Autoridades da Colômbia confiscam cocaína no Caribe colombiano

As Forças Armadas da Colômbia encontraram mais de 300 quilos de cocaína em duas operações.
Myriam Ortega/Diálogo | 15 agosto 2018

Ameaças Transnacionais

As autoridades colombianas detiveram, durante a operação, um mergulhador (no centro) que pretendia amarrar os contêineres com cocaína no casco de um barco na baía de Cartagena. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

A Marinha Nacional da Colômbia recebeu um aviso de alerta sobre um bote que seguia para a baía de Cartagena com cloridrato de cocaína. Uma unidade subordinada ao Batalhão de Fuzileiros Navais Nº 12 saiu à meia-noite em busca do alvo. Em uma operação conjunta, as Forças Armadas encontraram 200 pacotes com entorpecentes no interior da lancha, que parecia pescar na baía.

“Vários pontos na baía de Cartagena foram verificados e uma lancha de fibra de vidro movida a remo foi interditada, disse à Diálogo o Capitão-de-Fragata (FN) Ever Sánchez, comandante do Batalhão Nº 12 do Corpo de Fuzileiros Navais. “No interior da lancha foram encontrados [quatro] contêineres de fibra de vidro com mais de 200 quilos de cloridrato de cocaína.”

Além dos contêineres vedados à prova d’água, as autoridades encontraram um propulsor submarino pessoal. Os contêineres tinham um sistema de fixação com o qual um mergulhador pretendia prender o carregamento na base do casco de um barco. O mergulhador tripulante da lancha e os 203 kg de cocaína confiscados foram postos à disposição da Promotoria de Cartagena. As autoridades supõem que o alcaloide pertencia ao Grupo Armado Organizado Clã do Golfo, que tem uma forte presença na região, informou o CF Sánchez.

Mais 100 kg

Em outra operação conjunta com a Polícia Nacional, no dia 16 de junho, a Marinha fez outro confisco de cocaína nas ilhas de Rosário, no estado de Bolívar, no Caribe colombiano. Depois de ter feito um trabalho de inteligência naval, as tropas do Batalhão de Fuzileiros Navais Nº 12, com o apoio da Estação da Guarda Costeira de Cartagena, encontraram drogas no piso falso de uma residência, segundo um comunicado da Marinha Nacional.

“Através de uma batida policial em uma casa, foi possível encontrar 100 kg de cloridrato de cocaína”, disse o CF Sánchez. Ao que tudo indica, a droga seria enviada à América Central em uma lancha tipo go-fast, informou a Marinha.

As Forças Armadas da Colômbia encontraram 100 quilos de cocaína em um depósito no piso falso de uma residência nas ilhas de Rosário. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

Os dois confiscos do Batalhão Nº 12 do Corpo de Fuzileiros Navais, que ultrapassam 300 kg de alcaloides, se somam a outros resultados obtidos no Golfo de Urabá. “O Batalhão Nº 16, com jurisdição na região de Urabá, já [confiscou] cerca de 7 toneladas de cocaína [de janeiro a julho de 2018]”, informou à Diálogo o Capitão-de-Fragata (FN) Sandro Alonso Gallardo, comandante da Brigada de Fuzileiros Navais Nº 1.

Cooperação chave

“O apoio da inteligência, o treinamento e a logística recebidos do governo dos EUA foram importantes para os confiscos. Quanto à inteligência, há um trabalho consolidado: o intercâmbio e o fornecimento de informações permanentes”, garantiu o CF Gallardo. “Recebemos também o apoio militar para o fornecimento de embarcações.”

As operações podem enfrentar situações de alto risco. “Por um lado, os criminosos cometem delitos e tentam eliminar tudo o que se aproxime deles; por outro lado, as condições climáticas podem atuar contra e dificultar a operação”, acrescentou o CF Gallardo. “Por exemplo, podemos perder homens no mar. Devemos encontrar uma solução para um barco virado à meia-noite.”

A baía de Cartagena é uma enseada marítima com vegetação de manguezais e uma grande riqueza fluvial no canal do Dique, e os criminosos se aproveitam disso para realizar suas manobras. Os militares estudam o terreno, os ventos, as marés e as correntes dos rios para realizar operações mais efetivas.

“[Os criminosos] estão permanentemente mudando os métodos utilizados para atingir seus objetivos; nosso desafio é estar sempre atentos a todos os cenários a partir da inteligência, a partir dos nossos controles”, disse o CF Gallardo. Além dos contêineres de carga com drogas, das caixas que podem ser fixadas aos cascos dos barcos e dos porões, os narcotraficantes também escondem a droga enterrada em praias pouco frequentadas para embarcá-la durante a noite. “É imprescindível fazer uma análise das condutas delitivas dos grupos e ser flexíveis diante das manobras que realizem, para continuar a desferir golpes contundentes contra essas estruturas”, concluiu o CF Sánchez.

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