Congresso de Honduras oferece recompensas para informações sobre suspeitos de crimes

Lei determina que o Departamento de Segurança elabore uma lista com os criminosos “mais procurados” e divulgue retratos dos suspeitos por meio da imprensa. O departamento deverá oferecer uma recompensa por informações que levem a capturas.
Iris Amador | 7 julho 2014

Ameaças Transnacionais

Suspeito de homicídio: a Polícia Nacional de Honduras capturou Héctor Orlando Cruz Ríos, conhecido como “A Pantera”, em 6 de fevereiro. Pantera é suspeito de matar o vigilante de banco Jonathan Perdomo durante um assalto. Agentes da polícia também prenderam outros 10 suspeitos após o presidente Juan Orlando Hernández anunciar uma recompensa por informações sobre o paradeiro dos assassinos de Perdomo. [Foto: O Manzano]

Aprovada pelo Congresso hondurenho em 9 de abril, a “Lei de Recompensa” permite que a Polícia Nacional pague a pessoas por informações que levem à captura de suspeitos de assassinato. A legislação autoriza a Polícia Nacional a determinar o valor da recompensa.

O projeto de lei ainda precisa passar por uma segunda votação no Congresso antes de ser publicado no Diário Oficial para que entre em vigor.

A lei determina que o Departamento de Segurança elabore uma lista com os criminosos “mais procurados” e divulgue retratos dos suspeitos por meio da imprensa. O departamento deverá oferecer uma recompensa por informações que levem à captura de suspeitos e determinará o valor a ser pago.

Segurança de banco é assassinado

O Congresso aprovou a lei dois meses após a oferta de uma recompensa em dinheiro ter ajudado as autoridades a prender os suspeitos do assassinato de um vigilante de banco.

Em 1º de fevereiro, Jonathan Perdomo, vigilante de uma instituição financeira em Choloma, no departamento de Cortés, no norte de Honduras, abriu a porta para um homem que aparentava ser um cliente. A cena foi registrada por uma câmera de segurança do banco.

O homem carregava uma maleta preta sobre o ombro. Após os protocolos de segurança do banco, Perdomo pediu para ver o que havia dentro da valise. A câmera filmou o homem sacando uma arma, apontando na direção do vigilante e atirando. O primeiro tiro não acertou Perdomo, que caiu no chão enquanto tentava sacar a própria arma para se defender.

O homem com a arma disparou contra Perdomo e em seguida um segundo homem entrou e atirou na cabeça do vigilante.

Perdomo tinha 35 anos quando foi baleado na manhã de 1º de fevereiro, um sábado.

Quando os clientes do banco correram para se proteger, o primeiro agressor pulou no balcão para pegar dinheiro. Minutos depois, os dois criminosos saíram do banco caminhando calmamente. Eles teriam fugido em motocicletas, com dois cúmplices que os aguardavam do lado de fora do banco.

Suspeito capturado após presidente anunciar recompensa

Após o ataque brutal, o presidente Juan Orlando Hernández anunciou que a polícia estava oferecendo uma recompensa de US$ 12.500 (R$27.560) em troca de informações sobre o paradeiro dos criminosos. Em seu pronunciamento em rede de televisão, o presidente disse que faria uma contribuição pessoal ao dinheiro da recompensa.

O presidente, dirigindo-se diretamente aos assassinos, disse: “Peçam a Deus e às suas famílias que os perdoem, saiam do país se quiserem, mas vocês não continuarão a praticar violência aqui; eu repito, a festa acabou para vocês”.

Imediatamente após o anúncio da recompensa, a linha direta da Polícia Nacional começou a tocar. Várias ligações deram informações falsas, mas logo passaram a conduzir à direção certa.

Cinco dias após o homicídio, em 6 de fevereiro, agentes da Diretoria Nacional de Investigação Criminal (DNIC), da Polícia Nacional de Honduras, capturaram 11 membros da quadrilha suspeita de realizar o assalto ao banco.

Um dos suspeitos, Héctor Orlando Cruz Ríos, conhecido como “A Pantera”, é acusado de ser um dos atiradores. Quando a polícia o capturou, ele estaria calçando os mesmos tênis de cor marrom utilizados por um dos atiradores que dispararam contra Perdomo.

Pantera foi detido na cidade de El Progresso, localizada a 45 km de Choloma. Teria sido o primeiro homem a atacar Perdomo.

Pantera já cumpriu pena de 13 anos de prisão por assaltar um banco em La Lima, Cortés.

Ele teria confessado o assassinato de Perdomo.

A polícia também capturou Joel Bardales Chapas, 25, estudante de engenharia. Poucas horas após o assalto, os membros da quadrilha teriam se reunido na residência dos pais de Chapas para dividir o dinheiro roubado.

De acordo com as autoridades, Chapas também confessou sua participação no assalto. Ele disse que participou para poder pagar as despesas de sua formatura, que ocorreria em breve.

A Lei da Recompensa

O deputado Mario Pérez, vice-presidente do Congresso hondurenho, apresentou o projeto de lei para aplicar o sistema de compensação por informações no país logo após a polícia prender os suspeitos do assassinato de Perdomo.

Além de determinar a destinação de verba para as recompensas, a lei reforça medidas de segurança para proteger as pessoas que fornecem informações à polícia. Também determina que as agências nacionais de notícias publiquem, gratuitamente, os nomes dos suspeitos de crimes “mais procurados” e fotografias ou retratos falados desses criminosos.

Agentes da lei e seus familiares não poderão receber as recompensas previstas na nova legislação.

Segundo Billy Joya, analista de segurança privada, as recompensas podem incentivar as pessoas, inclusive criminosos, a fornecer informações à polícia.

“Geralmente a informação vem do mesmo submundo da criminalidade”, diz Joya. “Existe um padrão de comportamento, no qual outro criminoso conhece a pessoa, alguém pode ter um acerto de contas a ser feito com ela, ou até um membro de seu próprio grupo pode voltar-se contra ela. As autoridades aproveitam-se desse jogo de deslealdade.”

“Em um processo investigativo que tenha de cobrir etapas de ‘a’ a ‘z’, uma compensação é uma aposta se pode fazer, um dos vários recursos a serem empregados, mas é o somatório dos elementos que leva a um resultado bem-sucedido.”

As recompensas podem ser uma ferramenta eficaz contra o crime, afirma Joya. Cada situação é única, e a mesma abordagem investigativa não funciona em todos os casos, alerta.

Perdomo deixou seus pais, a esposa grávida e quatro filhos.

“Meu pai morreu trabalhando para nos dar comida”, disse seu filho de 14 anos de idade em entrevista ao Frente a Frente, programa de notícias de TV.

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