Colômbia enfraquece subestrutura do Clã do Golfo

Um trabalho conjunto de inteligência trouxe bons resultados com a captura de integrantes do grupo armado organizado.
Myriam Ortega/Diálogo | 9 janeiro 2019

Ameaças Transnacionais

Em uma operação realizada no final de novembro de 2018, a Marinha Nacional da Colômbia e a Polícia Nacional conseguiram capturar 21 membros de uma subestrutura do Clã do Golfo. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

No final de novembro de 2018, unidades da Marinha Nacional da Colômbia realizaram uma operação conjunta com a Polícia Nacional que permitiu a captura de integrantes do grupo armado organizado Clã do Golfo, no Caribe colombiano. As operações simultâneas foram feitas no município de Mutatá, estado de Antióquia, e na cidade de Cartagena, estado de Bolívar.

Na madrugada do dia 21 de novembro, unidades do Grupo de Ação Unificada Pela Liberdade Pessoal (GAULA) Militar de Bolívar, formado por comandos da Marinha Nacional e membros da divisão seccional da Direção de Investigação Criminal e Interpol da Polícia, conseguiram capturar 21 membros do Clã do Golfo. Entre os detidos se encontra Ido Enrique López Osorio, conhecido como Cabeza ou El Profe, líder da subestrutura do Clã do Golfo conhecida como Heróis do Caribe.

As operações realizadas no âmbito do Plano Diamante, lançado pelo governo colombiano em agosto de 2018, ocorreram depois de mais de um ano de informações de inteligência recolhidas e rastreamento dos membros do grupo criminoso. “Com a estratégia do governo, podemos agilizar e obter melhores resultados contra os diferentes grupos, sejam eles denominados guerrilha ou grupos criminosos”, disse à Diálogo o Capitão de Corveta do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha Nacional Juan Carlos Morales García, comandante do GAULA Militar de Bolívar.

Trabalho de inteligência

De acordo com informações da Marinha, El Profe fazia parte da organização criminosa há cerca de 10 anos. O líder da subestrutura criminosa era encarregado de controlar as rotas de distribuição de entorpecentes em Cartagena e nos municípios da região de Urabá, no estado de Antióquia.

Os demais capturados, informou a Marinha, se dedicavam à extorsão e ao assassinato por encomenda. Em setembro de 2017, eles cometeram vários homicídios na área urbana de Cartagena.

“Foram cometidos 21 homicídios, sendo a maioria de comerciantes, bem como de outras pessoas vinculadas de certo modo aos negócios do microtráfico ou a alguma atividade criminosa”, explicou o CC Morales. “[Eles] interferiam nos negócios da organização criminosa.”

O trabalho de inteligência permitiu identificar os autores dos assassinatos e sua filiação com a subestrutura Heróis do Caribe. “Esta estrutura tinha ainda uma rota de armas ilegais, armas curtas, revólveres e pistolas”, explicou o CC Morales. “Eles se encarregavam de fornecer estas armas para a prática de crimes no perímetro urbano de Cartagena e inclusive no sul de Bolívar, ao que parece a partir da Venezuela.”

Entre os capturados se encontra o líder da subestrutura Heróis do Caribe, Ido Enrique López Osorio, conhecido como El Profe. (Foto: Marinha Nacional da Colômbia)

A operação

“Foi um trabalho conjunto entre a Polícia e a Marinha Nacional”, disse à Diálogo o Capitão-Tenente do Corpo de Fuzileiros Navais Jonny Alexander Martínez Martínez, chefe da Unidade de Inteligência do GAULA Militar Bolívar. “A estrutura pôde ser localizada e identificada através dos postos de controle, das interceptações telefônicas, dos recursos técnicos e dos agentes secretos.”

Embora El Profe residisse em Cartagena, ele se mudou para o estado de Antióquia antes de ser detido. “Ele mais ou menos suspeitava de que em algum momento receberia uma ordem de prisão”, explicou o CC Morales. “Assim sendo, foi para Urabá pensando que conseguiria nos enganar ou que talvez nós o perderíamos. Mas, graças às atividades de inteligência, tanto da Marinha quanto da Polícia, conseguimos manter um controle permanente.”

No dia 19 de novembro, as tropas do GAULA Militar Bolívar se deslocaram até Mutatá, em Antióquia. Durante dois dias, os militares recolheram informações adicionais e, no dia 21 de novembro, capturaram El Profe em sua residência.

No mesmo dia, as autoridades realizaram 19 invasões de domicílios em Cartagena. “Tudo foi feito de maneira coordenada, para que, se o líder El Profe fosse capturado, imediatamente se fizessem as invasões de residências e demais capturas na cidade de Cartagena”, disse o CC Morales.

“Eles não resistiram no momento da captura; todos estavam em suas casas”, acrescentou o CT Martínez. Além das detenções, foram enviadas nove notificações aos presos membros do Clã do Golfo que praticavam extorsões através de telefonemas feitos da penitenciária, exortando suas vítimas a entregar dinheiro aos membros do grupo.

De acordo com informação da Marinha, dois dos 21 capturados eram mulheres com ordens de prisão vigentes por crimes de extorsão agravada, formação de quadrilha, homicídio agravado, porte ilegal de armas e porte de entorpecentes. Todos foram postos à disposição da Promotoria Geral da Nação.

Durante as incursões, as autoridades encontraram granadas de fragmentação e armas de fogo, munições de diferentes calibres, veículos particulares, celulares e dinheiro em espécie. A operação contou com cerca de 400 membros da Marinha e da Polícia que utilizaram helicópteros, drones e camionetes da Marinha.

“Com essas capturas, impedimos que as mortes dos cidadãos colombianos ficassem impunes, já que houve vários assassinatos praticados por esse grupo de criminosos”, concluiu o CT Martínez. “Na cidade de Cartagena, conseguimos recuperar a confiança que a população civil deposita na força pública.”

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 5
Carregando conversa