Forças Armadas da Colômbia apreendem cocaína na Espanha

O confisco foi possível graças ao trabalho de inteligência e rastreamento da Marinha Colombiana.
Yolima Dussán/Diálogo | 8 junho 2018

Ameaças Transnacionais

A cocaína confiscada em Algeciras, na Espanha, pertencia a uma estrutura de narcotráfico com contatos em vários portos da Europa e associada ao Clã do Golfo. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

A ofensiva das Forças Armadas da Colômbia golpeou mais uma vez as organizações transnacionais do narcotráfico, em 25 de abril de 2018. Foram apreendidas 9 toneladas de cloridrato de cocaína camufladas em um contêiner que havia saído 15 dias antes do Golfo de Urabá, em Antioquia, na Colômbia, com destino a Algeciras, na Espanha, onde as autoridades desse país concluíram a operação conjunta.

Graças à inteligência proporcionada pela Colômbia, as autoridades do porto de Algeciras localizaram o maior carregamento de cocaína confiscado na Europa, tendo sido esta a maior apreensão de drogas feita na Espanha até esta data. A droga estava escondida em 1.080 caixas de bananas e tem um valor aproximado de US$ 500 milhões.

Cerco com resultados

Após o trabalho de inteligência e o cumprimento dos protocolos estabelecidos para operações combinadas, a Marinha Nacional da Colômbia alertou as autoridades espanholas quando iniciaram as manobras. O contêiner com as drogas estava sendo transportado na embarcação Lucie Schultle.

“Quero agradecer e parabenizar a Marinha Nacional e o Corpo Técnico de Investigação da Procuradoria Geral da Nação, os quais, com o apoio da Espanha e de outros países europeus e com as nossas informações, fizeram o rastreamento do contêiner dentro da lancha mencionada, que foi apreendida em Algeciras”, expressou o ministro da Defesa da Colômbia Luis Carlos Villegas, em uma entrevista coletiva à imprensa. “É um golpe que prova que o Clã do Golfo já não tem capacidade para colocar grandes carregamentos de cocaína nos mercados internacionais. Hoje, as grandes remessas são monitoradas desde que começa o seu carregamento até o momento em que são apreendidas pelas autoridades.”

A cocaína confiscada pertencia a uma estrutura de narcotráfico com contatos em vários portos da Europa e associada ao Clã do Golfo, de acordo com as informações do Ministério da Defesa da Colômbia. O cerco a essa organização ilegal permitiu que as Forças Armadas da Colômbia alcançassem resultados significativos entre novembro de 2017 e maio de 2018, intervalo de tempo em que o Clã do Golfo perdeu mais de 20 toneladas de cocaína interceptada. A primeira operação foi realizada em novembro de 2017 no porto de Algeciras, com a apreensão de 6 toneladas. Em março de 2018, em Turbo, na Colômbia, outra operação conseguiu apreender outras 6 toneladas; em seguida, mais 9 toneladas foram confiscadas, em abril de 2018, de novo em Algeciras.

Capacidades renovadas

A droga estava escondida em 1.080 caixas de bananas, em um contêiner na embarcação Lucie Schultle, que saiu do Golfo de Urabá, em Antioquia, na Colômbia. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

“Foram [criadas] novas estratégias, comprados equipamentos modernos para o rastreamento das embarcações, projetados protocolos para perfilar os navios e empresas exportadoras”, disse à imprensa o Almirante-de-Esquadra Ernesto Durán, comandante da Marinha Colombiana. “Isso nos permite adicionar ferramentas para produzir resultados.”

O rastreamento da Marinha Colombiana aos barcos suspeitos é o primeiro elo no processo de interrupção da cadeia do tráfico de drogas. É um processo contínuo com o intuito de atacar a estrutura superior de narcotraficantes, com a colaboração de todas as instituições e nações parceiras comprometidas na luta contra o flagelo.

“A cada dia, há mais países unindo-se à luta por via marítima. As redes europeias estão conectadas com as colombianas. Não existe nenhuma célula de narcotraficantes que atue sozinha; todas têm ligações. As investigações judiciais e os rastreamentos de inteligência são para atacar diretamente as estruturas”, manifestou o Alte Esq Durán. “O entrosamento entre vários sistemas de inteligência e os vínculos com todas as forças dos países melhoram os resultados.”

O lado espanhol

Algeciras é um porto europeu com alta atividade de narcotráfico. Sua localização, definida como um enclave geográfico estratégico por estar no Estreito de Gibraltar, ponto de contato entre o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico, propicia grande trânsito de mercadorias. O trabalho conjunto entre os dois países foi definido pelas informações iniciais obtidas pela inteligência naval colombiana, a partir da qual foram vigiadas as operações da empresa exportadora da mercadoria na Colômbia e da empresa importadora na Espanha.

“Após a apreensão do carregamento, solicitamos à Procuradoria Especial Antidrogas [da Espanha] a autorização para a entrega do contêiner”, disse o antigo ministro do Interior da Espanha Juan Ignacio Zoido. “Concluímos a entrega em Málaga, onde, no interior de um navio industrial, detivemos três pessoas relacionadas com a empresa, dois outros em Lyon, na França, e mais um em Algeciras, para um total de seis detidos.”

Villegas destacou os esforços da comunidade internacional para unir capacidades para alcançar objetivos contundentes. “As operações realizadas a partir do Caribe, somadas às numerosas operações que realizamos no Pacífico, em coordenação com o México, a América Central, o Equador, os Estados Unidos, o Canadá e quase todos os países da Europa, demonstram que estamos em pleno processo de desmantelamento. É um golpe forte ao narcotráfico, que cada dia encontra mais barreiras e controles”, finalizou.

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