Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Costa Rica se fortalece como sócia estratégica da região

O país se prepara para assumir os desafios de segurança e combater o crime transnacional que assola o hemisfério ocidental.
Geraldine Cook/Diálogo | 12 janeiro 2017

O Capitão Juan Luis Vargas Castillo, diretor do Serviço de Vigilância Aérea do ministério de Segurança Pública da República da Costa Rica, chega à Conferência de Chefes das Forças Aéreas da América Central em Tucson, Arizona. (Foto: Relações Públicas da 12.a Força Aérea/Forças Aéreas do Sul)

O Capitão Juan Luis Vargas Castillo, diretor do Serviço de Vigilância Aérea do Ministério de Segurança Pública da República da Costa Rica, proporciona todo tipo de apoio aéreo em ações de segurança, mas isso não é apenas uma tarefa a mais para ele. É sua missão integral. Se a isso acrescentarmos que sua atuação protege o território nacional por ar, terra e mar, em apoio aos órgãos policiais do país, e oferece ajuda em missões humanitárias, seu trabalho se torna ainda mais complexo.

O Cap Vargas ingressou no Serviço de Vigilância Aérea em 1992 e, desde então, vem ocupando cargos importantes dentro da estrutura institucional. Desde janeiro de 2016, ele assumiu a direção do Serviço de Vigilância Aérea, entidade constituída pelos departamentos de operações aeronáuticas, manutenção aeronáutica e segurança aeroportuária.

O Cap Vargas conversou com a Diálogo durante a Conferência de Chefes das Forças Aéreas da América Central, realizada na cidade de Tucson, Arizona, entre 12 e 13 de dezembro de 2016. Ele destacou a importância de que seu país se converta em um sócio estratégico dos países da América Latina, em especial, na luta contra o crime organizado transnacional. Em sua opinião, a República da Costa Rica vem se preparando para enfrentar os novos desafios em questão de segurança que o hemisfério ocidental confronta.

Diálogo: Qual é a importância da presença da Costa Rica na Conferência de Chefes das Forças Aéreas da América Central?

Capitão Juan Luis Vargas Castillo: A importância da presença da Costa Rica nessa conferência é a de que já estamos sendo vistos como sócios estratégicos para combater o crime organizado em nível internacional. Para nós, é importante nossa participação nesta conferência para podermos começar a compartilhar informações delicadas com o resto de toda a região. Essa participação também é importante para mim, porque vamos começar a conhecer os chefes das forças aéreas, a nos encontrarmos pessoalmente – pois às vezes não é a mesma coisa dar um telefonema e se apresentar, sem saber realmente quem é essa pessoa com a qual se está falando – e então, dessa forma, depois de nos conhecermos pessoalmente, será muito mais fácil dar o telefonema.

A Costa Rica tem como prioridade número um ser aliada estratégica de toda a região na luta contra o crime organizado. É importante que a região saiba que nós também estamos participando e que essa é uma das prioridades de nossa nova missão.

É importantíssimo também poder compartilhar as informações com outras forças aéreas. A Costa Rica não possui exército e o mais parecido com essa instituição é a polícia, que desempenha funções de defesa do espaço aéreo e de segurança dos cidadãos. Esta é uma combinação interessante e complexa e estamos acostumados a exercer essas funções.

Diálogo: Quais são os problemas de segurança mais importantes que a Costa Rica enfrenta?

Cap Vargas: Sem dúvida alguma, nossa prioridade é a luta contra o crime organizado em todas as suas extensões criminosas. Estamos falando de narcotráfico, tráfico de mulheres e de um fenômeno que não se via na região, e muito menos na Costa Rica, que é a migração ilegal. Nós estamos enfrentando esse problema há alguns meses, já que recebemos um grande número semanal de migrantes transnacionais que vão para o norte. Antes eram migrantes cubanos, agora temos migrantes transcontinentais. Encontramos pessoas da África e do Oriente Médio que, em busca do sonho americano, chegam a países da América do Sul e começam sua travessia por terra até os Estados Unidos. Esses migrantes ficam na Costa Rica porque as fronteiras do norte se fecham para eles. Felizmente, já começamos a ter muita experiência nesse assunto e conseguimos diminuir bastante essa incidência migratória [ilegal].

A outra preocupação é a da prevenção, já que às vezes é muito mais econômico prevenir do que punir. Todos do Ministério de Segurança Pública estamos comprometidos com isso.

Diálogo: Com a experiência que a Costa Rica tem no combate ao crime transnacional, por exemplo, que tipo de cooperação regional estão implementando para se ajudarem mutuamente a resolver os problemas transnacionais?

Cap Vargas: Temos o Tratado Bilateral de Patrulha Conjunta com os Estados Unidos, assinado em 1999, com o qual temos tido enorme sucesso. Estamos realizando as primeiras reuniões com a Colômbia, para ter algum tipo de acordo bilateral, e estamos avançando em nossas conversações finais com o Panamá, para podermos assinar um acordo bilateral para o fortalecimento de nossas fronteiras e do espaço aéreo e marítimo.

Diálogo: Como tem sido a experiência da Costa Rica como membro observador do Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas (SICOFAA)?

Cap Vargas: Há muitos anos éramos observadores do SICOFAA. Atualmente, estamos trabalhando para ver a possibilidade de nos tornarmos membros novamente.

Diálogo: Qual é sua meta principal como chefe da Direção do Serviço de Vigilância Aérea da Costa Rica?

Cap Vargas: Temos muitas metas, incluindo a de nos atualizarmos quanto às diferentes problemáticas regionais e mundiais, como, por exemplo, a migração [ilegal] transnacional. Devemos nos adaptar e começar a enfrentar novos desafios. Quero que o nosso serviço seja líder na gestão de informações e que nos tornemos uma fonte de apoio para os demais países da região. Pretendemos que a região nos veja como o que somos, sócios estratégicos na luta contra o crime organizado, já que toda a região tem o mesmo problema e todos lutamos em diferentes setores. Contudo, o objetivo é o de lutarmos juntos para tornar mais difícil para o inimigo a sua atividade criminosa – para chamar de alguma maneira o crime organizado transnacional – e combater como uma única região conjunta e não separada.

Diálogo: O senhor gostaria de acrescentar algum comentário ou um convite as nações parceiras?

Cap Vargas: Agradeço por terem tomado em consideração a Costa Rica nesse novo processo. Espero que seja a primeira de muitas conferências, de muitas missões, e que comecemos a nos conhecer pessoalmente, para criar novos laços que fortaleçam os que já temos, e a trabalhar juntos pela segurança da região.

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