Marinha da Colômbia aumenta capacidades com navios feitos sob medida

Os navios projetados e fabricados pela indústria naval colombiana atendem às necessidades operacionais de ajuda humanitária e interdição da Marinha.
Yolima Dussán/Diálogo | 7 setembro 2018

Capacitação e Desenvolvimento

O ARC Bahía Colombia, projetado para realizar operações de ajuda humanitária e exercícios militares, foi batizado no dia 23 de julho de 2018. (Foto: COTECMAR)

A Marinha da Colômbia tem um novo Navio de Desembarque Anfíbio Unidade de Reação Rápida desde 23 de julho de 2018. O navio foi batizado como ARC Bahía Colombia, em alusão à baía localizada no sul do golfo de Urabá. Ele foi projetado para aumentar as capacidades da frota naval, com embarcações de alto desempenho e pequeno calado, capazes de realizar exercícios de interdição marítima em zonas de difícil acesso. O navio também incrementará as operações de trabalhos humanitários no litoral e regiões ribeirinhas, principalmente na região do Pacífico, para onde foi designado.

O ARC Bahía Colombia é um navio equipado com dois sistemas de propulsão, um para o lado de bombordo e outro para o de estibordo. Cada sistema de propulsão é formado por um eixo cardânico que transmite a potência do redutor até um sistema de propulsão a jato, para garantir a velocidade necessária e a integração do sistema de impulsão.

“O sistema de propulsão é considerado uma característica inovadora”, explicou à Diálogo o Vice-Almirante Enrique Ramírez Gáfaro, chefe de operações da Marinha da Colômbia. “Ao não empregar propulsão convencional como a hélice, a embarcação pode se aproximar das regiões costeiras sem apresentar inconvenientes nas manobras na praia e na navegação de baixo calado.”

A embarcação atinge a velocidade máxima de 9 nós por hora (quase 17 quilômetros por hora). Nessa velocidade tem uma autonomia para navegar até 1.500 nós marítimos (2.778 km) durante 20 dias com 51 pessoas.

“O navio é capaz de armazenar 15 metros cúbicos (15.000 litros) de gasolina”, explicou à Diálogo Wilson Álvarez, gerente de projetos da Corporação de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da Indústria Naval Marítima e Fluvial (COTECMAR) da Colômbia. “Ele contém uma grua telescópica de 12 toneladas, um gerador de emergência de 90 kW para trabalhar também como gerador de porto, uma fábrica de dessalinização, uma estação meteorológica e um computador para monitoramento e diagnóstico de motores e geradores, entre outros.”

Missões efetivas

A COTECMAR construiu o ARC Bahía Colombia de acordo com as necessidades da Marinha Nacional da Colômbia. (Foto: COTECMAR)

O ARC Bahía Colombia tem um grande potencial para servir como plataforma de destacamento de missões de interdição no mar. Ele pode aumentar não apenas a cobertura da Marinha em seu espaço jurisdicional, mas também exercer uma presença efetiva por períodos de tempo superiores aos atuais, possuindo também uma capacidade de reação rápida no mar, quando no passado não havia essa possibilidade.

“Esse tipo de navio já desempenhou missões efetivas no combate às ações criminosas das organizações de narcotraficantes, dos grupos armados organizados e dos grupos residuais das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia”, disse o V Alte Ramírez. “[Agora] podemos entrar nas regiões, transportar as tropas e levar recursos que possibilitem operações ofensivas ao longo do litoral do Pacífico, onde só há comunicação via marítima, pois não existem estradas, condição da qual as organizações criminosas se aproveitam para praticar delitos.”

Além de navegar pelo litoral, o ARC Bahía Colombia poderá entrar nos afluentes que nascem na cordilheira ocidental e desembocam no mar. Ele também tem capacidade para transportar equipamentos e lanchas, inclusive para fazer desembarques nas complexas condições geográficas da região.

Projeto sob medida

O Bahía Colombia é o quinto navio construído pela COTECMAR e o sexto produzido no país nos últimos cinco anos. Em setembro de 2017, a Força Naval de Honduras recebeu um navio do mesmo tipo, o que foi um marco relevante para a indústria naval colombiana, como país exportador de produtos militares através de transferência de tecnologia.

“O avanço na construção desse tipo de embarcação cada vez mais equipada e com melhor desempenho é o resultado de dois fatores fundamentais”, explicou à Diálogo o Vice-Almirante da Marinha da Colômbia Javier Díaz Reina, presidente da COTECMAR. “Um dos fatores é conhecer em primeira mão os requisitos operacionais da Marinha, através de um diálogo com a instituição sobre o funcionamento dos navios construídos, e o outro é aplicar esse conhecimento para construir navios otimizados.” Os engenheiros navais conseguiram aumentar a capacidade dos motores geradores principais e de emergência no ARC Bahía Colombia, com uma atualização das tecnologias de controle. Eles instalaram também uma estação meteorológica integrada ao sistema de radar e conseguiram melhoras técnicas no sistema de ancoragem.

“Esse navio novo e potencializado nos permitirá aumentar o controle territorial e a presença ao longo dos 1.300 km do litoral da Colômbia sobre o Oceano Pacífico, onde a [ação] das organizações narcotraficantes não para”, concluiu o V Alte Ramírez. “A embarcação é fundamental para a missão da Marinha, permitindo que possamos exercer um maior controle do mar, onde deve ser feito o esforço principal.”

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