Marinha da Colômbia compartilha lições com Honduras

A capacitação fortalece a prontidão operacional da Força Naval de Honduras.
Kay Valle/Diálogo | 6 janeiro 2019

Relações Internacionais

Unidades da Força Naval de Honduras realizaram treinamentos na praia, como parte da instrução de três meses que fortalecerá suas capacidades operacionais. (Foto: Gabinete de Relações Públicas das Forças Armadas de Honduras)

Unidades da Força Naval de Honduras se beneficiaram com três meses de capacitação ministrada por dois oficiais colombianos. Os oficiais da Marinha Nacional da Colômbia, o Capitão-Tenente Andrés Bayona Parra e o Primeiro-Sargento do Corpo de Fuzileiros Navais Jorge Mario Valencia Taborda, compartilharam seus conhecimentos com alunos hondurenhos entre os dias 11 de setembro e 7 de dezembro de 2018, no Centro de Adestramento Naval (CAN) da Base Naval de Puerto Castilla, na baía de Trujillo, Honduras.

A instrução, realizada no âmbito do Acordo de Cooperação Marítima entre a Colômbia e Honduras, buscou incrementar as capacidades dos militares hondurenhos em operações fluviais e marítimas. Além disso, os cursos realizados reforçaram os laços de amizade entre ambas as instituições.

O objetivo é “adestrar oficiais, suboficiais e tropas em planejamento, condução e execução de operações especiais”, disse à Diálogo o Capitão-Tenente da Força Naval de Honduras Alfonzo Bonilla García, diretor do CAN. “[Também devemos] elevar o nível profissional nos campos tático e técnico na condução das tropas especiais, empregando a ciência e a arte do combate.”

Cursos intensos

Mais de 200 alunos, entre oficiais e suboficiais, participaram da capacitação que incluiu temas como inteligência, comando e operações em mar e terra. A instrução foi dividida em cinco cursos teórico-práticos e um seminário, com um total de quase 200 horas.

Entre os cursos, as unidades hondurenhas desenvolveram capacidades de inteligência e contra-inteligência naval, procurando orientar os processos de busca, análise e difusão de informações. O curso também permitiu identificar os níveis estratégicos, operacionais e táticos das operações navais em todo o território nacional.

O curso de Pelotões do Corpo de Fuzileiros Navais buscou ajudar os oficiais a verificar o treinamento e as capacidades de suas tropas para realizar operações navais. Segundo o CT Bayona, os alunos aprenderam a considerar os fatores missão, inimigo, tempo, terreno, tropas disponíveis, ambiente operacional e população civil. O objetivo, disse à Diálogo, é “realizar um bom planejamento e conseguir, assim, o cumprimento da missão encomendada pelo comando superior.”

Mais de 200 oficiais da Força Naval de Honduras participaram de um treinamento intenso de três meses ministrado por dois oficiais da Marinha da Colômbia. (Foto: Gabinete de Relações Públicas das Forças Armadas de Honduras)

Por outro lado, o curso de Operações Urbanas compartilhou as táticas necessárias para operar em áreas altamente povoadas e com obstáculos, tais como residências, comércios ou veículos, para identificar os cursos de ação necessários, considerando a segurança das pessoas. Um outro curso se concentrou nas operações na selva, onde os oficiais hondurenhos aprenderam a desenvolver procedimentos ofensivos e defensivos contra o inimigo.

Com os conhecimentos compartilhados, “é possível combater todas as ameaças nacionais e transnacionais, como o narcotráfico, o tráfico de imigrantes, o tráfico de pessoas, o tráfico de armas, o contrabando, entre outros”, disse o CT Bayona. “[Pode-se lutar contra] as [redes] que utilizam como meio de transporte as zonas marítimas, fluviais e costeiras, que são áreas de responsabilidade da Força Naval que afetam os interesses marítimos do país.”

Potencializar a Força Naval

Segundo o Capitão de Mar e Guerra da Força Naval de Honduras José Domingo Meza, diretor de Relações Públicas das Forças Armadas de Honduras, a instrução dada pelos oficiais da Marinha colombiana eleva o nível de preparo da Força Naval. “A Colômbia tem uma experiência considerável nos temas lacustres, terrestres e fluviais, e ser treinado por seus especialistas aumentará consideravelmente o potencial das Forças Armadas [de Honduras].”

O apoio da Colômbia permite fomentar o intercâmbio de informação entre os dois países, acrescentou o CMG Meza. Do mesmo modo, disse ele, fortalece as relações binacionais para podermos enfrentar juntos o narcotráfico e outros delitos correlatos na região.

Já o CT Bayone ressaltou a boa disposição dos oficiais hondurenhos. “São jovens inteligentes, disciplinados e com muita vontade de se tornarem cada dia melhores”, disse. “[Eles têm] ideias inovadoras para manter e melhorar a Força Naval de Honduras, com a finalidade de projetar um poder naval que cuide e garanta os interesses marítimos, fluviais e costeiros do país.”

Essa foi a segunda vez em que a Marinha da Colômbia ministra o mesmo conjunto de cursos aos oficiais hondurenhos. O CAN recebeu os instrutores colombianos pela primeira vez em 2016. Para 2019, o CAN solicitou alguns cursos – básico e avançado de operações fluviais e instrutores de artilharia naval, entre outros – que serão ministrados na Escola de Combate Fluvial do Corpo de Fuzileiros Navais da Colômbia.

“Os cenários são distintos [na Colômbia]”, concluiu o CT Bonilla. “Por essa razão, minha recomendação foi que nos certificassem como instrutores para criarmos um curso que se adaptasse aos meios logísticos, aos cenários e ao tipo de conflito que vivemos aqui.”

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