Exército da Colômbia gradua primeira mulher piloto de Black Hawk

Uma nova geração de mulheres avança na carreira militar graças ao seu esforço e à política de transformação das Forças Militares.
Yolima Dussán/Diálogo | 10 outubro 2018

Capacitação e Desenvolvimento

A 2º Tenente Viviana Yesenia Forero é a primeira mulher piloto de Black Hawk do Exército da Colômbia. Ela faz parte do grupo de mulheres que ratificam a inclusão de gênero da instituição. (Foto: Exército Nacional da Colômbia)

A 2º Tenente do Exército Nacional da Colômbia Viviana Yesenia Forero Moncada terminou seu treinamento de especialização como piloto de asa rotativa no dia 26 de agosto de 2018, no Batalhão de Treinamento e Retreinamento de Aviação do Exército. Depois de ter feito o curso básico de piloto militar, ela terminou o treinamento de quatro meses para pilotar os helicópteros americanos UH-60 Black Hawk e tornar-se a primeira mulher do Exército a comandar uma destas aeronaves.

“É uma honra poder escoltar do ar os nossos soldados em terra; são eles que estão frente a frente com o inimigo no campo de batalha e nós, graças a essas aeronaves, somos o seu apoio”, disse à Diálogo a 2º Ten Forero. “É uma grande responsabilidade, como mulher, demonstrar nossas habilidades e capacitação para atuar como pilotos dos helicópteros mais importantes e reconhecidos em âmbito mundial.”

As forças colombianas utilizam os UH-60 Black Hawk em missões de assalto aéreo diurnas e noturnas em apoio às operações militares. Além disso, são as aeronaves preferidas para as evacuações aeromédicas, as missões de apoio humanitário e o combate a incêndios. 

O perfil procurado

Com quatro anos no Exército, a 2º Ten Forero entrou para a Escola de Aviação das Forças Armadas em fevereiro de 2017. Ela terminou com mérito o seu processo de formação na Escola Militar de Cadetes José María Córdova e enfrentou muito bem os desafios em inteligência militar na sua primeira missão, quando seus superiores lhe informaram que ela seria enviada para fazer o curso de piloto militar nas unidades de asa rotativa.

Para o Coronel do Exército da Colômbia Carlos Mauricio Salgado, comandante do Batalhão de Treinamento e Retreinamento de Aviação do Exército, a admissão da 2º Ten Forero no curso tático e técnico para pilotar helicópteros Black Hawk representou um novo desafio e uma responsabilidade maior. Com 14 anos de experiência como instrutor certificado pelo Centro de Excelência de Aviação do Exército dos EUA em Fort Rucker, Alabama, esta seria a primeira vez que ele treinaria uma mulher.

“Quando [a 2º Ten Forero] chegou ao batalhão, eu corroborei que ela tinha o perfil para ser piloto de Black Hawk. Fiquei impressionado com o seu compromisso com o treinamento e o seu nível de profissionalismo”, disse à Diálogo o Cel Salgado. “Ela fazia perguntas o tempo todo, queria saber tudo sobre a aeronave e seus sistemas. Seu tempo livre foi utilizado para fazer pesquisas sobre a aeronave. Quando visitamos as oficinas onde o helicóptero estava desarmado, ela já tinha as informações claras e havia entendido os sistemas.” 

Do “voo solo” ao melhor helicóptero

O Coronel Carlos Mauricio Salgado, comandante do Batalhão de Treinamento e Retreinamento de Aviação do Exército, comprovou que a 2º Tenente do Exército Viviana Yesenia Forero tem o perfil adequado para ser a primeira mulher piloto de Black Hawk da instituição. (Foto: Exército Nacional da Colômbia)

A 2º Ten Forero lembrou-se do dia do “voo solo”, o exercício definitivo, no qual ela iria pilotar a aeronave com outro companheiro, mas sem instrutor. Isso ocorreu no final do seu treinamento básico. “Foi uma experiência gratificante. Coube realizá-la com um companheiro da Força Aérea do México. Fizemos dois voos com manobras especiais. Quando voltei ao solo, minha família estava ali. Senti uma grande emoção. Foi o primeiro voo dos que fizemos o curso básico militar com a equipe Bell TH-67 CREEK, um grupo formado por representantes de seis países.”

Depois desse treinamento, ela se capacitou como piloto de Black Hawk, com 162 horas de voo. A próxima etapa é se tornar piloto de comando, o que significará voar 1.000 horas em um período aproximado de cinco anos. Confiante de que conseguirá, ela sabe claramente o que virá depois: ser a primeira instrutora de helicópteros Black Hawk do Exército da Colômbia.

“Quando entro na aeronave, não penso em mais nada; somos ela, a missão e eu. Estou concentrada no sucesso da operação, nas características do voo, se ele será feito por regras visuais ou por instrumentos”, disse a 2º Ten Forero. 

Capitão da FAC

A Capitão da Força Aérea Colombiana (FAC) Alejandra Charry Guilombo comanda um helicóptero UH-60 Black Hawk do Esquadrão de Operações Especiais há mais de dois anos. Ela foi a primeira e, até o momento, a única mulher piloto da FAC no comando de um Black Hawk.

“Cada vez mais mulheres estamos no comando dos controles dessa aeronave. O número parece pequeno, mas vamos aumentando”, disse à Diálogo a Cap Charry. “Dou as boas-vindas à 2º Ten Forero. Quero lembrar-lhe que ela foi selecionada para abrir um caminho. Somos uma geração convocada para romper paradigmas.”

A Cap Charry tem mais de 2.000 horas de voo, 600 no comando dos UH-60. “As mulheres pilotos colombianas levamos muito a sério o compromisso, a responsabilidade, a paixão e a emoção que experimentamos ao cumprir a missão encomendada, quando conseguimos retirar as pessoas, quando sabemos que transportamos na aeronave vidas que confiam em nós e em suas forças militares”, concluiu.

As duas mulheres pilotos têm em comum a certeza de que a relação com seus homólogos masculinos já transformou as Forças Armadas do país, onde existe igualdade de condições, de capacidades e de oportunidades. As relações com seus companheiros superiores e subalternos têm um nível profissional de profundo respeito.

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