Aviação do Exército da Colômbia alista primeira mulher piloto de helicóptero

A oficial possui conhecimentos, destreza e habilidade para responder de forma rápida e eficaz em suas missões.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 14 junho 2018

Capacitação e Desenvolvimento

A 2º Tenente Viviana Yesenia Forero Moncada da Aviação do Exército da Colômbia terminou o curso básico para pilotos de asa rotativa na Escola de Helicópteros para as Forças Armadas da Colômbia. (Foto: Exército Nacional da Colômbia)

Depois de nove meses de preparação, a 2º Tenente Viviana Yesenia Forero Moncada, da Aviação do Exército da Colômbia, concluiu no dia 6 de abril de 2018 o curso de piloto militar de asa rotativa em aparelhos Bell TH-67 Creek, tornando-se a primeira mulher piloto de helicóptero da sua força. A instrução ocorreu na Escola de Helicópteros para as Forças Armadas, localizada no Comando Aéreo de Combate Nº 4 da Força Aérea Colombiana, em Bogotá.

“As mulheres do Exército são um pilar fundamental e estratégico no cumprimento da missão institucional. [A 2º Ten Forero] demonstrou ter as mesmas capacidades que qualquer outro piloto”, disse à Diálogo o Brigadeiro Juan Vicente Trujillo Muñoz, comandante da Divisão de Aviação de Assalto Aéreo do Exército da Colômbia. “No curso básico de asa rotativa teve um desempenho destacado; ela reafirmou a tenacidade e disciplina da mulher militar.”

Graças ao trabalho que a 2º Ten Forero realizou na especialidade de Inteligência Militar e às suas qualidades de liderança e disciplina, seus superiores decidiram enviá-la para o curso de piloto na Escola de Aviação do Exército. Depois ingressou na Escola de Helicópteros, onde se tornou a primeira mulher piloto de helicóptero do Exército da Colômbia. “Não é um feito para mim ou para a mulher militar e sim para o Exército, que pode contar com mulheres nesse campo”, assegurou a 2º Ten Forero.

Um total de 14 alunos integrou o curso de pilotagem militar Nº 56: quatro oficiais do México, três da Colômbia, dois da Guatemala, dois de Honduras, dois da Costa Rica e um oficial da República Dominicana. O programa acadêmico é composto por cinco módulos: doutrina do emprego; sistemas da aeronave; operação de voo; fases tática, noturna, de visores e de voo por instrumentos. Cada módulo contém 22 missões.

Todos os pilotos adquiriram o conhecimento e a destreza para poder operar uma aeronave de asa rotativa, responder a situações de emergência de voo, manobrar em diferentes terrenos para controlar o helicóptero, compreender a terminologia aeronáutica e obter conhecimentos meteorológicos, entre outros aprendizados. Depois de superar cada uma das fases de preparação, os participantes concluíram com sucesso o curso. “Sinto-me orgulhosa e agradecida a Deus por completar a instrução que requereu muita exigência e sacrifício”, expressou à Diálogo a 2º Ten Forero, aluna do Batalhão de Treinamento e Retreinamento do Exército.

Um dos exercícios que colocou à prova as habilidades e destreza dos oficiais foi o de pousos noturnos. “É uma manobra que exige bastante concentração”, assegurou a 2º Ten Forero. “As manobras de controle exigem muito trabalho, pois é preciso voar com o sistema de visão noturna.”

As mulheres oficiais já são um ícone para as outras mulheres que compõem as forças militares. “Ser a primeira mulher piloto da Aviação do Exército é a ponta de lança para as mulheres e representa uma enorme responsabilidade: a de colocar no alto o nome das mulheres militares”, afirmou a 2º Ten Forero.

Caminho para a inclusão

A primeira mulher piloto da Aviação recebeu instrução na Colômbia em cinco módulos de treinamento para operar o helicóptero Bell TH-67 Creek. (Foto: Exército Nacional da Colômbia)

As Forças Armadas da Colômbia deram um passo para a igualdade de gênero no final do século 20, quando incorporaram mulheres em suas fileiras. No princípio, as mulheres chegaram à Aviação do Exército para cumprir funções administrativas; depois começaram a realizar tarefas de manutenção nas diferentes aeronaves.

Desde 2013 cumprem missões de voo em equipamentos de asa fixa e, a partir de 2018, nos helicópteros, com a 2º Ten Forero. “Tudo faz parte do processo de transformação e evolução da Aviação do Exército”, expressou o Brig Trujillo.

“A incorporação completa das mulheres nas forças militares é um processo que ainda está em andamento no setor de Defesa de muitos países do mundo; contudo, isto pode ser entendido como um reflexo dos avanços em matéria de igualdade, desenvolvidos em distintas áreas sociais e públicas onde antes as mulheres não podiam ingressar”, ressaltou o Brig Trujillo. “No entanto, na aviação, as mulheres incursionam em todas as áreas de trabalho e o número de mulheres em nossas fileiras cresce.”

Quase uma centena de mulheres militares colombianas cumprem funções de voo, manutenção, tráfego aéreo, segurança aérea, logística e medicina de aviação. O Exército tem duas mulheres com a patente de general. Na Aviação do Exército, a primeira mulher técnico de manutenção de helicópteros foi a Subtenente (R) Mayerlin Parra.

“Pouco a pouco integramos as mulheres nas diferentes especialidades do Exército. Ainda nos falta ter a primeira mulher lanceira”, comentou a 2º Ten Forero. “Estamos bem encaminhados na inclusão e cada vez mais presentes em todos os espaços das instituições militares.”

Transição para o Black Hawk

Desde a primeira semana de maio, a 2º Ten Forero realiza a transição para um equipamento de voo de asa rotativa no Batalhão de Treinamento e Retreinamento de Aviação. Durante quase dois meses a piloto colombiana reforçará seu processo de formação e preparação para comandar um helicóptero Black Hawk UH-60.

“É o equipamento em que quero voar e agora terei a oportunidade de fazê-lo. É um orgulho ser a primeira mulher piloto do equipamento Black Hawk”, comentou a 2º Ten Forero. Depois da transição, ela poderá desenvolver operações de apoio a combate, a serviços para o combate e a operações de assalto aéreo, de reconhecimento e de segurança. “Essas [mulheres] heroínas demonstram que são capazes de realizar qualquer tarefa”, ressaltou o Brig Trujillo.

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