Costa Rica e EUA: aliados importantes na luta contra o narcotráfico

O Governo da Costa Rica fortalece sua capacidade com mais ferramentas para lutar contra as drogas.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 23 fevereiro 2017

Capacitação e Desenvolvimento

Para fortalecer suas operações contra o narcotráfico, a Costa Rica recebeu dos Estados Unidos equipamentos especializados de manutenção, capacitação e peças de reposição para a aeronave King Air F90. (Foto: Ministério da Segurança Pública da Costa Rica)

O governo dos Estados Unidos doou equipamentos e ferramentas ao Serviço de Vigilância Aérea (SVA) do Ministério da Segurança Pública da Costa Rica, para apoiar a população em casos de emergência e fortalecer o combate contra os grupos do crime organizado que utilizam o país como plataforma para o tráfico internacional de drogas.

A doação foi feita pelo Departamento de Defesa através da Embaixada dos Estados Unidos na Costa Rica, como parte dos acordos de cooperação entre os dois países. O anúncio foi feito em 19 de janeiro, em uma cerimônia realizada no Aeroporto Internacional Juan Santamaría.

A ajuda do governo norte-americano, calculada em mais de um milhão de dólares, inclui a entrega de equipamentos especializados de manutenção, capacitação, um pacote informático para manutenção aeronáutica e peças de reposição para a aeronave King Air F90, confiscada pela Polícia de Controle de Drogas com duas toneladas de cocaína em 2013, informou o Ministério da Segurança Pública da Costa Rica.

A minutos de distância

A partir da última semana de fevereiro, uma equipe com quatro pessoas do SVA será capacitada para controlar melhor as horas e ciclos de voo e a manutenção dos componentes principais da aeronave. O treinamento terá uma duração de oito semanas e será realizado por uma empresa local da Costa Rica.

“O apoio do governo dos EUA é fundamental. Agora mais do que nunca, o equipamento de nossas forças de segurança é primordial na luta contra o crime organizado e os grupos que trazem drogas ao nosso país”, disse à Diálogo o ministro de Segurança da Costa Rica, Gustavo Mata Vega.

Pela primeira vez nos últimos 30 anos, a unidade aérea King Air F90 permitiu aos funcionários de segurança realizar patrulhamentos até a Ilha do Coco, “uma área explorada não apenas pelo narcotráfico, mas também por diferentes organizações dedicadas à pesca ilegal, um problema muito importante para a Costa Rica”, enfatizou o ministro Mata. A aeronave permite aos membros do SVA chegar à ilha em 90 minutos, enquanto uma viagem de barco demora 36 horas.

Além disso, a aeronave é uma ferramenta fundamental em prol da cidadania, pois é utilizada ativamente para voos de ambulância em todo o país. A cabine pressurizada da King Air F90 é ideal para fazer transportes a centros de saúde especializados. “Essa ajuda recente [dos EUA] fortalece a capacidade operacional para realizar patrulhamento aéreo com mais rapidez e autonomia em águas profundas, para enfrentar o tráfico de drogas e o crime organizado na região do Pacífico e em missões humanitárias”, comentou à Diálogo o Capitão Juan Luis Vargas Castillo, diretor do SVA da Costa Rica.

A cooperação dos Estados Unidos demonstrou ser uma peça fundamental da estratégia da Costa Rica para lutar contra o narcotráfico e as organizações criminosas transnacionais. Devido ao aumento de voos ilícitos na Costa Rica, em setembro de 2016 as autoridades norte-americanas forneceram um radar de Alerta TPS 70 para detectar aeronaves que realizam voos ilícitos na parte norte do país centro-americano.

“Este sistema ajuda muito no monitoramento do espaço aéreo, feito pelo SVA. Sua instalação foi possível graças ao esforço do Ministério da Segurança Pública para acabar com as atividades ligadas ao tráfico de drogas”, indicou o Cap Vargas. “Precisamos fazer um monitoramento eficiente de nosso espaço aéreo e fortalecê-lo com mais radares para que a Costa Rica perca seu atrativo como ponte aérea para os traficantes que transportam drogas da América do Sul com destino aos Estados Unidos e à Europa.”

Cooperação futura

O Cap Vargas enfatizou que, além disso, o Escritório de Assuntos Internacionais contra o Narcotráfico e a Aplicação da Lei dos Estados Unidos colabora com o SVA na formação da Unidade Canina Antidrogas para fortalecer os quatro aeroportos internacionais da Costa Rica, além de aumentar as capacidades das unidades caninas antidrogas já em serviço.

A cooperação entre os dois países vem aumentando. O Departamento de Defesa dos EUA realizará a doação de duas aeronaves “Skytrucks” do tipo C-145 para reforçar as capacidades do SVA. As aeronaves bimotoras com capacidade para 16 pessoas, projetadas e fabricadas para a Força Aérea dos Estados Unidos, serão entregues à Costa Rica em 2018.

“Toda essa cooperação é bem recebida. No entanto, deve-se mantê-la como estratégia na luta contra as estruturas do narcotráfico, porque o crime organizado tem o poder econômico que lhe permite comprar mais facilmente uma tecnologia e equipamentos melhores para trabalhar”, disse o ministro Mata.

Os laços de cooperação deram grandes resultados nos últimos anos. Somente em 2016, o Ministério da Segurança Pública conseguiu apreender mais de 30 toneladas de cocaína, um aumento importante se comparado com 2015, quando as autoridades conseguiram apreender 15 toneladas de drogas, e de 2014, ano em que se apreenderam 26 toneladas, segundo dados do governo da Costa Rica. Os confiscos são o resultado do fortalecimento dos mecanismos de cooperação para a segurança entre a Costa Rica e os Estados Unidos, assim como os relatórios de inteligência entre nações parceiras. “Muitas dessas operações são o resultado da cooperação e o compromisso que temos com os Estados Unidos; recebemos uma grande porcentagem de apreensões e capturas contra as estruturas do crime transnacional”, ressaltou o Cap Vargas.

Para fortalecer a estratégia da Costa Rica na luta contra as drogas, em 7 de fevereiro o presidente Luis Guillermo Solís Rivera pediu ao Ministério da Segurança e a todos os seus funcionários que “não baixem a guarda” e incentivou os deputados da Assembleia Legislativa a implementarem o quanto antes a Lei de Extensão de Domínio, um instrumento legal que permitirá enfrentar melhor o crime organizado e o narcotráfico.

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