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Entrevista com Austin Branch, diretor sênior de Operações de Informações, Gabinete da Subsecretaria de Defesa para Operações Especiais e Conflitos de Baixa Intensidade
WRITER-ID | 1 maio 2013

O Sr. Austin Branch, diretor sênior de Operações de Informações do Gabinete da Subsecretaria de Defesa, durante sua visita a Diálogo, em abril de 2013. (Foto: Raúl Sánchez-Azuara/Diálogo)

Entrevista com Austin Branch, diretor sênior de Operações de Informações, Gabinete da Subsecretaria de Defesa para Operações Especiais e Conflitos de Baixa Intensidade

Em meados de abril, as divisões de Operações de Informações (IO) do Comando Sul dos EUA e do Comando Norte dos EUA realizaram em conjunto um Intercâmbio de Especialistas em Temas Específicos, reunindo representantes militares de dez países das Américas para discutir as lições aprendidas, as melhores práticas e os passos futuros dessa questão.

Austin Branch, diretor sênior de Operações de Informações do Gabinete do subsecretário de Defesa, veio a Miami para participar do intercâmbio e incentivar os participantes a trabalharem realmente em conjunto e transformar os planos em ações. O Sr. Branch também concedeu algum tempo especialmente a Diálogo para falar sobre esse tema.

Diálogo: Como o senhor visualiza os futuros rumos das Operações de Informações (IO)?

Sr. Austin Branch, diretor sênior, Operações de Informações: Atuar no âmbito de informações, não importa qual o componente crítico que seu Departamento de Defesa pretenda trabalhar no futuro, a era digital, a ubiquidade das informações… não temos outra opção senão tornarmo-nos capazes de competir nessa área, porque nossos adversários e outros agentes nos desafiam o tempo todo, e não podemos ignorar esse fato. Assim sendo, precisamos ser capazes de operar nesse espaço e precisamos ser eficientes. A parte difícil, o desafio, é o de como se pode mostrar um valor verdadeiro em uma empreitada que não propicia imediatamente oportunidades de se mostrar um impacto direto. É preciso um longo período de comprometimento persistente e contínuo para modificar o que estamos tentando negociar com relação ao nosso objetivo estratégico e, particularmente, para qualquer comando na área de operações.

Diálogo: Qual a importância da colaboração com as nações parceiras para as IO?

Sr. Branch: Para as operações no âmbito das informações, não se trata apenas de IO. Este é um termo militar, e o que é muito importante esclarecer, todos os nossos companheiros, amigos e parceiros internacionais talvez não tenham a mesma concepção do que seja IO, então prefiro deixar essa ideia de lado.

Quero ter certeza de que todas as pessoas estejam falando sobre nossa capacidade de operar efetivamente em um âmbito complexo de informações. Então, porque isto é importante para nossos amigos e nossos parceiros? Porque nós, os Estados Unidos, não temos o monopólio na área das informações; na realidade, talvez sejamos um dos países que mais tenham que lutar no campo das informações, porque somos muito vulneráveis. No entanto, precisamos colaborar com nossos parceiros; esta é uma proposição geral: EUA + parceiros. Eles são tão equiparáveis e tão interessados quanto nós em ser eficientes, porque se trata de uma questão global, portanto precisamos ser capazes de realizá-la. Eles também participam. Nossa capacidade de assegurar que temos potencial e conhecimentos equiparáveis é absolutamente essencial para garantir a segurança e a estabilidade nos diversos campos onde temos objetivos comuns. É simples assim.

Diálogo: Qual a importância desse intercâmbio para a missão de IO dos Estados Unidos na América Latina?

Sr. Branch: Bem, não é apenas uma missão de IO; é toda uma missão de comprometimento. Esse intercâmbio de informações, a transparência, a compreensão geral, a compreensão comum de como pensamos… esse ambiente de informações nos desafia, e como poderemos enfrentá-lo em comum? Não se trata apenas de darmos poder a eles; trata-se de uma capacitação mútua. Existem muitas ideias, muito desenvolvimento, nossos parceiros têm uma grande experiência que podem compartilhar conosco, então é um intercâmbio muito enriquecedor para nós e também para eles. Eu sempre procuro aprender quando estou em contato com nossos parceiros na América Central e América do Sul, porque esse espaço de informações engrandece o campo de ação, e nós não temos a vantagem estratégica. Estamos todos no mesmo nível.

Diálogo: O que os EUA podem aprender com seus homólogos em relação às IO?

Sr. Branch: Muita coisa. Bem, uma das coisas em que realmente não somos muito bons é que não compreendemos muito bem o público com o qual pretendemos trabalhar e nos adequar. Frequentemente nos detemos na imagem, fazemos suposições, e assim nossos companheiros e amigos podem compartilhar conosco e conhecer melhor os elementos da influência, os elementos, o desafio, os interesses, atitudes e comportamentos. Muitas vezes nos enganamos, portanto nos beneficiamos realmente com suas perspectivas, com suas experiências. Para nós, é mais importante ouvir do que falar. Precisamos passar o chapéu.

Diálogo: Qual é a maior lição que o senhor gostaria que as nações parceiras participantes do IO SMEE levassem para casa em relação às IO?

Sr. Branch: Atuar no âmbito das informações é muito complexo e, por ser tão difícil mensurar isto em curto prazo, elas devem voltar a suas sedes e lutar por isto. Devem dizer, “Ouçam, não importa o que estejamos fazendo, precisamos investir em tecnologia, em métodos, em aplicações; precisamos fazer parcerias, não apenas com os EUA, mas com outras nações, para que possamos aprender como operar nesse espaço. Estamos na era da informação. Construímos tanques na era industrial, estamos construindo capacidade para operar no campo das informações, através da rede ou outras ferramentas tais como mídia social, tudo isso no campo eletromagnético, a internet, tudo isso tem funções muito importantes, então como podemos ter certeza de que estamos fazendo tudo da maneira mais eficiente e adequada?

As nações parceiras precisam voltar para casa como vencedoras, porque há um consenso geral de que tudo isso é muito complexo. As pessoas simplesmente recuam e não querem se envolver, porque é muito difícil de se entender. Elas acham que se trata apenas de lidar com a internet, ou lidar com a mídia, mas é mais do que isso; é toda uma gama complexa de coisas, e é preciso que haja profissionais que saibam como reunir tudo para transformar em ciências exatas: o comportamento, a parte cognitiva, porque existem pessoas no outro extremo desses computadores. O que elas pensam, o que elas sabem?

É isso que elas devem dominar quando voltarem para casa e sair daqui sabendo que têm uma rede melhor de parceiros com interesses semelhantes. Assim sendo, quando saírem daqui, saberão que têm amigos não apenas nos Estados Unidos, mas na Guatemala, no Peru, no Panamá. Elas saberão quem são as outras pessoas que compartilham os mesmos desafios.

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