Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Força Aérea Colombiana: 100 anos de existência nas alturas

Durante a comemoração do centenário da Força Aérea Colombiana, a instituição ressalta seu papel decisivo na eliminação do conflito interno, na assistência humanitária e na cooperação internacional.
Geraldine Cook/Diálogo | 5 agosto 2019

Destaque

O Tenente Brigadeiro Ramsés Rueda Rueda, comandante da Força Aérea Colombiana, afirma que sua instituição quer trabalhar com os países da região para enfrentar as ameaças comuns. (Foto: FAC)

A Força Aérea Colombiana (FAC) comemorou um século de existência. Seu comandante, o Tenente Brigadeiro do Ar Ramsés Rueda Rueda, presidiu a cerimônia oficial ao lado do presidente da Colômbia, Iván Duque, e do ministro da Defesa, Guillermo Botero, no dia 13 de julho, nas instalações do 5º Comando Aéreo de Combate, em Rionegro, Antióquia, no âmbito da IX edição da Feira Aeronáutica Internacional F-Air Colômbia 2019. Durante o evento, o Ten Brig Ar Rueda conversou com Diálogo sobre a importância do centenário.

Diálogo: Qual é a importância da comemoração dos 100 anos da instituição?

Tenente Brigadeiro Ramsés Rueda Rueda, comandante da Força Aérea Colombiana: Comemorar os 100 anos da FAC significa a longa trajetória de uma instituição militar que construiu importantes capacidades, sobretudo para um cenário de conflito, mas também capacidades que permitiram que o país se integrasse e se desenvolvesse. Somos uma força que mostra à Colômbia as suas conquistas, que foram decisivas no conflito e levaram as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC – a submeterem-se a um processo de negociação. Mostramos ao continente e ao mundo que a FAC se integrou com outros países para construir capacidades que permitam enfrentar as ameaças transnacionais e que, da mesma forma, nos ajudaram a edificar essa grande instituição.

Diálogo: Quais são as capacidades da FAC?

Ten Brig Rueda: [São] a utilização da força de maneira efetiva no âmbito da lei, o respeito aos direitos humanos e ao direito internacional humanitário. Nós também criamos capacidades que nos permitem ser interoperáveis, participando de exercícios internacionais como o Red Flag. Fazemos parte também do Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas (SICOFAA) e trabalhamos com os países da região para eliminar as ameaças transnacionais, como o narcotráfico. Estamos presentes em lugares remotos, para ajudar na transformação das regiões, como, por exemplo, ajudando as comunidades a substituir os cultivos de coca. A FAC tem também um amplo espectro de operações que se concentram em um esforço não armado e social para contribuir para os objetivos do Estado.

Diálogo: Qual é a maior contribuição da FAC em seus 100 anos de existência?

Ten Brig Rueda: A FAC fez grandes contribuições ao país: integrou o território nacional (temos três cordilheiras, grande quantidade de selvas, planícies, dois mares e um arquipélago); construiu um cenário mais seguro que permitiu o crescimento e o desenvolvimento do país e, por esse motivo, o mundo hoje vê a Colômbia como um país atrativo para investimentos e turismo; e desenvolveu capacidades que compartilhamos com outros países e que nos permitem ser uma referência regional, que pode fazer muitas coisas ao unir os desejos de contribuir para a segurança do hemisférico.

Diálogo: Que atividades estão sendo realizadas para celebrar os 100 anos da FAC, além do lançamento de um selo comemorativo?

Ten Brig Rueda: Para a comemoração do centenário, o Congresso da República aprovou a Lei de Honrarias que nos autoriza a ter uma moeda comemorativa de circulação nacional. Isso tem um significado valioso, já que nos bolsos dos colombianos existirá uma moeda alusiva ao nosso centenário. Temos também um livro comemorativo, que esperamos que seja uma sensação. Nosso centenário vem sendo comemorado ao longo deste ano de 2019, buscando uma aproximação com os colombianos em diferentes eventos.

Diálogo: Como vem evoluindo o papel da mulher na FAC?

Ten Brig Rueda: A mulher na FAC tem uma trajetória bem longa, já que ela abrilhanta a instituição desde os anos 1970. Em 2000, tivemos as primeiras oficiais de carreira pilotos, e hoje elas estão em todas as especialidades, com exceção de pilotos de aeronaves do Esquadrão de Superioridade Aérea. Trinta por cento de nosso pessoal são mulheres que ocupam postos de comando; elas também estão nas forças antiterroristas urbanas, nas tripulações de helicópteros CSAR, são médicas e advogadas; ou seja, em todas as estruturas e especialidades da FAC, as mulheres são protagonistas e são um ativo estratégico na instituição.

Diálogo: A FAC comemora a IX edição da Feira Aeronáutica Internacional, conhecida como F-Air Colômbia. Qual é a importância dessa feira?

Ten Brig Rueda: Somos um dos parceiros estratégicos junto com a Aeronáutica Civil Colombiana. A F-Air nos permite mostrar do que somos capazes e é uma ferramenta para congregar a comunidade de empresários colombianos para desenvolver a indústria. A F-Air é um polo de desenvolvimento e uma oportunidade para a FAC de tornar realidade a fórmula do desenvolvimento formada pelo governo, suas forças armadas, a empresa e a academia.

Nessa edição, agradecemos profundamente aos Estados Unidos, nosso convidado de honra, pela sua participação e também por mostrar aos colombianos, durante a exibição aérea, o esquadrão de demonstração, os Thunderbirds, com os aviões F-16 Fighting Falcon, que estiveram na Colômbia em 1969, quando comemoramos o nosso cinquentenário.

Diálogo: Quais são os tipos de intercâmbio que a FAC realiza com a Força Aérea dos EUA?

Ten Brig Rueda: Os EUA são nosso aliado estratégico mais importante, porque ajudaram a construir a nossa força, sendo nosso parceiro na guerra contra as ameaças transnacionais, como o narcotráfico. Por isso mantemos muitos intercâmbios e compartilhamos informações e experiências, além de realizar exercícios internacionais. Da mesma forma, trabalhamos com a Guarda Nacional da Carolina do Sul, da qual somos muito próximos em aspectos militares e humanitários, e que participa conosco do exercício operacional aéreo combinado Relâmpago 4.

Diálogo: Qual é a importância do trabalho em conjunto entre as forças aéreas através do SICOFAA?

Ten Brig Rueda: O SICOFAA agrega as forças aéreas da América para integrar suas capacidades e padronizar os procedimentos para responder de forma oportuna diante de um desastre natural. O SICOFAA realiza exercícios virtuais e reais anualmente. A Colômbia será o país anfitrião em 2020 do exercício Cooperação 7, no âmbito do exercício aéreo Anjo dos Andes, no qual esperamos reunir mais de 13 países.

Diálogo: Qual é a sua mensagem para as forças aéreas da região?

Ten Brig Rueda: A FAC tem a grande visão de compartilhar com os países da região e aproveitar as capacidades conquistadas e construídas com o apoio dos EUA. Nos últimos anos realizamos, através de programas de cooperação, mais de 3.000 atividades em 61 países, 22 deles das Américas. Queremos convidá-los a unir nossos desejos para que tenhamos sinergia e possamos enfrentar as ameaças que açoitam nossa região. Não há nada mais poderoso do que a vontade de todos nós unidos para enfrentá-las.

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