Exército da Colômbia desmantela três laboratórios de cocaína

As Forças Militares da Colômbia aumentaram o número de operações com uma visão integral do narcotráfico em toda a cadeia de produção.
Yolima Dussán/Diálogo | 17 maio 2018

Ameaças Transnacionais

Por meio do microtráfico, a droga chega a várias zonas de Medellín, capital do estado de Antioquia, onde gera violência, homicídios e insegurança urbana. (Foto: Quarta Brigada, Exército Nacional da Colômbia)

O Exército Nacional da Colômbia localizou e desmantelou de forma simultânea três laboratórios de produção de pasta base de cocaína, pertencentes aos grupos armados organizados (GAO) Los Pelusos, Clã do Golfo e Los Puntilleros. As operações foram realizadas no dia 9 de abril de 2018 em três estados no âmbito do Plano Victoria, seguindo a estratégia delineada pelo Sistema de Ameaça Persistente (SAP), denominação do Estado colombiano às ameaças do pós-acordo.

Unidades do Batalhão de Combate Terrestre Nº 9 destruíram um laboratório para o processamento de pasta base de cocaína do GAO Los Pelusos, no município de Sardinata, no estado Norte de Santander. No local foram encontrados 800 litros de base de cocaína em processamento e 420 litros de gasolina. Los Pelusos são um GAO dedicado ao narcotráfico e associado à guerrilha do Exército de Liberação Nacional (ELN).

Uma segunda estrutura foi desmantelada pela Décima Sétima Brigada no município de Dabeiba, estado de Antioquia. Nessa ocasião, as tropas chegaram a um laboratório de pasta base pertencente ao Clã do Golfo, onde apreenderam 540 litros de base de cocaína em processamento.

“O narcotráfico é o combustível do conflito que o país vive”, disse à Diálogo o General-de-Brigada Juan Carlos Ramírez Trujillo, comandante da Quarta Brigada. “Se há cocaína, há violência, e se há violência, há conflito; se quisermos ter um estado, umas áreas e um país sem violência e sem conflito, teremos que acabar com a coca.”

O terceiro laboratório foi localizado no município de Cumaribo, estado de Vichada, onde tropas da Oitava Divisão encontraram uma estrutura em plena produção, utilizada pela organização Los Puntilleros. Em seu interior foram encontrados 350 quilos de folhas de coca e 700 litros de base de coca em processamento.

“É um trabalho executado de maneira conjunta e interagências entre as forças do país e diferentes instituições do Estado”, manifestou à Diálogo o Coronel Miguel Ángel Vásquez Acevedo, comandante da Vigésima Oitava Brigada do Exército Nacional da Colômbia. “Temos efetuado operações contra Los Puntilleros orientadas para processos judiciais.”

Los Puntilleros foram identificados pelas autoridades em 1980. Estão concentrados na região de Orinoquia, na parte leste do país. O GAO opera por meio de duas frentes: o Bloco Meta e o Bloco Libertadores de Vichada, formados por mais de 70 homens, entre os quais há integrantes dos grupos paramilitares conhecidos como autodefesas.

Antioquia livre de cultivos

A erradicação manual das plantas de coca e a localização dos laboratórios de produção de pasta base do alcaloide fazem parte de uma estratégia integral contra o narcotráfico. (Foto: Quarta Brigada, Exército Nacional da Colômbia)

O estado de Antioquia tem entre 2.500 e 3.000 hectares plantados com coca. “Erradicamos 200 hectares até agora em [maio de] 2018 e continuamos com a erradicação forçada em uma ampla zona. Tenho o objetivo de erradicar 700 hectares de coca em Ituango, Briceño, Valdivia e parte do Baixo Cauca, Caucasia e Cáceres”, comentou o Gen Bda Ramírez. “Em 2018, nessa zona onde operam outros grupos armados organizados como o restante das FARC [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia], efetuamos 358 capturas; do ELN, efetuamos mais sete. Com o resultado das intervenções mais recentes, completamos 12 laboratórios de produção de base de cocaína apreendidos nesse setor.”

No município de Ituango, estado de Antioquia, o Exército realizou 48 neutralizações do Clã do Golfo até fins de abril de 2018. A captura mais importante foi a do narcotraficante vulgo Móvil 9, reconhecido como o encarregado de coordenar todas as ações desse GAO no município.

O estado de Antioquia realiza uma campanha denominada “Antioquia livre de cultivos de coca”, liderada pelo governo do estado, com o apoio da força pública. A ofensiva é frontal; a cadeia do narcotráfico começa nos cultivos ilícitos e chega transformada por meio do microtráfico a várias zonas de Medellín, capital do estado, onde gera violência, homicídios e insegurança urbana.

“Em todo o país vêm aumentando as operações contra o narcotráfico. Esse é um delito transnacional que se transforma com grande celeridade, sendo necessário atacá-lo de forma constante”, manifestou o Cel Vásquez. “Reorganizamos as estratégias de forma permanente. Já não erradicamos com pulverização de glifosato usando aviões; agora fazemos uma erradicação manual, mais difícil. Os programas de substituição de cultivos deslancharam, mas isso leva tempo.”

Sistema de Ameaça Persistente

A estratégia atual para combater o flagelo se baseia na visão completa sobre a forma pela qual a cadeia produtora do narcotráfico se move. O SAP se refere a um conceito integral do problema e da forma de atacá-lo.

Até 2017, as Forças Militares da Colômbia viam os GAOs apenas em sua capacidade bélica; agora os vemos como um sistema composto por diferentes subsistemas. Os dois primeiros são formados por um armado e outro de comando e controle, onde se encontram os cabeças de nível principal, secundário e terciário. Há um terceiro subsistema de infraestrutura logística, dedicado à sustentação do grupo por meio de oficinas onde são feitos uniformes, botas e outros elementos logísticos de intendência, armamento e comunicações. O quarto subsistema identificado é financeiro e de rendas, todas ilícitas, provenientes da extorsão e de outros delitos. Completa a organização o subsistema de infraestrutura com suas áreas de operação, armazéns e acampamentos.

“Quando atacamos o Sistema de Ameaça Persistente, atacamos toda a cadeia. Um grupo não pode subsistir sem ter todos seus componentes funcionando”, explicou à Diálogo o Gen Bda Ramírez. Grupos especializados dentro do Exército se dedicam a operações pontuais contra cada subsistema.

“Falamos de ameaça persistente quando definimos uma ameaça à segurança nacional, que é persistente porque se mantém”, finalizou o Gen Bda Ramírez. A partir dessa ótica, o Exército Nacional da Colômbia informa aos cidadãos todos os dias sobre suas operações coordenadas para golpear a cadeia do narcotráfico em uma arremetida sem data final, porém com o propósito de erradicar todos os hectares plantados com coca no território nacional.

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 2
Carregando conversa