Forças Armadas da Colômbia neutralizam dissidentes das FARC

Em uma operação conjunta e interagências, as forças colombianas da ordem capturam os guerrilheiros que não acolheram o processo de paz.
Myriam Ortega/Diálogo | 7 maio 2018

Ameaças Transnacionais

A Operação Minerva II foi efetuada durante 36 horas de maneira conjunta entre o Exército, a Marinha e a Força Aérea Colombiana, bem como interagências com os membros do Grupo Operacional Especial de Investigação Criminal, a Polícia Nacional e a Procuradoria Geral da Nação. (Foto: Exército Nacional da Colômbia)

As Forças Armadas da Colômbia realizaram uma operação para capturar dissidentes da guerrilha que não acolheram o acordo de paz. Por intermédio da Operação Minerva II, a Força-Tarefa Conjunta Omega (FTCO) neutralizou, no dia 18 de março de 2018, oito homens e uma mulher pertencentes às dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), na zona rural do Estado de Guaviare, no centro-sul do país.

“Graças a [trabalhos da] inteligência da Polícia e do Exército Nacional, foi possível estabelecer a presença do Grupo Armado Organizado (GAO) residual Frente Primero”, disse à Diálogo o General-de-Brigada do Exército da Colômbia Eduardo Enrique Zapateiro, comandante da FTCO. “Iniciou-se um planejamento da operação em tempo restrito, mas sem deixar nada ao acaso.”

A informação da inteligência que vinha de diferentes fontes indicava vários locais prováveis onde o grupo planejava reunir-se. O Comando Aéreo de Combate Nº 2 (CACOM 2), componente aéreo da FTCO localizado ao sul do país, foi o encarregado de corroborar a inteligência com aeronaves de inteligência e reconhecimento.

“Isso exigiu uma análise adequada, uma busca e análise de toda a informação que tínhamos, o [clima], a hora do ataque, prevendo não ter nenhuma contingência com alguma aeronave”, disse à Diálogo o Coronel da Força Aérea da Colômbia Juan Carlos Rueda, comandante do CACOM 2. “Isso nos deu uma hora, a qual foi cumprida de maneira exata.”

A operação foi realizada na hora exata em uma região de selva e com um clima adverso. “Se nós deixássemos passar uma hora-limite, poderíamos perder o objetivo”, pontuou o Cel Rueda.

“A precisão do bombardeio do CACOM 2, após o assalto aéreo e o combate, permitiram que toda a estrutura perseguida caísse nesta operação no rio Itilla, município de Calamar”, disse o ministro da Defesa Luis Carlos Villegas em um comunicado à imprensa. “Foram apreendidos inúmeros objetos, como material de guerra, entre os quais encontravam-se fuzis, pistolas, lança-granadas, rádios e geolocalizadores, em um campo minado com 10 artefatos explosivos com cilindros de 100 libras.” 

Esse golpe ao GAO residual das FARC beneficia os moradores de Calamar, Guaviare, que tinham sido sequestrados e extorquidos pelo grupo criminoso. (Foto: Exército Nacional da Colômbia)

Dissidência das FARC

“Os guerrilheiros que não quiseram acolher o processo de paz entre o governo da Colômbia e as FARC constituem hoje os GAOs residuais ou dissidência das FARC”, informou à imprensa o General-de-Exército Alberto José Mejía, comandante geral das Forças Militares da Colômbia. “Há 16 meses, quando foram firmados os acordos de paz, eram cerca de 500 membros; atualmente, são cerca de 1.200.” 

“Esses residuais se dedicam especificamente ao narcotráfico e a potencializar e fortalecer as economias criminosas nessas áreas”, afirmou o Gen Ex Mejía. “Dependendo da região, tratam de fazer alianças com o ELN [Exército de Libertação Nacional], com o Clã do Golfo, com o EPL [Exército Popular de Libertação], denominados Pelusos ou Puntilleros. Isto significa que todos eles vivem e se alimentam do narcotráfico.”

Os grupos residuais das FARC mantêm estratégias terroristas que utilizam contra o Estado e a população, mas com menor quantidade de homens. “Isso os levou a mudarem sua forma de operar, seus deslocamentos. Muitas vezes operam como civis, confundem-se com a própria população civil; algumas vezes têm armas, outras não”, destacou o Cel Rueda. “A forma de operar desses GAOs residuais é um contexto irregular que nos obriga a mantermo-nos à frente deles.”

Força-tarefa Conjunta Ômega

A Colômbia tem a campanha Victoria Plus para sua defesa interna, um programa estratégico das Forças Militares, e o plano Comunidades Seguras e em Paz, da Polícia Nacional. “É a primeira vez em nossa história que todas as campanhas [são] militares e policiais”, explicou o Gen Ex Mejía. “Isto significa que prevemos desde o planejamento essa parte de união, de integração; isso faz com que hoje em dia um não possa fazer uma operação sem o outro.”

De acordo com os planos estratégicos, a FTCO, criada em dezembro de 2003, utilizou desde a sua fundação o conceito de doutrina conjunta com seus componentes terrestres, aéreos e fluviais. “Em 15 anos, a força obteve resultados contundentes, sob o desenvolvimento de operações e manobras ofensivas”, pontuou o Gen Bda Zapateiro. “No transcurso do primeiro trimestre de 2018, a FTCO apreendeu 431 quilogramas de cocaína e heroína, 4 kg de pasta base de coca, destruiu 14 laboratórios de processamento de base de coca e um laboratório de cloridrato de cocaína. Dentro do Sistema de Ameaças Persistentes, foram efetuados quatro combates [contra os GAOs], 431 neutralizações de artefatos explosivos improvisados, 13 apresentações voluntárias e 18 capturas”, finalizou.

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