Costa Rica golpeia narcotráfico internacional

O acordo de patrulhamento combinado com os Estados Unidos e o recém-lançado Bloco Sul de nações foram fatores decisivos.
George Rodríguez/Diálogo | 25 abril 2018

Ameaças Transnacionais

Um oficial do Serviço Nacional de Guarda Costeira da Costa Rica custodia pacotes apreendidos com cocaína. Um dos volumes tem um dispositivo que transmite um sinal via satélite para que os traficantes possam localizar o carregamento em alto-mar. (Foto: Escritório de Imprensa do Ministério de Segurança Pública da Costa Rica)

Forças de segurança da Costa Rica realizaram uma operação marítima e terrestre em meados de abril de 2018, que permitiu o confisco de mais de 800 quilos de cocaína. As manobras do Serviço Nacional de Guarda-Costas (SNG) e do Serviço de Vigilância Aérea (SVA) costa-riquenhos contaram com o apoio de informações de inteligência fornecidas por autoridades de segurança colombianas.

Golpe em grande escala

A operação, de quase 12 horas de duração, foi desenvolvida em um setor do Oceano Pacífico frente à Península de Osa, no extremo sul da Costa Rica, quando autoridades costa-riquenhas receberam informações sobre uma embarcação que havia zarpado da Colômbia em direção à Costa Rica. A droga, distribuída em 35 volumes, foi localizada no dia 14 de abril de 2018 em uma praia de Osa.

O confisco se somou a outras operações recentes realizadas pelo SNG, incluindo um golpe entre 14 e 20 de fevereiro de 2018 em duas intervenções marítimas, onde mais de duas toneladas de cocaína foram apreendidas. As autoridades de segurança da Costa Rica descreveram a apreensão como o primeiro golpe em grande escala realizado ao narcotráfico internacional em 2018.

O primeiro confisco alcançou 1.256 kg, enquanto o segundo foi de 1.044 kg. As duas tarefas policiais do SNG contaram com o apoio das forças de segurança dos Estados Unidos, no marco do acordo bilateral de patrulhamento combinado, e dos parceiros do recém constituído Bloco Sul, entre Costa Rica, Colômbia, Equador e Panamá.

“Ambas as operações foram realizadas com êxito, apoiadas em informações de inteligência que permitiram conhecer em cada caso a rota sul-norte seguida pelas respectivas embarcações”, explicou à Diálogo o Comissário Martín Arias, diretor do SNG. “A cooperação dos Estados Unidos permitiu que os dados fossem transferidos em tempo hábil para a embarcação da Guarda Costeira dos EUA, que estava localizada em um ponto na rota, e isto possibilitou que elas fossem interceptadas. Não são dados para analisar, mas para responder de imediato.”

Policiais agrupam em um setor costeiro volumes de cocaína apreendidos durante uma operação marítima do Serviço Nacional de Guarda Costeira da Costa Rica. (Foto: Escritório de Imprensa do Ministério de Segurança Pública da Costa Rica)

Oitenta e dois por cento da produção de cocaína que vai até a América do Norte passa suas cargas pelo Pacífico. Neste caso, o destino específico das duas naves interceptadas é desconhecido. “Os países de saída podem ser a Colômbia ou o Equador; os países de destino podem ser Costa Rica, Guatemala ou México”, assegurou o Comissário Arias.

“As informações da inteligência vêm de um centro de operações conjuntas dos Estados Unidos e de países da América Latina”, acrescentou Arias. “Trata-se de uma força-tarefa combinada da qual participam diversas agências americanas como a Guarda Costeira, a Marinha e a Administração para o Controle de Drogas dos EUA, em colaboração com autoridades de nações parceiras latino-americanas.”

O Bloco Sul, instrumento-chave de coordenação

O Bloco Sul, impulsionado pela Costa Rica, está formado por quatro países com extensos mares territoriais no oceano Pacífico. Em conjunto, as águas soberanas das quatro nações latino-americanas cobrem uma área aproximada de 2,2 milhões de quilômetros quadrados. A região aloja abundante riqueza ecológica: 78 áreas marinhas costeiras protegidas, 92 por cento de todo o arrecife coral do Pacífico e várias ilhas declaradas patrimônio da humanidade. Por sua extensão, é utilizada por embarcações de narcotraficantes, para o tráfego ilegal de pessoas e por barcos de pesca ilegal.

“O Bloco Sul, como mecanismo de coordenação em matéria de segurança multinacional, incide de forma decisiva em tarefas como as duas operações marítimas”, disse à Diálogo o ministro de Segurança Pública da Costa Rica Gustavo Mata. “A eficácia do acionamento em conjunto dos quatro países, com a ajuda dos Estados Unidos, sob a égide dos acordos bilaterais de patrulhamento combinado, já capta a atenção de outras nações na área.”

Tal é o caso da Nicarágua, que “manifestou de maneira informal seu interesse em juntar-se ao bloco”, disse Mata. “Mas eu espero que se juntem à iniciativa os países da América Central em geral, porque o problema do tráfico de drogas é um problema de região e tem que ser entendido regionalmente”, precisou.

Enquanto isso, o SNG e o SVA continuam alertas, dispostos a reagir e iniciar operações a qualquer momento em que as nações parceiras o solicitem ou compartilhem informações. A Costa Rica não baixa a guarda ante as ameaças do crime organizado.

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