Colômbia treina fuzileiros navais da Guatemala

Militares guatemaltecos fortalecem suas capacidades em assalto anfíbio para realizar operações contra as organizações criminosas em qualquer cenário.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 7 maio 2019

Capacitação e Desenvolvimento

Fuzileiros navais da Guatemala treinam em marchas com deslocamentos táticos, reação diante do fogo inimigo e deslocamento noturno em rios. (Foto: Comando da Marinha da Defesa Nacional da Guatemala)

No dia 11 de março de 2019, militares da Guatemala concluíram o Curso de Assalto Anfíbio, ministrado por instrutores da Marinha da Colômbia no Centro de Adestramento Naval do Corpo de Fuzileiros Navais da Guatemala (CANIM, em espanhol), em Puerto Barrios, Izabal. O objetivo do curso foi melhorar a capacidade de resposta dos fuzileiros navais para combater o crime organizado transnacional.

“Durante 30 dias, o treinamento conjunto, [do qual] participaram cinco instrutores colombianos e 22 fuzileiros navais guatemaltecos, melhorou as táticas, as técnicas e os procedimentos dos alunos para reagir diante das diferentes ameaças transnacionais”, disse à Diálogo o Vice-Almirante Juan Randolfo Pardo Aguilar, comandante da Marinha da Defesa Nacional da Guatemala. “O curso também aprimorou as relações entre os países que integram o plano e fortaleceu o CANIM.”

O oficial destacou que qualquer apoio de treinamento incrementa as capacidades do pessoal para melhorar os resultados operacionais, compartilhar e atualizar os procedimentos e atuar com unidades dos outros países. A Guatemala recebe cursos de capacitação desde 2012 por meio do Plano de Ação Estados Unidos-Colômbia, um programa de cooperação em segurança regional do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM).

O treinamento foi realizado em dois diferentes setores, o aquático e o terrestre. A prática final incluiu fases estratégicas de alto rendimento, marchas com deslocamentos táticos, reação diante do fogo inimigo, infiltração em um corpo de água, deslocamento noturno em rios, natação militar em mar aberto e assentamento de uma cabeça de praia.

Os instrutores, todos militares e policiais colombianos, combatem com eficácia grupos terroristas como os remanescentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e do Exército de Libertação Nacional, bem como quadrilhas criminosas. Graças ao seu treinamento com o SOUTHCOM, eles adquiriram experiência em condução estratégica de operações locais e em segurança nacional.

Máximo benefício

Durante 30 dias, a Marinha da Colômbia treinou fuzileiros navais guatemaltecos através do Curso de Assalto Anfíbio. (Foto: Comando da Marinha da Defesa Nacional da Guatemala)

“O programa de assalto anfíbio se resume em duas lições: [A primeira,] o autocontrole para realizar operações sob qualquer circunstância, e [a segunda,] a importância do trabalho em equipe”, disse à Diálogo o 2º Tenente da Marinha da Guatemala Elvis Hurtado García, instrutor do CANIM. “Por mais simples que seja a ação realizada por cada membro da unidade, ela repercute de forma positiva ou negativa em todos os demais membros e no êxito da missão.”

As capacitações são específicas e requerem uma preparação para garantir que os alunos atinjam o máximo benefício. “A preparação permite que os fuzileiros navais realizem operações para cumprir a missão designada de forma eficaz e eficiente, com os aspectos de segurança que recebem no treinamento”, destacou o V Alte Pardo.

As marinhas da Colômbia e da Guatemala realizam exercícios em regiões ribeirinhas, fluviais, lacustres e costeiras com características similares. Ambas as instituições compartilham doutrinas e técnicas de treinamento semelhantes que facilitam o desenvolvimento do treinamento e produzem resultados importantes.

Treinamento combinado

Uma vez concluída a preparação, a Marinha da Guatemala selecionará um dos 22 alunos para que ele continue seu aprendizado através do Curso de Assalto ao Narcotráfico, com instrutores colombianos e em coordenação com o SOUTHCOM. “A cooperação permite que as forças dos três países se conheçam. Devido à localização geográfica e ao tipo de flagelos transnacionais que ameaçam o território guatemalteco, é necessário que a Força de Fuzileiros Navais conte com a versatilidade de poder trabalhar em combinação com diversos exércitos e reagir diante das ameaças emergentes na defesa marítima, terrestre e aérea”, comentou o 2º Ten Hurtado.

De acordo com o V Alte Pardo, o treinamento combinado é um primeiro passo para desenvolver o CANIM no sentido da formação de fuzileiros navais, com a tradição e o sentimento de pertencer à unidade especial do Exército da Guatemala. “Nós coordenamos com a Escola Naval da Guatemala para que o CANIM possa contar com seu aval, sua coordenação e supervisão, e para que funcione como uma extensão para a capacitação e a formação dos membros do Corpo de Fuzileiros Navais”, concluiu o V Alte Pardo.

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