nos permite aprender muito mais”, disse o General de Divisão Claudio Pasqualini, chefe do Estado-Maior do Exército Argentino.

Zonas vulneráveis

Segundo um estudo de abril de 2019 da Corporação Andina de Fomento – Banco de Desenvolvimento da América Latina, os países latino-americanos devem preparar-se melhor para garantir a segurança de seus habitantes, no evento de catástrofes naturais cada vez mais extremas. O relatório recomenda a participação dos países vizinhos para alcançar um maior entendimento do risco e desenvolver estratégias, entre outras sugestões.

O Relatório Global de Riscos 2019 do Fórum Econômico Mundial indica que os países da América Central e os da América do Sul no litoral do Caribe e do Pacífico encontram-se em zonas de mais alto risco de terremotos, tsunamis, ciclones, inundações e outros eventos naturais. Nos três primeiros meses de 2019, Argentina, Bolívia, Colômbia, Paraguai e Peru sofreram enchentes e deslizamentos de terra que afetaram milhões de pessoas. Na Argentina, por exemplo, foi evacuado um terço da população de seis províncias – mais de 3 milhões de pessoas –, segundo o relatório ReliefWeb, um serviço digital do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

Tomando em consideração eventos recentes na região, o exercício simulou um desastre natural, produto do aumento do curso dos rios Paraná e Iguaçu, no nordeste da Argentina, que causou transbordamentos e inundações que afetaram as vias de comunicação, os caminhos, as empresas geradoras de energia e os povoados afastados. Diante dessa situação, as autoridades locais solicitaram assistência para iniciar os trabalhos de planejamento e a elaboração de um plano de contingência.

Nadadores militares saltam de um helicóptero, como parte de uma simulação de resgate na água, durante um exercício internacional de emergência ambiental. (Foto: Exército Argentino)

Ações no terreno

Em uma primeira etapa, os participantes praticaram o resgate de pessoas que haviam caído na água e se encontravam em uma área de difícil acesso, utilizando cordas, cintos e outros recursos próprios para essa tarefa. Outra etapa consistiu na simulação do naufrágio de uma embarcação. A ação começou com o lançamento de nadadores militares de resgate a partir de helicópteros Bell UH-1H, os quais prestaram os primeiros socorros.

Por fim, foi planejado o acidente com um caminhão que transportava produtos químicos e causou o derramamento de substâncias perigosas. Foram feitos não apenas o resgate das pessoas, mas também a evacuação da região, o isolamento do local contaminado e, por fim, uma evacuação aérea.

“O conceito de complementaridade é vital nas emergências”, disse o Comandante Alberto Modino Iturralde, oficial da Unidade Militar de Emergências das Forças Armadas Espanholas. “Uma agência pode contribuir com ajuda psicológica, outra no aspecto humanitário e os exércitos com unidades de intervenção, transporte e apoio logístico. O conceito de que todos somamos em uma emergência é vital.”

Fortalecimento regional

Criada em 1960 como um fórum de comandantes dos exércitos do hemisfério ocidental, a CEA é uma organização militar internacional integrada por 22 países das Américas e do Caribe e quatro países observadores – entre eles a Espanha. A CEA realiza ciclos bianuais de conferências e exercícios especializados com o objetivo de melhorar a interoperabilidade. O ciclo 2020-2021 da CEA terá como tema principal as operações interagências, a proteção do meio-ambiente e dos recursos naturais.

“Desde que foi criada no Panamá, a CEA constitui um fórum de discussão e análise de ideias e temas de interesse, proporcionando-nos produtos de alto nível que são aproveitados por nossos exércitos, em função de suas características particulares e organizações”, disse o General de Brigada do Exército Argentino Aldo Ferrari, comandante da XII Brigada de Monte.

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