Forças Armadas da Colômbia levam ajuda humanitária depois de inundações

A temporada de chuvas faz mais de 20.000 vítimas no leste colombiano.
Myriam Ortega/Diálogo | 13 setembro 2018

Resposta Rápida

A Força Aérea Colombiana levou ajuda humanitária aos municípios de Puerto Carreño, La Primavera, Santa Rosalía e Cumaribo, no leste da Colômbia. (Foto: Tenente-Coronel da FAC Fernando Mendoza, Centro Nacional de Recuperação de Pessoal)

As Forças Armadas da Colômbia vêm acionando mecanismos de ajuda desde a última semana de junho de 2018 para atender às populações do leste colombiano, que estão em condições de risco devido à temporada de chuvas. Cinco estados do leste foram afetados: Vichada, Guainía, Guaviare, Arauca e Casanare. As enchentes dos rios Meta, Orinoco, Bita, Inírida, Guaviare e Negro deixaram 20.000 vítimas, informou a Marinha Nacional da Colômbia em um comunicado.

“De acordo com o Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais e com a Direção Geral Marítima, os dados indicam que o nível do rio [Orinoco] chegou a 16 metros acima do nível máximo”, disse à Diálogo o Contra-Almirante da Marinha Nacional da Colômbia Antonio José Martínez Olmos, comandante da Força Naval do Leste. “Esse é um referencial histórico que mostra a magnitude dessa calamidade pública.”

As ajudas

“No dia 23 de junho recebemos o primeiro pedido de ajuda por parte da Unidade Nacional para a Gestão de Risco de Desastres”, disse à Diálogo o Tenente-Coronel José Luis Avendaño Hurtado, chefe de Evacuação e Transferência Aeromédica do Centro Nacional de Recuperação de Pessoal da Força Aérea Colombiana (FAC). “Estamos levando ajuda desde então. O Exército Nacional, com a Brigada de Selva Nᵒ 28, pôs à disposição todo o pessoal, caminhões, veículos e apoios aéreos.”

Até meados de agosto de 2018, mais de 100 toneladas de ajuda haviam sido distribuídas, incluindo alimentos não perecíveis, cobertores, kits de higiene, barracas de campanha e água. “E enviaremos muito mais. Falamos de uma vasta zona com mais de 3.000 quilômetros de rios que banham a região e estão com um nível altíssimo de inundação”, explicou o C Alte Martínez. “Enviamos também cerca de 180 pessoas [em aeronaves da FAC]”, acrescentou o Ten Cel Avandaño.

A Marinha Nacional, em coordenação com o Exército e a Polícia, ajuda as pessoas atingidas a levar seus pertences até um local seguro. São também feitos patrulhamentos para evitar roubos às casas e aos estabelecimentos abandonados. “Durante vinte e quatro horas por dia, esteja chovendo ou não, os fuzileiros navais, soldados e policiais têm que chegar até o último ponto para fazer uma evacuação, uma guarda, uma vigília ou uma proteção”, enfatizou o C Alte Martínez.

Puerto Carreño, no estado de Vichada, sofreu inundações com a enchente do rio Orinoco. (Foto: Tenente-Coronel da FAC Fernando Mendoza, Centro Nacional de Recuperação de Pessoal)

O território

As maiores inundações ocorreram em Puerto Carreño e em Puerto Inírida, capitais dos estados de Vichada e Gauinía, respectivamente. São povoados pequenos mas são as capitais dos maiores estados da Colômbia.

O estado de Guaínia tem mais de 72.000 quilômetros quadrados de extensão e não existem estradas até a capital. “Um meio de acesso é através de San José del Guaviare, localizado a 1.200 km por via fluvial, entre 12 e 15 dias [de trajeto]. Também se pode chegar por via aérea”, disse à Diálogo o Coronel do Exército Pedro Antonio Segura, coordenador de Gestão de Risco para a Orinoquía colombiana.

“Na FAC temos helicópteros e aviões que podem chegar a esses locais tão afastados; somos um elemento fundamental nesse sistema”, informou o Ten Cel Avendaño. “Utilizamos vários aviões, basicamente o C-40, que é um Boeing 737 de carga modificado. O Grupo Aéreo do Leste da FAC chega a locais de difícil acesso com helicópteros Huey II”.

O Exército e a Marinha distribuem a carga de ajuda transportada pelos aviões. O estado de Guainía já recebeu mais de 80 toneladas de ajuda humanitária com o apoio direto da FAC e da Marinha, com o Batalhão Fluvial do Corpo de Fuzileiros Navais Nº 50. “Temos mais de 14 voos diretos de Bogotá com a FAC e mais de sete voos com a Polícia Nacional”, garantiu o Cel Segura.

O estado de Vichada, que tem mais de 100.000 km2, recebeu 54 toneladas de ajuda, disse Edwin Idarraga, coordinador do gerenciamento de riscos do estado de Vichada. Ambos os estados também receberam mais de uma tonelada de produtos químicos para controlar a proliferação de vetores e doenças tropicais que surgem quando as águas começam a baixar.

Graças ao trabalho conjunto e interagências, as Forças Armadas conseguiram prestar assistência a 70 por cento dos habitantes atingidos. “Temos que nos esforçar por esses 30 por cento restantes da população que está dispersa, mas no momento temos capacidade de atingir essa meta em pouco tempo”, afirmou o presidente da Colômbia Iván Duque, em um comunicado.

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