Marinha da Colômbia captura estrangeiros vinculados ao narcotráfico

Alguns dos indivíduos são procurados nos seus países de origem
Myriam Ortega/Diálogo | 10 junho 2019

Ameaças Transnacionais

Unidades da Marinha Nacional da Colômbia capturaram 11 estrangeiros vinculados ao narcotráfico no Pacífico colombiano, no dia 23 de abril de 2019. Os indivíduos foram levados a Güapi, estado de Cauca, para serem indiciados. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

A Marinha Nacional da Colômbia não dá trégua à sua luta contra as ações dos grupos criminosos organizados transnacionais que ameaçam a segurança da região. Uma das suas últimas conquistas ocorreu no final de abril, quando as unidades capturaram 11 estrangeiros a serviço do narcotráfico na América Central.

Membros do Batalhão Fluvial de Fuzileiros Navais Nº 42 da Marinha lideraram uma operação no dia 23 de abril de 2019 no município de López de Micay, no estado de Cauca, graças a um trabalho de inteligência da Marinha. Em uma residência, as unidades navais capturaram seis costarriquenhos, quatro nicaraguenses e um mexicano que, segundo a Marinha, coordenavam a logística para levar drogas para a Nicarágua e a Costa Rica, com destino aos Estados Unidos.

“A inteligência da Marinha nos permitiu localizar fisicamente uma casa em um lugar situado em uma vereda chamada Boca Grande, perto de López de Micay”, disse à Diálogo o Vice-Almirante da Marinha Nacional da Colômbia Antonio Martínez Olmos, comandante da Força Naval do Pacífico (FNP). “Envia-se um alerta às unidades da FNP, que realizam incursão na área e, evidentemente, com o elemento surpresa, fazem a captura.”

As Forças Militares encontraram 1 quilo de maconha na residência. Os indivíduos também portavam diversas armas, como fuzis MP5 calibre 5.56 milímetros, uma pistola Glock calibre 45 mm, cartuchos, bem como equipamentos de comunicação, informou a Marinha. Estas apreensões permitiram que as autoridades iniciassem o processo jurídico, acrescentou o V Alte Martínez, “com informações importantes que nos permitem estabelecer as atividades dessa rede de narcotraficantes que praticam crimes nesse setor do Pacífico colombiano.” 

O planejamento da operação

Em janeiro, a inteligência naval da Marinha identificou a presença de estrangeiros na área do Rio Saija, em López de Micay, o que deu início às atividades de buscas na região.

Alguns dos 11 capturados são procurados em seus países por vínculos com o narcotráfico e outros crimes, como porte de armas de fogo. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

“Segundo informação de inteligência, presume-se que os capturados já haviam feito contato com pessoas que eventualmente estavam envolvidas com o narcotráfico”, disse à Diálogo o Capitão de Mar e Guerra da Marinha Nacional da Colômbia Alexander Ramírez, comandante da Brigada de Fuzileiros Navais Nº 2. “Os indivíduos se reuniriam para coordenar com as organizações de narcotraficantes que atuam nessa área, especialmente em Timbiquí [Cauca].”

Com essa informação, as unidades navais começaram a realizar uma série de operações de controle fluvial nos muitos rios e riachos que servem como corredor para transportar as drogas e escapar do controle das autoridades.

“Seriam necessárias muitas tropas para poder realmente controlá-los. São centenas e quase milhares de estuários que convergem nesse litoral do Pacífico”, garantiu o CMG Ramírez. “Além das condições geográficas, existem redes de apoio a essas estruturas que obviamente [...] dificultam nosso trabalho.”

“O difícil é conseguir localizar essas pessoas. Quando obtivemos uma informação mais precisa de inteligência, planejamos as operações, colocamos elos de segurança, inserimos tropas e assim encontramos armamentos no setor de Boca Grande”, acrescentou o CMG Ramírez.

Os capturados foram levados a Güapi, Cauca, onde lhes foram imputados crimes por fabricação, tráfico ou porte de armas de uso privativo das Forças Armadas da Colômbia, informou a Promotoria Geral da Nação em um comunicado.

Alguns dos capturados são procurados em seus países de origem por terem vínculos com o narcotráfico e por crimes de porte ilegal de armas de fogo e furto. Segundo a Marinha, o indivíduo de nacionalidade mexicana, oriundo do estado de Sinaloa, tinha cumprido uma pena por ter sido detido no estado de Baja Califórnia Sul com mais de 1.347 quilos de maconha, na década de 1990.

“Mostra-se evidente, já que faz parte de uma investigação, que há vínculos desses indivíduos com essa atividade criminosa, como parte do crime transnacional, e sem dúvida fica claramente definido que a luta por parte da Marinha Nacional ou da Força Pública contra o narcotráfico não cessa”, concluiu o V Alte Martínez. “Temos instruções muito claras do governo para combater com todas as nossas capacidades, com todos os nossos recursos e com todo o espírito combativo dos nossos homens, esse câncer que é o narcotráfico, e que tanto mal causou ao nosso país.”

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